O ex-governador Renato Casagrande (PSB) não participará do evento com a presença do presidente Lula (PT) em Aracruz, na manhã desta quinta-feira (21).
Segundo o ex-governador, ele já tinha outro compromisso marcado, em Brasília: uma reunião na sede da Advocacia-Geral da União (AGU) para tratar de uma pauta de interesse do segmento de rochas ornamentais no Espírito Santo.
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“A visita do Lula coincidiu com uma reunião que terei em Brasília, na AGU, para tratar de temas de interesse do setor de rochas ornamentais. As entidades do setor estarão comigo. Não entrei no detalhe de como seria minha participação, uma vez que não poderei ir”, justificou o ex-governador.
Em sua terceira visita ao Espírito Santo no atual mandato, Lula participará da abertura oficial da 6ª edição do evento Teia Nacional dos Pontos de Cultura – Pontos de Cultura pela Justiça Climática, no Sesc Praia Formosa, em Aracruz. A participação do presidente está prevista para as 11 horas.
Além de fazer anúncios e assinar decretos para o setor cultural, o presidente fará a entrega de 23 veículos (12 micro-ônibus e 11 vans) para secretarias municipais de Saúde de cidades do interior do Espírito Santo.
Os 12 micro-ônibus fazem parte de um programa do Ministério da Saúde chamado “Agora tem especialistas – Caminhos da Saúde”. O objetivo é garantir transporte seguro e acesso a atendimento para cidadãos que moram longe dos locais onde ocorrem as consultas, exames e tratamentos médicos.
Já as 11 vans são do “Programa Especial de Saúde do Rio Doce” (Novo Acordo do Rio Doce), também do Ministério da Saúde.
As outras duas vezes
Nas outras duas vezes em que Lula veio ao Estado no atual governo, Casagrande esteve a seu lado, como governador do Espírito Santo.
A primeira foi em dezembro de 2023, na inauguração do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra, obra feita com recursos federais. O então governador discursou, descerrou a placa inaugural com Lula e posou sorridente com ele para uma bateria de fotos.
A segunda foi em julho de 2025. No Parque de Exposições de Linhares, ao lado de Casagrande, Lula anunciou o início do pagamento de um total de R$ 3,7 bilhões aos atingidos pelo rompimento da barragem de Mariana, com a execução de um programa de transferência direta de renda a pescadores e agricultores.

Contexto eleitoral
Há décadas, Casagrande é, no Espírito Santo, o maior líder do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que é um dos maiores aliados político-eleitorais do PT no cenário nacional. Tanto que a dobradinha com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), na chapa encabeçada por Lula, já foi reeditada para as eleições deste ano.
Casagrande foi vice-governador de Vitor Buaiz (PT) de 1995 a 1998. Sua primeira suplente no Senado foi Ana Rita Esgário, do PT, que assumiu o mandato em seu lugar de 2011 a 2014. Na mesma quadra, no primeiro governo de Casagrande, seu vice-governador foi o então petista Givaldo Vieira (hoje no PSB).
Em sua terceira eleição para o cargo, em 2022, Casagrande contou com o apoio e a presença do PT em sua coligação. Em seu terceiro governo, até abril deste ano, o PT participou da gestão, com lugar no secretariado: o ex-deputado José Carlos Nunes chefiou a Secretaria de Esportes durante todo o mandato de Casagrande.
No começo de abril, Casagrande renunciou ao governo para poder se candidatar ao Senado, sendo sucedido no cargo por seu vice, Ricardo Ferraço (MDB). Com a chegada de Ricardo ao cargo de governador, o PT decidiu entregar todos os cargos que ocupava nos mais altos escalões da administração estadual.
O PT não apoia a reeleição de Ricardo, em outubro. Aliás, tem candidato próprio ao Palácio Anchieta: o deputado federal Helder Salomão. Mas o partido de Lula apoia Casagrande para senador.
A direção nacional e o presidente estadual do PT, João Coser, já declararam que o partido defende em primeiro lugar, naturalmente, a reeleição do senador Fabiano Contarato. Mas cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado. O segundo voto do PT, segundo dirigentes do partido, é de Renato Casagrande.
Em contrapartida, dirigentes petistas esperam que, desta vez, Casagrande peça votos para Lula e entre de verdade na campanha do presidente à reeleição. Tal postura é defendida por importantes líderes locais do PT, como Coser, Helder e Contarato. O senador petista, por exemplo, cobra “gratidão” e “reciprocidade” do ex-governador, já que, em 2022, ele próprio teve a pré-candidatura a governador retirada pela direção nacional do PT em favor de Casagrande.
O ex-governador ainda não se posicionou firmemente em relação à disputa presidencial.
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