Desde que se tornou secretário de Transporte, Trânsito e Segurança Pública de Colatina, em outubro do ano passado, o Major Carlos Balbino Serrano se estabeleceu como um dos rostos mais conhecidos e “homem forte” da equipe de Renzo Vasconcelos (PSD). O prefeito, contudo, terá de procurar um substituo para o major. Nesta quarta-feira (20), a Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) interrompeu a cessão de Balbino à Prefeitura de Colatina e determinou seu retorno aos quadros da corporação.
E não foi apenas Balbino. Numa leva só, a PMES determinou o retorno de outros três policiais militares até então cedidos à Prefeitura de Colatina.
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A informação é confirmada pela Prefeitura de Colatina e pelo Governo do Estado.
Segundo a assessoria da Sesp, a determinação do retorno se deu por motivos técnicos:
“A decisão referente ao retorno dos policiais militares cedidos ao Município de Colatina decorre de avaliação técnica e administrativa realizada exclusivamente pela Polícia Militar do Espírito Santo, diante das atuais demandas operacionais da Corporação, especialmente da necessidade de reforço do policiamento ostensivo na região noroeste do Estado”.
Ainda segundo a assessoria da Sesp, a medida considera a expansão recente de batalhões e companhias independentes e a necessidade de recomposição da capacidade operacional da PMES, “visando otimizar a distribuição dos recursos humanos disponíveis, fortalecer a presença policial preventiva e repressiva qualificada e priorizar o atendimento direto à população capixaba”.
De todo modo, o prefeito de Colatina fica sem uma figura muito importante de sua equipe de governo. Um membro da mesma equipe descreve Balbino como “supersecretário” e “pilar moral” da administração municipal.
Além da Secretaria de Transportes, Trânsito e Segurança Pública (pasta que, por si só, já acumula atribuições), o major vinha exercendo influência em questões essenciais como obras públicas e até limpeza urbana.
Pano de fundo
Publicado no Diário Oficial do Estado no dia 24 de outubro de 2025, o convênio de cessão do Major Balbino foi assinado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Leonardo Damasceno (sem partido). A interrupção do convênio, a priori, não teve participação direta do governador Ricardo Ferraço (MDB).
Entretanto, um registro se impõe. O governador é pré-candidato à reeleição. Renzo é presidente estadual do Partido Social Democrático (PSD).
No dia 1º de abril (véspera da posse de Ricardo no Palácio Anchieta), Renzo anunciou oficialmente o apoio do PSD a Lorenzo Pazolini (Republicanos) para governador do Estado. O agora ex-prefeito de Vitória pode ser considerado o principal concorrente de Ricardo na corrida ao Governo do Estado.
Antes e depois da chegada de Ricardo ao Palácio Anchieta, Renzo tem demonstrado simpatia em relação ao atual governador. O relacionamento entre eles é melhor do que era o de Renzo com Renato Casagrande.
Até na nota oficial divulgada em 1º de abril, para anunciar seu apoio a Pazolini, o prefeito fez questão de registrar palavras favoráveis a Ricardo. Destacou ter “admiração e apreço pessoal” pelo então vice-governador, mas explicou que decidiu apoiar Pazolini seguindo “orientações partidárias em alinhamento com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab”.
Kassab é muito ligado ao ex-governador Paulo Hartung, também filiado ao PSD e apoiador declarado de Pazolini.
Na mesma nota, Renzo defendeu que “o momento pede renovação nas ideias e uma política sintonizada com os novos tempos”.
Assim, por mais cordial que seja a relação de Renzo com Ricardo, o fato é que, eleitoralmente, eles estão em palanques opostos.
Polêmicas
O Major Balbino goza da admiração de muitos moradores da cidade de Colatina. Por outro lado, durante sua passagem pela administração municipal, o então secretário envolveu-se em algumas polêmicas.
A maior delas ocorreu no dia 1º de abril – mesma data em que Renzo anunciou o apoio dele e do PSD a Pazolini.
Acompanhado de agentes da Guarda Municipal, o secretário pessoalmente arrancou cartazes e recolheu material utilizado em um ato de protesto pacífico realizado por servidores municipais na estação central de ônibus de Colatina, com críticas à administração de Renzo. Um boneco, também recolhido, representava o prefeito da cidade.
Os manifestantes cobravam a valorização dos servidores e uma pauta de reivindicações que inclui reajuste salarial e melhores condições de trabalho. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina falou em “intimidação”, “abuso de autoridade”, “apreensão indevida”, “constrangimento ilegal” e “violação à liberdade de manifestação durante atividade sindical”.
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