O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini literalmente subiu alguns degraus e elevou a outro estágio a estratégia de marketing da sua pré-campanha a governador do Espírito Santo. Em um vídeo publicado por ele nas redes sociais na tarde do último domingo (14), o pré-candidato a governador assina pela primeira vez como… pré-candidato a governador.
Obviamente, Pazolini decidiu ser candidato ao Palácio Anchieta há muito tempo. Desde janeiro do ano passado, é assim tratado por seu partido, o Republicanos, inclusive em textos para a imprensa. Não é por outra razão que tirou licença-prêmio de três meses, desde que renunciou à Prefeitura de Vitória, em abril, dedicando-se desde então a uma intensa agenda de pré-campanha. Aliás, a renúncia em si, obviamente, é a evidência cabal de sua determinação em se tornar governador.
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De todo modo, agora Pazolini passa a firmar suas postagens nas redes sociais como “pré-candidato a governador”, o que por si é um fato novo e relevante. Esse é o primeiro destaque, mas não é o único nem o principal.
O que mais chama a atenção no vídeo e na legenda postados pelo ex-prefeito de Vitória é o texto (verbal e não verbal), um buffet de elementos que compõem o discurso e a estratégia eleitoral de Pazolini. Discurso e estratégia que começam a ser testados e que na certa serão lapidados até agosto. E devemos dizer: tudo muito em consonância com a análise que aqui publicamos no último dia 4, antecipando muitos teasers desses elementos-chave.
Pazolini é apresentado como um gestor e líder político jovem, honesto e sensível ao sofrimento das pessoas (em contraste com as frias “elites políticas e econômicas”) e preocupado em melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, sobretudo os mais necessitados. Explicitamente, usando expressões como “velha política”, ele aposta na imagem e na ideia de renovação.
O contraponto é buscado em relação a seu principal adversário, o atual incumbente, Ricardo Ferraço (MDB), candidato à reeleição.
Ao mesmo tempo, Pazolini também é mostrado como o homem que acabou com o domínio de facções criminosas sobre partes inteiras de determinadas comunidades da Capital. Não como um Batman sem capa, nem como delegado (na função, ele não atuou diretamente nesse combate), mas precisamente como prefeito, na medida em que sua administração levou equipamentos públicos e até opções de lazer para tais localidades.
A filosofia, diga-se de passagem, segue a mesma linha do Programa Estado Presente, do Governo do Estado. Os números da violência urbana têm caído na cidade de Vitória, mas também em todo o Espírito Santo. Será interessante observar como cada candidato se apropriará desse discurso e dos bons indicadores numéricos no que concerne, especificamente, à queda da violência na Capital.
A produção e a edição do vídeo são visivelmente mais elaboradas que as de postagens anteriores de Pazolini, com uma equipe de marketing por trás. A comunicação da pré-campanha do ex-prefeito entra numa fase mais profissional.
Seja para apresentá-lo como um homem sensível às dificuldades da população de baixa renda, seja para realçar o lado “combatemos o crime do jeito certo”, Pazolini visita alguns bairros de baixa renda da cidade e caminha pelas comunidades. Passa pela orla de Nova Palestina (na Grande São Pedro), pelo mirante de Santos Dumont, vai ao alto dos morros do Bonfim e do Macaco. Em uma dessas caminhadas, conta que, no início de seu governo, cada facção rival dominava um lado do bairro, e quem pertencia a um lado não podia atravessar para o outro.
O ex-prefeito cumprimenta várias pessoas, ouve palavras de carinho e incentivo. Faz questão de mostrar uma canaleta feita pela prefeitura no canto de uma nova escadaria, para facilitar a subida de quem carrega uma bicicleta. Conversa com um senhor que recebeu uma casa nova da prefeitura. E por aí vai.
Pazolini também evidencia algo até certo ponto esperado e bastante natural: seu portfólio de campanha será centrado nas realizações dos seus cinco anos de governo em Vitória. A promessa central será na linha “do micro para o macro”: o que foi feito em Vitória será expandido para todo o Estado.
A legenda do vídeo é um caso à parte e é autoexplicativa. Encerramos por aqui, reproduzindo-a na íntegra:
Por que a transformação em Vitória INCOMODA TANTO a velha política do ES?
. Porque mostra que dá pra fazer diferente.
. Onde mandava facção, hoje brincam crianças.
. Quem esperou 16 anos pela casa, finalmente recebeu a chave.
. Antes abandonado, agora cartão postal do Espírito Santo
O método?
. Mãos limpas
. Justiça
. Fé no trabalho
Como delegado, provei.
Como prefeito, provei de novo.
Agora é pelos 78 municípios.
Pelos 4 milhões de capixabas.
O capixaba só tem motivo pra ter esperança.
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