A Federação União Progressista (UP) tende a ficar com a vaga de candidato ou candidata a vice do Ricardo Ferraço (MDB), em sua campanha à reeleição. E é uma tendência muito forte. Para não carimbar 100%, diríamos que as chances de a federação indicar o companheiro ou companheira de chapa de Ricardo são, hoje, de 90%. O presidente estadual do UP, Josias da Vitória, já afirmou aqui de maneira muito assertiva: eles querem a vaga.
Dado o peso político do UP, é difícil imaginar que Ricardo vá simplesmente ignorar o pleito de um dos seus mais vitais aliados, considerando o quanto a federação aporta à sua candidatura, em termos de recursos de campanha, tempo de propaganda de rádio e TV e reforço da sua tropa eleitoral, com suas chapas completas e competitivas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados.
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Na verdade, longe de ignorar as pretensões de seu parceiro estratégico, o próprio Ricardo já deu um claríssimo indicativo de que está predisposto a contemplar a reivindicação do UP:
“Confirmo, de maneira muito clara, que a federação tem força, tamanho, musculatura, popularidade e presença no Espírito Santo para estar sentada à mesa para debater e definir as composições no campo majoritário”. Foi o que disse Ricardo, ainda vice-governador, no dia 23 de março, ao receber o anúncio oficial de apoio da federação.
Bem, se o vice ou a vice de Ricardo muito provavelmente virá do UP, a pergunta passa a ser outra: quais são os nomes na mesa?
O próprio Da Vitória, na última terça-feira (9), declinou aqui seis quadros, todos filiados ao PP ou ao União Brasil (as duas siglas que compõem a chamada “superfederação”). A coluna apurou que três deles estão algumas passadas na frente dos demais nessa corrida: o deputado federal Amaro Neto, a Capitã Andresa Nascimento e o vereador Camillo Neves. Os três são do PP.
Andresa e Camillo, em especial, têm ganhado muita força nas conversas de bastidores entre dirigentes e líderes partidários. E é preciso dar um destaque maior ao vereador de Vitória, por quem Da Vitória nutre grande simpatia pessoal.
Também jogador de futebol de areia, Camillo, a esta altura – o segundo dos três tempos da pré-campanha –, desenvolveu certo favoritismo para ser escolhido e indicado pelo UP para completar a chapa do atual governador.
Nas origens do processo eleitoral, Camillo soava como um nome bem improvável. No dia 16 de abril, publicamos aqui uma lista de possíveis companheiros de chapa de Ricardo. O vereador nem foi citado. Mas agora a ideia se tornou real. Por quê?
O perfil de Camillo Neves (PP)
Exercendo o seu primeiro mandato eletivo, Camillo Neves, por vários aspectos, tem um perfil que interessa a Ricardo Ferraço e estrategistas. Preenche alguns pré-requisitos para a escolha do companheiro de chapa do governador. O primeiro deles: idade.
Sim, idade é um fator crucial aqui – sempre levando muito em conta a lógica da complementaridade: o vice, de preferência, deve reunir características diferentes e complementares às do titular da chapa, agregando-as e atraindo votos de eleitores que, a priori, não votariam nele.
Ricardo, vale lembrar, tem 62 anos – mais de 40 deles dedicados à vida pública. Também cumpre recordar que seu principal oponente, Lorenzo Pazolini (Republicanos), completou 44 anos em maio e só entrou na política em 2018. Com base em discursos que o ex-prefeito de Vitória tem feito em reuniões de pré-campanha, ele está mesmo decidido a capitalizar a mensagem da renovação política.
E podemos dar outro exemplo: o ex-governador Paulo Hartung (PSD), apoiador declarado de Pazolini e grande adversário de Ricardo, tem pregado justamente a “renovação política” no Palácio Anchieta, em conversas com empresários do Estado.
Ora, tendo isso em mente, nada mais natural do que Ricardo querer apresentar ao público um vice que cheire a juventude. Camillo, além de trazer esse frescor (por ter só 34 anos e ser ainda mais jovem que Pazolini), ainda agrega a ideia de “vitalidade” associada a alguém que, além de parlamentar, é um atleta profissional ainda em atividade.
O outro fator a destacar – este, ainda mais importante – é de ordem geográfica. Muito conhecido no interior do Estado, Ricardo dará preferência a um vice com raízes bem enterradas na Grande Vitória. É o caso de Camillo, um capixaba da gema, nascido mesmo em Vitória, morador e vereador da Capital.
E há a cereja do bolo: o fato de que Camillo, no início do mandato, fazia parte da base aliada de Pazolini na Câmara de Vitória. Essa relação perdurou até perto da renúncia do prefeito para ser candidato a governador, em abril.
