Desde semana passada, vínhamos informando aqui: com a decisão de Josias da Vitória (PP) de não ser candidato a senador, só havia, na frente governista, dois aliados que poderiam se juntar a Renato Casagrande (PSB) e ocupar o posto de segundo candidato da chapa liderada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB). A primeira seria a ex-senadora Rose de Freitas (MDB); o segundo seria o deputado Gilson Daniel (Podemos).
A pré-candidatura de Rose era um fato objetivo. Ela sempre se declarou pré-candidata ao Senado; a de Gilson era só uma hipótese. Ele nunca se declarou assim. Mas, com a retirada de Da Vitória, o deputado do Podemos passou a ser especulado e até estimulado por aliados a preencher essa vácuo na chapa.
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Agora, só há uma alternativa: Rose é a única que resta de pé. Em entrevista exclusiva à coluna (leia abaixo), Gilson Daniel declara categoricamente que não será candidato a senador, pois em momento algum se preparou para isso. Mantém e manterá o plano de renovar o mandato na Câmara.
Indo além, o presidente estadual do Podemos declara apoio a Rose, de quem se diz muito amigo, para ser a segunda candidata ao Senado na chapa de Ricardo Ferraço e Casagrande.
A decisão anunciada por Gilson consolida o nome da ex-senadora nessa disputa dentro da frente casaferracista. Correndo por fora desde o início, Rose foi a única aliada de Casagrande e Ricardo que não arredou o pé de concorrer ao Senado. Agora, ela se estabelece como a favorita para jogar nessa posição.
A dois meses do início do período oficial de campanha, podemos dizer que Rose tem tudo para ser de fato candidata ao Senado novamente, seja por resiliência pessoal, seja por absoluta falta de concorrência a esta altura.
Na entrevista exclusiva a seguir, Gilson também informa que o Podemos quer emplacar o candidato a vice-governador de Ricardo (posição também desejada pela Federação União Progressista). Para o posto, o presidente estadual do Podemos declina quadros como Serginho Vidigal, Coronel Douglas Caus, Philipe Lemos, Renzo Mendes e um nome que ainda não havia aparecido: o deputado estadual Fabrício Gandini.
Parlamentar de Vitória, Gandini se filiou ao Podemos no começo deste ano. Pelo Cidadania (então PPS), foi candidato a vice-governador de Casagrande em 2014, na eleição vencida por Paulo Hartung.
Eis a entrevista de Gilson!
O senhor está avaliando a possibilidade de colocar à disposição o seu nome para disputar o Senado nessa segunda vaga da coligação liderada por Ricardo Ferraço?
Eu até me sinto honrado de meu nome ter sido lembrado para uma posição tão relevante de uma candidatura majoritária. Porém, durante todo esse tempo, esses três anos e meio de mandato, eu construí uma candidatura a deputado federal. Minha posição foi toda no movimento de uma candidatura à reeleição de deputado federal. E essa posição foi feita com meus parceiros da política, meus amigos, pessoas que são aliadas dos municípios, principalmente os prefeitos, vereadores, lideranças políticas. Então, é nessa posição que eu fiz todo o movimento até agora e é nessa posição que eu continuarei. Vou disputar a reeleição de deputado federal. Apesar de ter muitos rumores com relação a essa possibilidade de disputa de uma candidatura majoritária, eu não construí para isso. O meu tempo é de ajudar o Ricardo no seu movimento de reeleição, mas me manter no meu movimento, movimento de candidatura à reeleição de deputado federal.
Sua decisão é final?
Na verdade, eu não dialoguei com relação a essa alternativa. Foi mais questão da mídia do que uma discussão de mudança de posição. Já estou com a minha decisão tomada desde que comecei esse movimento de pré-candidatura a deputado federal. Eu tive meus três primeiros anos de muita intensidade de trabalho de entrega aos municípios e, a partir do quarto ano, eu comecei a fazer meu movimento já para a reeleição. Mesmo quando o ex-governador Casagrande inseriu meu nome como um dos possíveis candidatos ao Governo do Estado, eu de pronto fiz um movimento de declaração de apoio a Ricardo Ferraço, tirando meu nome de uma possibilidade de disputa majoritária e mantendo meu movimento para a reeleição na Câmara.
Nesse caso, deputado, o senhor está apoiando a pré-candidatura da ex-senadora Rose de Freitas?
A Rose é muito próxima a mim. Foi a grande parceira que eu tive no meu mandato de prefeito. Eu tenho uma relação de muita amizade com a senadora Rose. Então, eu estou nesse movimento. Nesse movimento que vai definir as candidaturas que estão com o Ricardo Ferraço.
Estou lhe perguntando isso porque, com a decisão tomada e anunciada pelo deputado Da Vitória na semana passada e agora com essa sua resposta, confirmando que é e será candidato à reeleição na Câmara, só resta de pé a ex-senadora Rose para o preenchimento dessa segunda posição na coligação de Ricardo Ferraço e Casagrande. O senhor concorda com essa avaliação?
Eu acho que sim. Estou concordando com você. A Rose é uma excelente candidata. Ela está pontuando muito bem nas pesquisas. E tem chances reais de eleição…
Tem o seu apoio?
O meu movimento será com ela. E ela vai estar no movimento do Ricardo.
O senhor disse que nada mudou quanto à sua decisão. Mas, como surgiram essas especulações, inclusive internamente no grupo, o senhor chegou a conversar nesses últimos dia com Ricardo Ferraço e Casagrande para reiterar sua posição?
Eu conversei muito com o meu prefeito de Viana, Wanderson Bueno, que tem me ajudado muito nesses movimentos, e ele tem conversado um pouco sobre isso. Estive com Ricardo duas vezes na semana passado, mas não avançamos nesse movimento, até porque todos já sabem que eu não mudei nem um milímetro daquilo que tenho projetado desde o início do ano como pré-candidatura. Só teve mesmo especulação e conversa de bastidor, mas comigo mesmo não tem trato disso não, entendeu?
E nem terá, né?
E nem terá.
E o Podemos, nesse caso, pleiteia o quê em termos de eleição majoritária? Qual posição vocês estão reivindicando na chapa de Ricardo?
Eu vou oferecer nomes aí pra candidatura de vice. O Podemos tem bons nomes pra vice-governador.
Quais?
Eu tenho o Coronel Caus, eu tenho o Philipe Lemos, eu tenho o Gandini, eu tenho o vereador de Vila Velha, Renzo Mendes, que é um menino novo, eu tenho o Serginho Vidigal… A gente tem bons nomes no Podemos. O Podemos é o partido que mais tem nome a oferecer para a vice. Sem impor nada, porque temos uma relação de muita franqueza, honestidade e parceria com o Ricardo Ferraço.
Mas, se Serginho for deslocado para a vice, não desfalca a sua chapa para a Câmara?
Se ele desfalcar, a gente continua fazendo um, né? Continua fazendo pelo menos um. Com ele, a gente faz dois. E a gente pode até fazer um terceiro, dependendo da votação dele e da minha. Acho que a chapa do Podemos está muito bem montada.
Fale com o colunista: vitor.vogas@gruposim.com.br