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Magno Malta: “Vorcaro é símbolo de coisa suja, mas foi só patrocínio”

Segundo senador e presidente estadual do PL-ES, Daniel Vorcaro é “a própria lama” e nome do banqueiro “fede”, mas pagamentos milionários dele para bancar filme sobre Bolsonaro foi “republicano”. Magno clamou por abertura da CPMI do Banco Master no Congresso

Escrito por Vitor Vogas

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Gozando uma licença do Senado para tratamento médico, o senador Magno Malta, presidente do PL no Espírito Santo, afirmou que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é “símbolo de coisa suja” e que é “a própria lama”. Disse ainda que o nome do banqueiro “fede”. Opinou, porém, que os pagamentos milionários do banqueiro para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro, a pedido de Flávio Bolsonaro, foram “republicanos”.

“Todos fomos pegos de surpresa [com] esse áudio do Vorcaro. E esse Vorcaro é símbolo de coisa suja. Mas ele [Flávio] está falando de um patrocínio de filme, de um contrato de filme, de patrocinar filme. Até aí, é tudo republicano”, disse Magno, em vídeo postado por ele nas redes sociais na noite desta quarta-feira (13).

Em outro ponto, referindo-se a Vorcaro, o presidente estadual do PL afirmou que “o nome desse cara é a própria lama, é a própria sujeira”.

Segundo Magno, ele continua orando por Flávio e confiando no pré-candidato do PL à Presidência da República, que teria tido a “infelicidade” de bater à porta errada de um banqueiro com nome fedorento.

“Continuo orando pelo Flávio, continuo junto com ele, não vou arredar o meu pé, porque, até agora, não tem nada que justifique… a não ser o nome Vorcaro, porque isso fede. Esse nome fede! E o Flávio diz que procurou o patrocínio de outros empresários. Pode ter batido na porta de tantos outros empresários. Mas teve a infelicidade de bater na porta desse. E que ele não tem qualquer outro tipo de envolvimento com esse indivíduo.”

De acordo com reportagem do site The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Vorcaro um patrocínio milionário para bancar a produção da cinebiografia sobre o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (também do PL).

Segundo a reportagem do Intercept, Flávio combinou com o banqueiro, preso desde novembro de 2025, o repasse da quantia total de US$ 24 milhões para financiar a produção do filme “Dark Horse” – o equivalente a R$ 134 milhões, pelo câmbio da época.

Ainda de acordo com a publicação, pelo menos US$ 10,6 milhões foram de fato repassados por Vorcaro, entre fevereiro e maio de 2025 – o equivalente a R$ 61 milhões.

A reportagem do Intercept apresenta uma série de diálogos mantidos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, por aplicativo de troca de mensagens. Nos diálogos, revelando proximidade, os dois marcam encontros, telefonemas, cafés e um jantar na casa de Vorcaro.

Ao longo de 2025, Flávio e Vorcaro discutiram a produção e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador e primogênito de Jair procurou o banqueiro em busca de patrocínio para o longa. Vorcaro topou financiar o projeto. Em alguns dos diálogos, Flávio cobra o dono do Master pelo atraso em repasses pactuados.

O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que foi secretário de Cultura no governo Bolsonaro, teriam atuado como intermediários da operação.

Parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, de acordo com a reportagem do Intercept.

Em alguns dos diálogos, Flávio cobra o dono do Master pelo atraso em repasses pactuados. Num deles, ocorrido em 16 de novembro de 2025, o filho 01 de Bolsonaro diz a Vorcaro:

Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

No dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero, por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Ele foi preso enquanto tentava fugir do país. Um dia depois, 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

A resposta de Flávio

No início da noite desta quarta-feira (13), em postagem nas redes sociais, o próprio Flávio admitiu ter buscado o financiamento para o filme e confirmou a realização de repasses de Vorcaro para esse fim, como publicado pela reportagem do Intercept.

O senador, porém, disse que tudo não passou de um filho buscando patrocínio privado para um filme produzido com recursos privados, sem uso de dinheiro público. Ele ainda defendeu a instauração da CPMI do Banco Master no Congresso Nacional. “Toda essa história que está sendo veiculada agora nada mais é que um filho procurando investidores privados pra fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rouanet”.

No entanto, num primeiro momento, Flávio negou as informações. Segundo o Intercept, ao ser questionado pela reportagem do site sobre o tema na manhã desta quarta-feira (13), na saída do Supremo Tribunal Federal (STF), ele respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”.

“Em seguida”, publicou o Intercept, “[o senador] deu uma gargalhada e se retirou de onde concedida a entrevista à imprensa”. Essa primeira reação se deu antes da publicação da reportagem, à tarde.

Magno cobra de Alcolumbre abertura da CPMI do Master

Voltando a Magno, em sua postagem, feita logo após a de Flávio na noite desta quarta, ele seguiu a deixa do senador do Rio de Janeiro e também pediu a instauração da CPMI do Banco Master. Aliás, pediu não; clamou ao senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado e do Congresso, pela criação do colegiado.

“Na nota do Flávio, ele afirma categoricamente que é a hora e que quer a CPMI do Banco Master. E é a hora, Davi! Davi, faça isso pelas crianças. Faça isso pelas minhas netas. Faça isso pelos seus filhos. Faça pelas filhas do Flávio. Abra a CPMI do Banco Master. Aí, sim, nós veremos quem é quem. Nós veremos quem são os ladrões, quem fez negócio sujo”, completou o senador do Espírito Santo, citando “histórias cabulosas” envolvendo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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