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“Qualquer um que quiser invadir o Brasil, invade”, afirma Lula no ES

Em visita ao ES, presidente disse literalmente que o país está “desguarnecido” (isto é, desprotegido) e, portanto, vulnerável a eventuais ataques estrangeiros. Ele citou diretamente Trump como uma preocupação nesse campo: “Quem diz que ele não vai dizer que a Amazônia é dele?”

Escrito por Vitor Vogas

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Foto: Daniel Torok/Official White House Photo

Um Lula (PT) bastante afiado, com a língua ferina, apresentou-se no Espírito Santo na manhã desta quinta-feira (21). E um dos alvos foi Donald Trump. Em alguns momentos de seu discurso na 6ª Edição da Teia Nacional dos Pontos de Cultura, no Sesc Praia Formosa, em Aracruz, o presidente brasileiro criticou diretamente o dos Estados Unidos.

Segundo o petista, Trump se sente o dono de territórios estrangeiros, pertencentes a nações soberanas, o que exige que o Brasil se acautele. Indicando a intenção de ampliar investimentos na defesa nacional (isto é, nas Forças Armadas), Lula citou alguns exemplos que o próprio Trump já tem dado, como a Groenlândia, o Canadá e o Canal do Panamá. “O presidente Trump acha que ele pode governar o mundo por Twitter.”

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Para Lula, nada impede que a Amazônia seja um dos futuros alvos da gana do inquilino da Casa Branca.

De acordo com o próprio presidente, o território nacional está “desguarnecido” (isto é, desprotegido) e, na atual conjuntura, qualquer um que quiser pode invadir o Brasil.

O Brasil não pode ficar desguarnecido como está. Qualquer um que quiser invadir aqui vem e invade, porque a gente não tem a segurança necessária, porque nunca pensamos nisso. Mas agora, depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, depois que ele disse que o Canadá é dele, depois que ele disse que o Canal do Panamá é dele, quem é [que diz] que ele não vai dizer que a Amazônia é dele? Quem é que diz?”

O presidente fez uma analogia com a Guerra do Paraguai, no século XIX.

“Nós vamos ter que assumir a responsabilidade de cuidar deste país, porque, se a gente não cuidar, daqui a pouco vem um maluco e quer tomar este país. Não foi assim a Guerra do Paraguai? Um belo dia, Solano López achou que era grande, invadiu Corumbá [no atual estado do Mato Grosso do Sul], invadiu o Uruguai e invadiu a Argentina de uma só vez. Não. O Brasil precisa se guarnecer. E a gente vai se guarnecer.”

Sentindo-se vitorioso na “guerra de narrativas”, Lula contou a sua versão sobre a negociação direta com Trump visando à revisão do tarifaço aplicado pelo estadunidense a uma série de produtos brasileiros.

“Toda vez que o Trump fala, ele diz ‘eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior avião do mundo, eu tenho o maior exército do mundo’… Eu falei ‘cara, eu não quero guerra com você, eu sei que eu não tenho. A guerra que eu quero fazer com você é de narrativas. Eu quero provar pra você que você está errado e que o Brasil está certo. Eu quero provar com números’. Quando ele disse que [os Estados Unidos] eram deficitários com o Brasil, eu fui provar com números que, nos últimos 15 anos, o superávit dos Estados Unidos conosco é de US$ 415 bilhões. Nós é que deveríamos estar nervosos, não ele.”

No dia 7 de maio, Lula reuniu-se com Trump na Casa Branca. Além das tarifas comerciais, um dos temas tratados, por iniciativa do anfitrião, foi o combate ao crime organizado.

Dirigindo-se ao senador Fabiano Contarato (PT), um dos convidados no palco do Sesc, Lula disse ter pedido a Trump a extradição de criminosos brasileiros foragidos nos Estados Unidos, inclusive a de Ricardo Magro. Controlador do grupo Refit, o empresário está na lista vermelha da Interpol, sob a suspeita de ser o maior sonegador de impostos do Brasil e de ser um elo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Aí ele [Trump] falou que queria combater o crime organizado, delegado Contarato. Eu falei: ‘É comigo mesmo. Se quiser combater o crime organizado, me entregue os brasileiros que estão roubando lá. Brasileiro que roubou aqui está morando lá. Me entregue’. Inclusive aquele Ricardo Magro, aquele cara da Refit, que é um falsificador de combustível no país, o maior devedor de dinheiro público neste país, […] ele está morando nos Estados Unidos. Tava em Miami. Eu entreguei pro Trump o endereço da casa e o nome dele. Quer combater o crime organizado? Me entregue logo esse aí. E a Polícia Federal está preparada.”

Lula também afirmou que grande parte das armas de fogo traficadas para o Brasil e apreendidas pela Polícia Federal provêm, justamente, dos Estados Unidos.

Quer combater o crime organizado? É importante saber que a Polícia Federal brasileira já apreende muitas armas. Apreende muitas armas! Sabem de onde vem? Dos Estados Unidos.”

“A gente não tem que ter medo de quem fala grosso. A gente tem que ter medo de quem fala sério”, concluiu o presidente brasileiro.

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