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“Falso moralismo”: a nota do PT-ES sobre o patrocínio de Vorcaro a filme dos Bolsonaro

Direção estadual do partido de Lula se manifesta sobre a notícia de que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o dono do Banco Master um patrocínio de R$ 134 milhões para bancar a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. R$ 61 milhões foram pagos. Flávio admitiu negociação

Escrito por Vitor Vogas

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Brasília (DF) 19/11/2024 Senador, Flávio Bolsonaro, na comissão de segurança do Senado. Senador falou que pensar em Matar não é crime" Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Com expressões como “falso moralismo” e “relações perigosas”, o Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT-ES) divulgou uma nota sobre as informações publicadas em reportagem do site The Intercept Brasil na tarde desta quarta-feira (13).

“O PT-ES defende que todas as informações divulgadas sejam apuradas com rigor pelas instituições competentes, sem privilégios, sem blindagens políticas e com total transparência. O Brasil precisa saber a verdade sobre as relações entre a família Bolsonaro, o Banco Master e o financiamento milionário de um filme usado para promover politicamente o ex-presidente.”

No Espírito Santo, o PT é presidido pelo deputado estadual João Coser, ex-prefeito de Vitória.

De acordo com a reportagem do Intercept, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, negociou diretamente com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, patrocínio milionário para bancar a produção da cinebiografia sobre o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (também do PL).

Segundo a reportagem do Intercept, Flávio combinou com o banqueiro, preso desde novembro de 2025, o repasse da quantia total de US$ 24 milhões para financiar a produção do filme “Dark Horse” – o equivalente a R$ 134 milhões, pelo câmbio da época. Ainda de acordo com a publicação, pelo menos US$ 10,6 milhões foram de fato repassados por Vorcaro, entre fevereiro e maio de 2025 – o equivalente a R$ 61 milhões.

Daniel Vorcaro está preso desde o dia 17 de novembro de 2025. O banqueiro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.

No início da noite desta quarta-feira, em postagem nas redes sociais, o próprio Flávio admitiu ter buscado o financiamento de Vorcaro para o filme e confirmou a realização de repasses do banqueiro para esse fim, como publicado pela reportagem do Intercept.

O senador, porém, disse que tudo não passou de um filho buscando patrocínio privado para um filme produzido com recursos privados, sem uso de dinheiro público. Ele ainda defendeu a instauração da CPI do Banco Master no Congresso. “Toda essa história que está sendo veiculada agora nada mais é que um filho procurando investidores privados pra fazer um filme privado sobre a história do seu próprio pai. Zero de dinheiro público, zero de Lei Rounaet”.

No entanto, num primeiro momento, Flávio negou as informações. Segundo o Intercept, ao ser questionado pela reportagem do site sobre o tema na manhã desta quarta-feira (13), na saída do Supremo Tribunal Federal (STF), ele respondeu: “De onde você tirou essa informação? É mentira”. “Em seguida”, publicou o Intercept, “[o senador] deu uma gargalhada e se retirou de onde concedida a entrevista à imprensa”. Essa primeira reação se deu antes da publicação da reportagem, à tarde.

A nota do PT-ES na íntegra

O Partido dos Trabalhadores do Espírito Santo considera extremamente graves as informações divulgadas pela imprensa nacional envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a destinação de recursos milionários para a produção do filme “Dark Horse”, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

As revelações apontam para relações perigosas entre integrantes da família Bolsonaro e um personagem que já está no centro de uma investigação de enorme gravidade, envolvendo suspeitas de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e até a atuação de uma suposta estrutura privada de intimidação contra opositores.

O caso reforça, mais uma vez, o histórico de escândalos, suspeitas e conexões obscuras que cerca o bolsonarismo. É inaceitável que um grupo político que construiu sua imagem pública em cima de um falso moralismo apareça, repetidamente, associado a episódios dessa natureza.

O PT-ES defende que todas as informações divulgadas sejam apuradas com rigor pelas instituições competentes, sem privilégios, sem blindagens políticas e com total transparência. O Brasil precisa saber a verdade sobre as relações entre a família Bolsonaro, o Banco Master e o financiamento milionário de um filme usado para promover politicamente o ex-presidente.

O Partido dos Trabalhadores reafirma sua confiança nas instituições democráticas e cobra respostas claras à sociedade brasileira.

Diretório Estadual PT-ES

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