Mas, nos primeiros meses do ano, Camillo assumiu uma atitude muito mais independente, no plenário e fora dele. Em março, acompanhando a decisão da federação da qual faz parte, assumiu também o apoio a Ricardo para governador. No evento de anúncio do apoio do UP, no auditório do Palácio Café, ele até compôs a mesa de autoridades, com o então vice-governador ao centro.
Como se não bastasse, Camillo foi um dos principais artífices do movimento de apoio ao colega Dalto Neves (SD) para a presidência da Câmara de Vitória – contrário às preferências de Pazolini. Resumindo: Camillo mudou de lado.
É uma narrativa que a campanha de Ricardo poderá explorar sem parcimônia: a do jovem vereador e atleta que era aliado de Pazolini, mas preferiu apoiar a reeleição do atual governador.
Esse, Camillo Neves. Agora passemos a Andresa.
O perfil da Capitã Andresa (PP)
Com 39 anos, a jovem oficial dos Bombeiros Militares do Espírito Santo (BMES) está filiada ao PP e, a princípio, é pré-candidata a deputada federal. Foi candidata a vice-governadora ao lado de Audifax Barcelos em 2022, pelo Solidariedade.
Com a eventual escalação de Andresa, o primeiro objetivo seria conferir à chapa de Ricardo equilíbrio de gênero, atraindo o voto feminino, além de dar destaque a uma agente de segurança pública – o que realçaria o discurso de compromisso com a área. Mas a ex-gerente de Integração Comunitária e Institucional da Sesp aporta outros atributos.
Sem nunca ter exercido mandato, Andresa é um rosto bastante conhecido pela população capixaba. Por mais de três anos, atuou como porta-voz do BMES, concedendo centenas de entrevistas em nome da corporação, onde está há 17 anos.
Além disso, nos últimos tempos, firmou-se como fenômeno de popularidade nas redes sociais, outro território em que Ricardo precisa ganhar chão. Sim, dando “dicas que salvam vidas”, a capitã é uma autêntica influencer.
Só no Instagram, ela contabilizava cerca de 700 mil seguidores em meados de abril. Hoje, já são 830 mil. Para se ter uma ideia, Ricardo, o governador do Estado, tem 88,2 mil na mesma rede social.
Andresa é notoriamente bolsonarista, o que pode ajudar Ricardo a conquistar votos desse filão do eleitorado. Ricardo, embora de direita, não tem declarado preferência na corrida presidencial e tem evitado entrar nessa dividida.
Para completar o pacote, a capitã é moradora de Vitória e evangélica, enquanto Ricardo é cachoeirense e católico.
Por fim, chamou muito a atenção um post que a bombeira influencer fez no fim de março, com mais de 2 mil curtidas, parabenizando Ricardo pela iminente posse e o enchendo de elogios.
Os demais
Como dissemos no início, a cotação de Amaro Neto também tem subido nos bastidores. Os outros três citados por Da Vitória, na última terça-feira, são o empresário de Guarapari Rodolfo Mai (PP), o deputado federal Messias Donato (União) e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União).
Marcelo declarou à coluna que não quer ser candidato a vice. Manterá até o fim sua candidatura a deputado federal.
Complicador: desfalque pode prejudicar chapa de federais
Existe uma dificuldade para a hipotética escalação da Capitã Andresa como vice de Ricardo. É a mesma que também se aplica a Marcelo, Amaro e Messias Donato.
A princípio, os quatro são pré-candidatos a deputado federal na chapa do UP no Espírito Santo. E estão entre as principais apostas da federação. Como ingrediente adicional, Andresa ajuda a chapa a cumprir a cota de gênero.
O Espírito Santo tem dez cadeiras na Câmara dos Deputados. A federação quer eleger pelo menos três. Com esse quarteto na chapa, mais Da Vitória, os dirigentes do UP acreditam que farão seguramente dois federais, com boas chances de chegar a três – podendo, ainda, emplacar quatro, a depender do desempenho das chapas dos outros partidos.
Isso com essa formação. Mas eventual deslocamento de um deles para a vice de Ricardo deixaria a chapa desfalcada, comprometendo severamente o cumprimento dessa meta. Ainda mais depois da migração de Evair de Melo (o deputado federal trocou o PP pelo Republicanos) e da desistência do secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli (PP), em disputar um lugar na Câmara.
O próprio Da Vitória, por exemplo, foi muito bem votado na eleição passada. Em 2022, foi o 6º candidato a federal com mais votos no Espírito Santo: 71.779. A federação acredita que, este ano, ele possa repetir ou até melhorar o bom desempenho nas urnas.
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