
Dentro do Partido Liberal (PL) no Espírito Santo, quase todas as fontes confirmam: hoje, o nome mais cotado para ser lançado a governador, se o partido realmente decidir lançar um candidato próprio, é o senador Magno Malta, presidente estadual da legenda.
Mas, paralelamente, uma possível “arma secreta” está sendo preparada pelo PL-ES. Usamos essa expressão porque de armas ele entende. Fidelíssimo ao senador Magno Malta, o Cabo Diego Cassotto, da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), passa a ser cotado internamente, por setores do partido, como possível candidato-surpresa a governador (ou a vice do próprio Magno, se este for candidato ao Palácio Anchieta, completando uma chapa puro-sangue).
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Gozando licença-prêmio de 45 dias, até meados de julho, o bolsonarista Cassotto passou a circular intensamente pelo interior do Espírito Santo. O projeto é ousado: percorrer os 78 municípios capixabas em poucas semanas: “78 dias, 78 cidades do Espírito Santo”, repete ele, como meta e slogan. A cada dia, ele publica em sua conta no Instagram um reel com a visita a uma cidade.
Cassotto garante já ter visitado mais de 50, com uma equipe de assessores designada pelo PL para acompanhá-lo e fazer as filmagens e postagens. Tendo começado a série de publicações na semana passada, já postou passagens por Apiacá, Rio Novo do Sul, Iúna, Alegre e Castelo (cinco cidades do sul), além de Boa Esperança (no extremo norte). Nesse ritmo, se seguir postando uma por dia, terminará a série precisamente no fim de agosto, com a campanha oficial em pleno andamento.
Algumas frases ditas por Cassotto nos vídeos ou incluídas na edição dos posts chamam a atenção justamente por indicarem um movimento eleitoral com pretensões estaduais. Ele sempre destaca as potencialidades e problemas identificados em cada município, visando à formulação de um “plano de governo”.
Em diálogo com a coluna, o cabo da PMES admite que tem sido encorajado a disputar o cargo de governador, mas faz questão de ressaltar que a sua prioridade, hoje, assim como a do PL-ES, é o lançamento da candidatura de Magno ao Palácio Anchieta.
“Tenho recebido esse conselho de muitos amigos militantes da direita como uma possibilidade. Mas a nossa prioridade hoje é construir a viabilidade para o nosso próprio senador. Ele é o melhor nome para ser o nosso candidato ao governo, por sua experiência, por seu posicionamento, por suas conexões políticas com as demais lideranças do Brasil. Entre líderes do nosso partido, é unanimidade que o Magno é o melhor nome.”
Com 38 anos, Cassotto até hoje só teve uma experiência nas urnas. Em 2024, também pelo PL, ele foi candidato a vice-prefeito da Serra, na chapa puro-sangue encabeçada pelo então vereador Igor Elson (PL), hoje assessor direto de Magno, no gabinete de representação parlamentar do senador. Eles só tiveram 7,66% dos votos válidos no município, em disputa vencida pelo atual prefeito, Weverson Meireles (PDT).
Desde as últimas eleições municipais, Cassotto caiu nas graças de Magno. No momento, ele faz parte de um núcleo decisório, formado por cinco correligionários de quem o senador e presidente estadual do PL se cercou para fazer as escolhas estratégicas que definirão os rumos do PL nas eleições do Espírito Santo.
Tais decisões precisarão ser tomadas nas próximas semanas. O período de convenções começará no dia 20 de julho (um dia após a final da Copa), estendendo-se até 5 de agosto. Depois, é campanha eleitoral.
“Como amigo e conselheiro, estou bem próximo do Magno. E estou fazendo essa caminhada, conhecendo nossas lideranças, conhecendo a realidade local, porque, havendo essa confirmação do PL nacional e estadual de que teremos candidatura a governador, teremos esse know-how para a composição do nosso plano de governo.”
Segundo Cassotto, ele “defende plenamente” que o PL tenha candidato próprio a governador do Espírito Santo. “Temos quadros para isso! E temos capacidade de montar em nosso estado uma gestão técnica que preserve os valores da direita.”
O militar diz estar à disposição inclusive para ser candidato a vice-governador, se as tratativas do PL evoluírem para essa configuração da chapa. “Havendo uma composição em uma chapa puro-sangue, meu nome está à disposição do partido, assim como outros nomes.”
Dizendo-se “um soldado” (o que ele quase é mesmo, literalmente, já que está uma patente acima), Cassotto também declara que está pronto para “fazer o que for melhor para o Espírito Santo e para toda a direita do Estado”.
“Braço de Magno”
Cassotto afirma que tem atuado como um “braço” de Magno Malta no Estado, “representando o próprio senador”.
“Estamos trabalhando intensamente na formação da chapa de governo, tendo como possível candidato o senador Magno Malta. É claro que existem outras questões que estão em jogo, sobre a própria estratégia do partido, e essa é uma decisão que está nas mãos do senador. Mas, hoje, eu diria que estamos caminhando rumo à viabilidade do próprio senador como candidato ao governo.”
