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Vitor Vogas

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O Cordel de Meneguel (aliás, de Meneguelli)

O plano só foi adiado / Agora, em vinte e seis, / O sonho outrora frustrado / Voltou com tudo outra vez: / Disputar pra senador / É o que quer, sim, senhor! / E desta vez não abre mão / Já até se vacinou / E no PSD assinou / Sua nova filiação

Escrito por Vitor Vogas

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Meu senhor e minha senhora,
Entrem por nosso portal,
Porque eu lhes conto agora
Uma saga eleitoral
Marcada por muita emoção
Requintes de traição
Que ele sentiu na pele
Ele, o tal “maior prefeito”
Digamos seu nome direito:
É Serginho Meneguelli

Nascido em Colatina
Na humildade, sem berço,
O trabalho foi sua sina
Desde o difícil começo
Moacyr Dalla, seu “padrinho”,
Lhe deu, ainda menino,
Emprego no seu cartório
Limpando o chão, o banheiro
Servindo de faxineiro
Ao político notório

E, pouco mais que um moleque,
Nasceu a improvável amizade
Com a maravilhosa Elke
Então uma celebridade
Jurada de Silvio e Chacrinha,
Das perucas, a rainha
Pra ele, maior que Madona
O Serginho, em pouco tempo,
Viu-se produzindo eventos
Como a Festa do Cafona

Mas também pra coisa séria
Dirigiu sua atenção
Pra políticas matérias
Encontrou uma vocação
Atuando no plenário
Empilhou mandatos vários
Até se tornou presidente
Da local Casa de Leis
Chamando a atenção de vez
Pelo estilo diferente

Em dois mil e dezesseis
Lançou-se a maior altura
Digo, franco, a vocês:
Muitos acharam loucura
Começou como azarão
Mas venceu a eleição
E chegou à prefeitura!
Para um único mandato
Eis o seu grande salto
Ganhou enorme estatura

O mandato propriamente?
Nada espetacular
Mas, de modo surpreendente,
Converteu-se em popstar
Pelas redes sociais
Seus vídeos viraram virais
Um prefeito “como a gente”
Pinta os bancos de praça
Jardina canteiro de graça
De bike vai pro batente

Com tanta repercussão
Os caciques partidários
Entraram em competição
Recebeu convites vários
Até que há uns seis anos
Entrou no Republicanos
Partido conservador
(Do Crivella e não é segredo:
Também do Edir Macedo)
Entrou para ser senador!

Tudo ia bem nos trilhos
Até que nos deu entrevista
Que da crise foi gatilho
Tumulto a perder de vista
“Conservador, não sou nada
E essa coisa de bancada
Da Bíblia lá no Congresso
Nem sequer tinha que haver…”
Crivella no Rio, a seu ver,
Não fez o menor sucesso

“Igrejas demais no país.
Isso divide os cristãos!”
Pros gays, direitos civis?
“Mas é claro, por que não?”
Ele abriu sua opinião
E até tem muita razão
O problema é que as bandeiras
Do partido são inversas
Não gostou dessa conversa
O pastor Marcos Pereira

O presidente da sigla
Pôs nos planos uma trava
Começou um “pare e siga”
Vai, não vai? Ninguém cravava
Até que Pereira afiança
Novo “voto de confiança”
Serginho: “Agora eu sigo!”
Mas havia algo na espreita
O que o abateu, desta feita,
Foi o temível fogo amigo

Cavalo de pau, pirueta:
Deputado Erick Musso
Disputaria o Anchieta
Mas alterou o percurso
Serginho, de mãos atadas,
Ouviu a pedra cantada:
“Escuta, para o Senado
Nosso candidato é Erick
Porém, não se desespere,
Você pode ser deputado!”

“É isso”, pensou, “o que resta”.
E digo a vocês, minha plateia:
Nas urnas, fez ele a festa
Na disputa à Assembleia
Deputado mais votado
Da história deste estado!
O mandato, propriamente,
Foi sem destaques nem danos
Passou por lá quatro anos
Bastante discretamente

Mas o plano só foi adiado:
Agora, em vinte e seis,
O sonho outrora frustrado
Voltou com tudo outra vez:
Disputar pra senador
É o que quer, sim, senhor!
E desta vez não abre mão
Já até se vacinou
E no PSD assinou
Sua nova filiação

Pra isso, vejam vocês!
Foi com Renzo até Kassab
Na fé de que, desta vez,
Tudo bem pra ele acabe
Só precisa abrir o olho
E pôr as barbas de molho
Não pode marcar bobeira
E tem de ficar esperto
Pra escapar do risco certo
De levar nova rasteira

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