
Nomeada no começo de abril para chefiar a Secretaria Estadual de Recuperação do Rio Doce (Serd), a servidora de carreira do Estado Margareth Saraiva Coelho foi substituída no cargo, nesta quarta-feira (24), pelo governador Ricardo Ferraço (MDB). No lugar dela, Ricardo nomeou Neomar Antônio Pezzin Junior, servidor de carreira do Departamento de Edificações e Rodovias do Espírito Santo (DER-ES).
Oficialmente, ao responder sobre a troca, a assessoria do governo fala em mudança técnica, diz que não há ruptura e que a mudança visa fortalecer ainda mais o papel da secretaria, criada no começo do ano passado.
Por outro lado, fontes do governo citam outros possíveis fatores para a decisão de Ricardo, como problemas de gestão interna na Serd e arestas acumuladas pela então secretária com prefeitos de municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão.
Mas há, ainda, um ingrediente político destacado por fontes da coluna: os vínculos históricos de Margareth com o Partido dos Trabalhadores (PT).
Dirigentes do PT confirmam que a agora ex-secretária foi filiada ao partido por quase quatro décadas e se desfiliou pouco antes de assumir a chefia da Serd. Dias antes do início do governo de Ricardo Ferraço, a direção estadual do PT decidiu não participar do governo dele com cargos nos altos escalões.
Precisamente, Margareth foi filiada ao PT do dia 10 de fevereiro de 1989 (meses antes da primeira campanha de Lula à Presidência da República) ao dia 26 de março deste ano (dois dias após o partido decidir entregar os cargos no alto escalão do governo e exatamente uma semana antes de Ricardo Ferraço tomar posse como governador).
Dirigentes do PT também confirmam à coluna que, no passado, Margareth exerceu militância nas fileiras do PT, participando ativamente de algumas campanhas eleitorais – destacadamente, em prol do atual deputado estadual João Coser. Cedida à Prefeitura de Vitória, ela exerceu algumas funções técnicas durante os oito anos de administração do petista na Capital, entre 2005 e 2012.
Não é possível afirmar se o histórico partidário de Margareth teve peso na decisão de Ricardo, mas é fato que, no Espírito Santo, o PT tem um projeto eleitoral alternativo ao do atual governador, com a pré-candidatura do deputado federal Helder Salomão ao Palácio Anchieta.
Nós tentamos, mas não conseguimos ouvir a própria ex-secretária. Ela não atendeu aos nossos telefonemas nem respondeu às nossas mensagens.
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