Quanto à outra opção posta na mesa do PL-ES – uma possível aliança com o Republicanos para apoiar Lorenzo Pazolini –, Cassotto, respeitando a hierarquia, reitera que a decisão está toda nas mãos de Magno – o que, indiretamente, reforça a impressão geral de que, no PL do Espírito Santo, a palavra do senador é lei.
“Apesar de nós torcermos para que o senador dispute essa campanha, compreendo que há uma série de arranjos que precisam ser feitos, e essa decisão está nas mãos dele. Somos soldados do partido. E aquilo que for decidido pelo partido, na instância estadual e na nacional, nós vamos seguir.”
De acordo com Cassotto, suas andanças pelo interior também lhe têm servido para comprovar a ideia de que “o Espírito Santo é um estado conservador”.
“Essa caminhada tem mostrado que nossas lideranças do interior também estão animadas com essa possibilidade de candidatura própria a governador. E temos identificado algo muito positivo que já sabíamos: que nosso estado é conservador e é de direita. Isso está nos animando muito!”
Cabe registrar que, em 22 das cidades que ele visitará, Lula teve mais votos que Jair Bolsonaro no 1º turno em 2022.
O perfil de Diego Cassotto
Diego Cassotto na verdade não está filiado ao PL. Por ser militar da ativa (desde 2009), ele só pode se filiar na convenção partidária e ficará vinculado à legenda durante o período oficial de campanha. Se for eleito, segue no partido. Se não, o vínculo é desfeito após a campanha.
Como policial de carreira, ele é servidor efetivo estadual. Assim, em respeito à legislação eleitoral, é obrigado a se licenciar do cargo três meses antes do 1º turno (até 4 de julho, portanto).
Aos 38 anos, o aliado de Magno está designado há seis meses no 7º Batalhão da PMES, em Cariacica. Antes disso, por muitos anos, foi membro do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), participando de operações policiais de resgate e enfrentamento ao crime com uso de helicópteros.
Além de policial, Cassotto é pastor evangélico da Igreja Missão Serra, localizada em Laranjeiras. É uma denominação carismática.
A religião tem forte peso em sua visão política e de mundo. No feed do policial pastor no Instagram, é possível ver, por exemplo, vídeos em que ele procura pregar o Evangelho a usuários, em locais de consumo de drogas. Num desses vídeos, ele ora por uma mulher envolvida com drogas, com a mão sobre a cabeça dela.
Alguns dos posicionamentos e frases de efeito publicadas por ele estão grifadas na página 1 da cartilha do bolsonarismo. O potencial candidato se levanta contra a “invasão de terras”. Defende “direitos humanos para humanos direitos”. Apresenta-se, ainda, como amigo do deputado federal Gilvan da Federal (também do PL), a quem chama de “referência do bolsonarismo e dos valores da direita” no Espírito Santo.
Unanimidade? Nem tanto. Há divergências dentro do PL
Embora apoiada por muitos representantes do PL-ES – sobretudo aqueles mais próximos de Magno Malta –, a ideia de lançar um candidato próprio ao Governo do Estado não é unanimidade no partido.
Segundo um mandatário da sigla dos Bolsonaro, Magno teria inflado a possível candidatura de Cassotto após as negociações do PL com o Republicanos terem emperrado no Espírito Santo.
O senador tem mantido diálogo com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. Mas as tratativas estagnaram – ao menos temporariamente –, pois têm esbarrado num impasse: Pazolini e seu Republicanos têm interesse no apoio do PL já no 1º turno, mas não teriam concordado com a pedida inicial de Magno, considerada alta demais.
A primeira e mais importante condição de Magno para apoiar o ex-prefeito de Vitória é a absorção da candidatura ao Senado da publicitária Maguinha Malta, filha dele, e o apoio declarado de Pazolini a Maguinha. Mas o senador teria pedido ainda mais.
Diante da falta de consenso, Magno teria passado a incentivar a projeção de Cassotto – o que também explicaria esse movimento do policial e pastor nas redes. Não deixa de ser uma forma de pressionar o Republicanos.
Até o período das convenções, o jogo pode virar, e as duas forças de direita podem chegar a um entendimento. Mas fontes do PL não duvidam de que Magno é mesmo capaz de lançar Cassotto ao Governo do Estado pelo partido, para ter um candidato próprio e um palanque para Flávio Bolsonaro, marcando posição nas eleições.
Quanto a eventual candidatura do próprio Magno ao Palácio Anchieta, embora realmente defendida por muitos correligionários, a ideia é vista com cautela e até com ceticismo por outros membros do PL. A “corrente alternativa” acha difícil que ele se lance, até por uma questão de saúde. Nos últimos meses, o senador passou por cirurgias e internações hospitalares.
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