Os pneus que passam diariamente por ruas, pontes e rodovias podem ganhar um novo destino depois do desgaste. Em Taiwan, parte desse material deixa de virar lixo e passa a integrar a composição do asfalto usado nas cidades. A solução sustentável aparece no quarto e último episódio da série “Minha Cidade, Meu Futuro: Cidades Inteligentes”, exibido nesta terça-feira (2).
A tecnologia apresentada transforma pneus descartados em matéria-prima para pavimentação, alternativa criada para reduzir impactos ambientais e reaproveitar resíduos produzidos em larga escala pelo transporte urbano.
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A proposta chamou atenção de representantes internacionais presentes em Taiwan, entre eles a vice-prefeita de Newark, nos Estados Unidos, Lígia de Freitas.
“Eu penso que, seja qual for o custo, poder aproveitar ele ao invés de comprar o asfalto vai valer a pena com certeza e vai ser um exemplo”, afirma.
Segundo Lígia, embora os avanços tecnológicos tenham provocado mudanças importantes nos sistemas de energia, o descarte de pneus continua sendo um desafio enfrentado por diferentes países.
O lixo que ainda vira desperdício
A discussão sobre reaproveitamento de resíduos aproxima rapidamente Taiwan da realidade brasileira. O episódio destaca que cada brasileiro produz cerca de 380 quilos de lixo por ano. No Espírito Santo, a média diária é de aproximadamente um quilo de resíduos por pessoa.
O gerente de Relacionamento Institucional do CREA-ES, Giuliano Battisti, afirma que boa parte desse material ainda deixa de ser aproveitada economicamente.
“Nós estamos desperdiçando muita riqueza dos resíduos sólidos. Precisamos ter mais investimentos em pesquisa sobre resíduos. Então é interessante que existam essas tecnologias”, afirma.
O episódio também relaciona sustentabilidade e economia global ao destacar o papel estratégico do Espírito Santo no escoamento de minério de ferro para a China e Taiwan, mercados diretamente ligados à indústria mundial de tecnologia.
Taiwan concentra parte da fabricação de componentes eletrônicos utilizados em equipamentos consumidos no mundo inteiro, enquanto o Espírito Santo ocupa posição importante na logística de exportação mineral brasileira.
Tecnologia, educação e oportunidades
A série também acompanha brasileiros que buscaram oportunidades em Taiwan diante do crescimento da indústria tecnológica asiática.
O brasileiro João Nogueira, que atua em uma empresa ligada à fabricação de aparelhos eletrônicos, fala sobre as mudanças provocadas pela expansão do setor tecnológico e o interesse crescente de jovens brasileiros pelo ensino no país asiático.
No Espírito Santo, a tecnologia também começa a ocupar espaço nas escolas públicas. O episódio mostra laboratórios modernos instalados em unidades municipais para estudantes do oitavo e nono ano.
Segundo o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Jales Cardoso Jr, já são 40 laboratórios voltados à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.
O diretor de Negócios do BANDES, Marcos Navarro, também participa da discussão sobre investimentos em inovação e sustentabilidade.
Construções sustentáveis e cidades mais preparadas
Entre os projetos apresentados no episódio está a chamada “Escola de Magia Verde”, edifício multifuncional construído em Taiwan com foco em eficiência energética e redução da emissão de carbono.
O espaço reúne escritórios e centro de conferências em uma estrutura de quase cinco mil metros quadrados planejada para enfrentar o clima quente e úmido da região utilizando técnicas de ventilação natural e construção verde.
O projeto combina simulações computacionais, ventilação inteligente e soluções sustentáveis para reduzir em cerca de 65% o consumo de energia e manter emissão de carbono próxima de zero.
A série também apresenta pisos drenantes capazes de absorver água da chuva com maior eficiência e robôs movidos a energia solar utilizados na limpeza de canais urbanos.
Ao conectar reciclagem, educação, construção sustentável e inovação tecnológica, o último episódio amplia a discussão sobre cidades inteligentes para além da automação e da inteligência artificial. A tecnologia aparece como parte de uma tentativa de reduzir desperdícios, enfrentar impactos ambientais e adaptar cidades a desafios que já fazem parte do presente.




