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Reforma do governo: o que primeiras nomeações de Ricardo nos indicam

Ele não é Carlo Ancelotti, mas também tem sobrenome italiano e também está fazendo sua convocação. Saiba aqui o que já podemos concluir das primeiras nomeações de Ricardo Ferraço e o padrão que ele deverá seguir na formação do próprio secretariado

Escrito por Vitor Vogas

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Governador em exercício Ricardo Ferraço fez as entregas/Governo do ES

Ele não é Carlo Ancelotti, mas também tem sobrenome italiano (possível corruptela de Ferrazzo) e também está fazendo sua convocação. Prestes a assumir o cargo de governador do Espírito Santo, na próxima quinta-feira (2), o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) está montando, com Renato Casagrande (PSB), a sua própria equipe de governo. Até o dia 2, quase metade do atual secretariado precisará ser substituída.

O cargo de secretário de Estado é de livre provimento e considerado de natureza “política”. O preenchimento fica inteiramente a critério do governador do Estado. Assim que se tornar governador de direito, Ricardo poderá nomear, basicamente, quem ele quiser para comandar cada secretaria. Se assim quisesse, poderia trocar todo mundo.

Mas, além das mudanças discricionárias que poderá fazer, Ricardo é obrigado, de saída, a trocar uma dúzia de secretários de Casagrande. Esse é o número (sem precedentes) de secretários de Estado que precisam sair agora, junto com Casagrande, para disputar as eleições do segundo semestre.

Seis dos atuais secretários vão disputar o cargo de deputado estadual; outros seis, o de deputado federal. Isso sem contar o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) e os chefes de autarquias e órgãos públicos estaduais como o DER-ES.

Desse rol de mudanças imperiosas, Ricardo definiu e anunciou três até essa sexta-feira (27). E, nessa primeira leva, já se percebe um nítido padrão: continuidade e aproveitamento de quadros técnicos que já trabalhavam na mesma pasta, em algum cargo do segundo escalão. Quem era subsecretário tem grandes chances de ser promovido a secretário.

Foi o que se observou tanto na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) como na de Agricultura (Seag) e também, de certo modo, na Polícia Militar do Espírito Santo (PMES). Nos três casos, o segundo na hierarquia de comando ascenderá ao primeiro posto.

Esse deverá ser o critério seguido por Ricardo na grande maioria das trocas – exceção feita a secretarias envolvidas nas negociações de “cotas” dos partidos aliados.

Na Sesa, o deputado estadual Tyago Hoffmann (PSB), secretário de Saúde desde janeiro de 2025, voltará para a Assembleia Legislativa e será candidato a deputado federal. Em seu lugar, na sexta-feira (27), Ricardo anunciou o enfermeiro Gleikson Barbosa dos Santos, mais conhecido como Kim Barbosa.

Apresentado como “gestor com experiência no Sistema Único de Saúde (SUS)”, o primeiro enfermeiro a comandar a Sesa em todos os tempos já estava na cúpula da secretaria, como subsecretário estadual de Regulação do Acesso em Saúde.

É um quadro eminentemente técnico. Já atuou como secretário municipal de Saúde de Nova Venécia (2013–2016), subsecretário municipal de Saúde em Conceição da Barra e superintendente regional de Saúde da Região Norte do Estado.

Já na Seag, para o lugar de Enio Bergoli – que também disputará um assento na Câmara –, Ferraço escolheu o subsecretário estadual para Assuntos Administrativos da mesma pasta, Carlos Luiz Tesch Xavier.

Servidor de carreira do Estado, ele é engenheiro e auditor fiscal concursado desde 1995. Já foi subsecretário na Sesa e já passou por outras secretarias, como a de Controle e Transparência (Secont).

Nas postagens de Ricardo para apresentar os novos secretários, palavras como “continuidade” e “sequência”. “A indicação ocorre para dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Tyago Hoffmann”, escreveu ele sobre Kim Barbosa.

“Tesch também dará sequência ao trabalho de Enio Bergoli, que deixa a função também para disputar as eleições”, publicou o futuro governador, sobre o futuro secretário de Agricultura.

Quanto ao novo comandante-geral da PMES, anunciado na quinta-feira (26), para o lugar do Coronel Douglas Caus, Ricardo escolheu o Coronel Ríodo Lopes Rubim.

Caus é outro que se despede para ser candidato. Deve disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa, pelo Podemos. Ríodo, por sua vez, é, na terminologia militar, o atual 02 na hierarquia da corporação.

Assim, a mudança foi a mais “natural” possível: o subcomandante-geral ascenderá à posição de comandante-geral; o 02 se tornará o 01, numa transição bem suave.

Possíveis exceções

Exceções poderão ser secretarias envolvidas nas negociações de “cotas” dos partidos aliados.

O PT, por exemplo, apoiou desde o início o atual governo de Casagrande, ocupando a chefia da Secretaria de Estado de Esportes (Sesport). Mas o partido já decidiu não seguir no Governo do Estado, sob Ricardo.

Em contrapartida, partidos como o Podemos e a Federação União Progressista, por sua importância na aliança eleitoral de Ricardo, poderão pleitear e ganhar mais espaço no secretariado do novo governador.

Duas conclusões

1) Com Ricardo Ferraço, o novo secretário estadual, por evidente, ficará mais técnico e menos político. Afinal, de uma só vez, estão saindo pelo menos uma dúzia de secretários que têm pretensões eleitorais para dar lugar a uma dúzia de secretários que não as têm.

2) Esse primeiro mandato de Ricardo (que poderá ou não ser renovado pelo eleitorado capixaba, em outubro) é muito curto. É quase um “mandato tampão” de nove meses, até dezembro deste ano. Em agosto, já começará a campanha eleitoral. Ricardo tem pouquíssimo tempo para “mostrar serviço” à frente do próprio governo, sem responder a Casagrande.

Portanto, não tem o menor tempo a perder e não poderia se dar ao luxo de escalar uma nova equipe “estranha”, não familiarizada com os processos e projetos em andamento em cada uma das pastas, um time que precisasse de tempo para se adaptar e tomar pé da situação. Não. Ele precisa mesmo de um time que já tenha condições de entrar jogando desde o dia 1 do seu governo.

Por esse ângulo, nada mais natural que a priorização de subsecretários/as que já estejam diretamente envolvidos/as nas dinâmicas de cada área de governo.

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