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Senado no ES: Rose um passo à frente. Gilson Daniel vira alternativa

No grupo de Casagrande e Ricardo Ferraço, afunila-se a definição de quem será o 2º candidato a senador da coligação majoritária governista

Escrito por Vitor Vogas

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“Hoje, Rose é um fato. Gilson Daniel é uma hipótese.” Assim um “general quatro estrelas” da tropa política de Casagrande e Ricardo Ferraço define o ponto atual em que se encontra o processo de (in)definição do segundo candidato ao Senado pela coligação do grupo no poder no Espírito Santo.

Nessa coligação, duas das quatro vagas majoritárias já estão definidas há meses: Ricardo (MDB) será candidato a governador (à reeleição, no caso), enquanto Casagrande (PSB) será um dos dois candidatos ao Senado. Falta definir quem será o candidato a vice-governador e o segundo nome para a Câmara Alta.

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A vice costuma ser preenchida aos 49 do segundo tempo. Normalmente, é o último detalhe a ser fechado, perto do fim do prazo para pedido de registro das chapas à Justiça Eleitoral – na primeira quinzena de agosto. A definição do segundo candidato ao Senado não pode esperar tanto. O ideal para o grupo, na verdade, é que isso já estivesse resolvido, até para permitir que o candidato tenha tempo para se preparar e reunir a estrutura necessária para encarar uma disputa tão difícil.

No entanto, no polo “casaferracista”, tal definição ficou “agarrada” por conta de um fator. Um dos mais fortes aliados numa frente partidária que também tem PSB, MDB, Podemos e PDT, a Federação União Progressista tinha absoluta preferência para indicar esse segundo candidato ao Senado. É fato: se a federação o quisesse, a vaga seria dela.

De modo mais específico, esse segundo candidato seria Josias da Vitória (PP), o presidente estadual da federação – desde que ele assim quisesse. Mas, após meses de maturação, o deputado e líder do UP decidiu não pleitear o Senado. Em entrevista à coluna na última terça-feira (9), ele anunciou sua decisão de buscar renovar o mandato na Câmara Federal. E deu outra informação importante: a federação decidiu não postular mais esse lugar na chapa, mas o outro que segue em aberto: a vice de Ricardo Ferraço.

O duplo anúncio de Da Vitória reconfigurou o tabuleiro desse jogo, a cerca de dois meses do início do período oficial de campanha, levantando uma indagação – inclusive (ou principalmente) dentro do próprio grupo liderado por Casagrande e Ricardo: se não Da Vitória, quem?

Em primeira análise, a resposta aponta para a ex-senadora Rose de Freitas (MDB). Entre todos (repito: todos) os aliados de Casagrande e Ricardo, ela foi a única, até agora, que deu um passo à frente nessa “briga” e não arredou o pé. Está determinada a voltar a concorrer ao Senado (após o triunfo em 2014 e a derrota em 2022). Questionada sobre isso por nós na última terça, Rose confirmou sua obstinação: “Com certeza”, disse, resoluta, ao responder se sua pré-candidatura segue firme.

A mesma firmeza, até o momento, não se vê mais em ninguém nesse QG político-eleitoral. Antes de Da Vitória, outros mais ficaram pelo caminho: Euclério Sampaio (MDB) recuou. Luiz Paulo (PSDB) idem. Agora, com o passo atrás de Da Vitória, Rose passa a estar dois passos à frente – seja por sua tenacidade pessoal, seja por esta surpreendente falta de concorrência interna, a esta altura.

O “general quatro estrelas” dessa tropa ouvido pela coluna confirma a vantagem natural, de certa forma inesperada, adquirida por Rose neste momento:

“A preferência da segunda vaga de senador era mesmo da federação. Da Vitória demorou bastante para se decidir. Maturou essa decisão por cerca de um ano. Se ele tivesse decidido antes, talvez pudesse ter dado tempo para outro possível candidato do grupo se preparar. Agora, com a Federação União Progressista abrindo mão, quem automaticamente se coloca, até porque nunca deixou de se colocar, é Rose de Freitas. Ela, a todo momento, sempre expressou a vontade de ser candidata ao Senado. Então, com isso, ela ganha energia”.

Gilson Daniel corre por fora

Ao mesmo tempo, segundo a mesma fonte, como o MDB já ocupa um lugar na coligação (e logo o mais importante, com Ricardo Ferraço na cabeça da chapa), se outro partido aliado expressar que também deseja a vaga, isso estará aberto para debate.

É precisamente nessa brecha que uma segunda hipótese passou a ganhar força nos bastidores, alternativamente à “solução Rose de Freitas”: a hipótese de lançamento, aos 30 do segundo tempo, do deputado federal Gilson Daniel (Podemos). Como resume a fonte graduada ouvida pela coluna, “Rose é uma situação concreta, ao passo que Gilson ainda é uma situação no campo hipotético”. Mas é uma hipótese que pode evoluir para o plano factual, dependendo da vontade do próprio Gilson e da sequência das tratativas entre os líderes partidários da frente “casaferracista”.

