A combinação entre duas grandes estruturas de reservação de água deve praticamente eliminar o risco de desabastecimento na Grande Vitória. A avaliação é do diretor-geral da Agerh, Fábio Ahnert, que atribui esse cenário à operação da Barragem de Rio Bonito e à conclusão da Barragem dos Imigrantes, em construção na bacia do Rio Jucu.
Segundo Ahnert, a segurança hídrica da região metropolitana mudou de patamar com as medidas adotadas pelo Estado para ampliar a capacidade de armazenamento e gestão dos recursos hídricos.
“A gente praticamente consegue zerar o risco de desabastecimento na Grande Vitória. Estou falando de uma perspectiva de engenharia. Poderia acontecer apenas em uma situação extremamente excepcional, com um período prolongado sem chuvas. Mesmo assim, essas duas estruturas conseguiriam manter o abastecimento da população por pelo menos três meses”, afirmou.
Hoje, aproximadamente metade da população capixaba é abastecida pelos rios Jucu e Santa Maria da Vitória, considerados rios de pequeno porte. Para reforçar esse sistema, a Barragem de Rio Bonito, antes utilizada apenas para geração de energia, passou a reservar um volume mínimo de água para o abastecimento humano por determinação da Agerh. Já a Barragem dos Imigrantes, construída pela Cesan, ampliará a capacidade de reservação para a Grande Vitória.
Monitoramento em tempo real

Além das obras, Ahnert afirma que o Estado ampliou o monitoramento hidrológico para acompanhar os efeitos das mudanças climáticas.
Segundo o diretor-geral da Agerh, o Espírito Santo conta atualmente com 28 estações automáticas de medição de vazão dos rios. Os equipamentos transmitem informações em tempo real por telemetria e permitem acompanhar o comportamento dos cursos d'água, identificar tendências de redução da vazão e antecipar situações críticas.
Esses dados são integrados às redes da Defesa Civil, do Incaper, da Agência Nacional de Águas e das hidrelétricas instaladas no Estado. “São essas informações que nos dão condição de desenvolver sistemas de alerta e preparar os municípios e os sistemas de abastecimento para períodos de seca mais intensa ou outros eventos extremos”, explicou.
Norte continua em alerta
Enquanto a Grande Vitória ganha maior segurança hídrica, o diretor da Agerh afirma que os municípios do Norte do Estado continuam sendo os mais vulneráveis durante períodos de estiagem.
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O diretor-presidente da Agerh cita Ecoporanga, São Roque do Canaã e São Mateus entre as cidades que historicamente enfrentam dificuldades relacionadas à redução da vazão dos rios.
No caso de São Mateus, a preocupação também envolve o avanço da água do mar sobre o rio. “O Rio São Mateus vem perdendo vazão ao longo do tempo. Com menos água doce, aumenta a intrusão salina, o que traz impactos para a quantidade e também para a qualidade da água disponível para abastecimento”, disse.
Água no centro do debate
As mudanças climáticas e os desafios para ampliar a segurança hídrica estarão entre os temas debatidos no Encontro das Águas, promovido pelo Grupo Sim, na terça-feira (30), a partir das 13h30, no Sesc São Mateus.
Fábio Ahnert participará dos painéis técnicos, que também discutirão monitoramento, adaptação climática, uso racional da água e soluções para fortalecer a gestão dos recursos hídricos no Espírito Santo.
Encontro das Águas
Data: 30 de junho de 2026
Horário: 13h30
Local: Sesc São Mateus
Tema: O Espírito Santo que corre pelos rios.
Inscrições: no link





