“Vai ser uma megaprodução
como este país nunca viu!
Um filme arrasa-quarteirão
que vai emocionar o Brasil!
Terá aquele astro da ‘Paixão’!
Será um ‘Titanic’, um ‘Avatar’!
Nós vamos causar comoção,
milhões de corações arrebatar!
Mas, para fazer isso, mermão
dinheiro alto temos que gastar…”
Eis que Flávio, senhoras e senhores,
para poder rodar o “negro cavalo”,
foi atrás de generosos doadores,
sendo um especial, e foi buscá-lo.
De Vorcaro, veio o master patrocínio:
mais de sessenta milhões de reais,
transferidos em segredo, sem escrutínio,
e ainda com a promessa de bem mais.
Mas, antes de mais nada, neste enredo,
é preciso sublinhar quem é Vorcaro.
Com o filme bem queimado, está preso
por fraude épica num fundo bancário.
Não um amante das artes, um mecenas,
“apenas” acusado de um golpe
de mestre, de um rombo de cinema,
pagou, do “Dark Horse”, o galope.
Em diálogos, revelou o Intercept,
em poder da Polícia Federal,
Vorcaro com Flávio se compromete
a bancar o orçamento colossal.
Os dois revelam grande intimidade,
marcam café, chamada e jantar,
até que Flávio toma a liberdade
de cobrar os repasses e apertar:
“Estou e sempre estarei contigo”,
escreveu o Flávio pro Vorcaro.
E seguiu com intimidade de amigo,
preocupado com um “efeito contrário”:
“Precisamos saber o que fazemos.
Imagina calote num Jim, num Cyrus!
O efeito será elevado a menos
um! Em vez de plus, teremos minus…
No dia seguinte Vorcaro foi preso;
no outro dia, o Master, liquidado.
Agora vem à tona o segredo
inicialmente por Flávio negado:
“É mentira! De onde tirou isso?”
À noite, ele mudou a versão:
admitiu ter feito os pedidos
para poder custear a produção.
Mas a história segue mal contada.
Esse dinheiro, como foi usado?
As quantias foram repassadas
para o fundo de Calixto, advogado
ligado a Eduardo Bolsonaro,
nos Estados Unidos radicado,
enquanto a produtora, de Vorcaro,
diz não ter recebido um centavo.
Depois o Flávio disse que não disse
porque o contrato é confidencial.
Enfim, é longa a trama deste filme
que já virou thriller policial.
Agora veio à tona o segredo,
mas o Flávio garante uma vez mais:
em setembro, o cavalo preto
estará no seu cinema, em cartaz.
Obs: O “Cordel Político” é uma seção tradicional da Coluna Vitor Vogas, em que o colunista procura trazer notícias e análises em versos, com leveza e senso de humor. É tudo estritamente baseado em fatos reais, do noticiário capixaba e brasileiro. Porém, por respeito à rima e à métrica, o colunista ocasionalmente toma algumas licenças poéticas para não reproduzir ipsis litteris declarações realmente dadas pelos personagens políticos abordados.