O próprio Gilson, até o momento, não se manifestou sobre o assunto. Mas é fato que alguns aliados de Casagrande e Ricardo são entusiastas de tal solução. Um deles é o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, correligionário de Gilson no Podemos e sucessor dele na Prefeitura de Viana, desde 2021. Pode-se dizer que Wanderson é afilhado político de Gilson, presidente estadual do Podemos e prefeito da mesma cidade de 2013 a 2020.

De modo ainda mais relevante, eventual candidatura de Gilson ao Senado agrada muito à própria Federação União Progressista, que tinha a preferência, mas abriu mão desse espaço. O próprio Da Vitória, pessoalmente, nutre grande simpatia pela ideia. Se Gilson topar a empreitada, possivelmente terá o apoio de Da Vitória e companhia, dentro da federação, para ser o segundo candidato a senador da coligação governista – no lugar de Rose de Freitas.

Há, nessa equação política, um cálculo bastante pragmático que ajuda a entender o porquê da predileção da Federação União Progressista. Gilson, hoje, é pré-candidato à reeleição na Câmara dos Deputados. E, no meio político capixaba, a expetativa geral é que o “deputado municipalista” será reeleito com uma boa votação, pulverizada de norte a sul do Espírito Santo.

Em múltiplos redutos eleitorais, ele concorre com muitos aliados que também disputarão um lugar na Câmara, incluindo candidatos da Federação União Progressista, como o próprio Da Vitória, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), e os deputados federais Amaro Neto (PP) e Messias Donato (União Brasil).

“A ideia de lançamento de Gilson ao Senado caiu bem na federação. Agrada porque, com ele ‘subindo’ para a disputa ao Senado, haverá uma vaga a mais em aberto na Câmara dos Deputados. Isso interessa a muitos aliados”, resume nossa fonte.

O que diz Marcelo Santos

Segundo na hierarquia de poder da Federação União Progressista no Espírito Santo, Marcelo Santos declara que, hoje, Rose de Freitas é a segunda pré-candidata ao Senado pela coligação governista e que, se a pré-candidatura dela realmente vingar, a ex-senadora terá o seu apoio pessoal.

“Na vaga de Senado, a federação tinha a preferência, mas declinou e não vai apresentar nenhum nome. O que tínhamos era o do Da Vitória. Ele avaliou e declinou. Hoje, então, além de Casagrande, temos um nome no grupo, que é o da senadora Rose de Freitas, que já manifestou isso. Hoje, o nome colocado no grupo é o da Rose. Se o MDB colocar o nome dela na disputa, é o nome que vou apoiar. Agora, se Gilson Daniel também colocar o nome, também é um bom nome e tem preparo para isso. Nesse caso, nós teremos que discutir e decidir dentro do grupo”, afirma o presidente da Assembleia.

As vantagens e desvantagens de Rose

Considerada uma veterana política “de chão de fábrica” e municipalista, Rose empilhou mandatos no Congresso Nacional. Entre 1987 e 2022, foram seis mandatos na Câmara e um no Senado. Debateu grandes temas nacionais no Congresso e trabalhou muito para obter recursos federais em benefício de cidades capixabas. “Está legitimamente preparada para assumir essa posição”, opina um aliado.

Rose jamais entrou no debate ideológico raso e extremista, o que também pode contar a favor dela, caso se apresente ao eleitorado como uma alternativa de centro moderado. Pode lhe favorecer, ainda, o fato de que será a única mulher concorrendo ao Senado no Espírito Santo – além de Maguinha Malta, caso esta seja mesmo candidata pelo PL.

Por outro lado, em desfavor de Rose, pode contar a idade mais avançada. Para fugir da pecha de “grupo político envelhecido” – numa chapa que já tem ele mesmo e Casagrande com mais de 60 –, Ricardo Ferraço poderá priorizar um segundo candidato a senador mais jovem.

Pesa, ainda, a mobilidade reduzida da ex-senadora, numa campanha penosa e extenuante, inclusive do ponto de vista físico, como é uma campanha ao Senado. Até porque ela vai, literalmente, precisar correr (contra o tempo) e percorrer todo o Espírito Santo.

“A partir de agora, Rose precisa dar a volta ao mundo em menos de 120 dias, tempo que nos separa da eleição. Terá que acelerar numa rotação maior que os que já estão postos. Rose até já fez movimentos, mas até agora de forma muito acanhada, até por por declarações de dirigentes do MDB. Diante disso, ela desacelerou. Agora, precisa restabelecer contato com as bases”, avalia um interlocutor da ex-senadora.

De fato, o presidente estadual do MDB, Euclério Sampaio, chegou a dar à imprensa declarações que desencorajaram as aspirações de Rose.

A questão partidária, aliás, pode ser o maior complicador para as pretensões da ex-senadora. Afinal, Ricardo Ferraço também é do MDB.

“O MDB deixou claro, nas entrelinhas, que tem um projeto maior, ao Governo do Estado, e que para isso precisa acoplar partidos satélites. Então, antes de tudo, para poder mesmo ser candidata, Rose precisa se entender dentro do próprio partido. Precisa romper a fase do MDB. E isso é tarefa dela”, destaca um experiente integrante da frente casaferracista.

Fale com o colunista: vitor.vogas@gruposim.com.br

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