O governador Ricardo Ferraço (MDB) e o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), estiveram lado a lado em evento realizado na noite de terça-feira (5), na sede do Sindipães, no bairro Novo México: uma grande homenagem a cerca de 300 líderes comunitários da cidade.
Foi simplesmente a quinta aparição pública dos dois juntos em um intervalo de menos de 20 dias. As quatro anteriores, numa série iniciada em 17 de abril, foram entregas de equipamentos públicos construídos com recursos do Governo do Estado: praças em Araçás, Novo México e Jardim Marilândia, além do Canal do Congo, na Grande Terra Vermelha.
Como se fosse pouco, na tarde de quarta-feira (6), Arnaldinho esteve no Palácio Anchieta e foi recebido por Ricardo.
O evento da última terça – fora do horário de expediente – teve contornos de pré-campanha. Homenageados às centenas por Ricardo e Arnaldinho, líderes comunitários costumam ser ótimos cabos eleitorais junto aos moradores das respectivas comunidades.
Nas quatro aparições anteriores, havia uma justificativa institucional para a presença do governador no palco, ao lado do prefeito: afinal, eram entregas diretas para a população, custeadas pelo Governo do Estado, em eventos promovidos pelo Palácio Anchieta.
Já na homenagem aos representantes das comunidades, organizada pela Prefeitura de Vila Velha para celebrar o “Dia Nacional do Líder Comunitário”, o convite de Arnaldinho a Ricardo foi voluntário; a presença dele, idem. O show poderia ser estrelado só por Arnaldinho. O que se viu foi Arnaldinho & Ricardo. Após o abalo sísmico na relação entre fevereiro e março, o alinhamento político dos dois agora é evidente.
O prefeito de Vila Velha já começa a mostrar engajamento pessoal na campanha de Ricardo à reeleição e compromisso real com esse projeto. Em seu reduto político, segundo maior colégio eleitoral do Espírito Santo, tende a ser o principal cabo eleitoral do atual governador.
Respondendo a uma pergunta direta nossa, Ricardo Ferraço evitou o termo “apoiador eleitoral” para se referir a Arnaldinho, mas, instado a definir o atual status do relacionamento entre eles, não hesitou em classificar o prefeito como “um aliado e um parceiro”.
Considero o prefeito Arnaldinho um aliado, um parceiro, alguém que está compartilhando comigo o desafio de manter o Espírito Santo no mesmo rumo e no mesmo ritmo.”
“Minha relação com ele sempre foi muito boa do ponto de vista pessoal e profissional. E agora ampliamos essa relação pelo fortalecimento de Vila Velha. E nossa relação vai de vento em popa! Temos uma característica do nosso governo, que é fazer um governo municipalista, e queremos mantê-lo assim. Imagina se Vila Velha teria a capacidade de fazer sozinha, por exemplo, as obras de estações de bombeamento, para resolver problemas crônicos da cidade, como o dos alagamentos. Imagina se disséssemos ‘ah, não é responsabilidade nossa’… Não importa de quem é a responsabilidade. Importa que é importante para o povo. Isso sinaliza a capacidade que nosso projeto tem de agregar, somar, compartilhar”, declarou Ricardo.
Por que Arnaldinho é a peça que faltava na estratégia do Palácio Anchieta
Arnaldinho é a “peça que faltava” para que o Palácio Anchieta procure reeditar a mesma estratégia que deu muito certo para Casagrande contra Manato (PL) no pleito estadual de 2022: transformar Vila Velha (Arnaldinho), Cariacica (Euclério Sampaio) e Serra (Vidigal e, agora, Weverson) numa “barreira geográfica e política”, uma fortaleza que, na medida do possível, isole Pazolini em Vitória, cercando-o na Região Metropolitana.
Os coadjuvantes, incluindo Joel Rangel
Também participaram do ato o deputado federal Victor Linhalis (PSB), pré-candidato à reeleição; a ex-secretária estadual de Governo Emanuela Pedroso (PSB), pré-candidata a deputada federal; a deputada estadual Janete de Sá (PSB), pré-candidata à reeleição; e o vereador Joel Rangel (Podemos). Este último é o candidato apoiado por Arnaldinho para a presidência da Câmara de Vila Velha.
Foi o último ato de Joel, sempre ao lado de Arnaldinho, como secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade. No dia seguinte, ele foi exonerado a pedido e se reapresentou à Câmara, para retomar o mandato e tocar a campanha à presidência.
Detalhe visual…
Para ficar bem com a galera, Ricardo vestiu uma camiseta despojada, com desenhos de casacas na estampa. É o instrumento mais característica do congo, expressão musical indissociável de Vila Velha. Ricardo tem feito um esforço para popularizar a sua imagem, o que inclui, é claro, a vestimenta. Sempre que a ocasião o permite, tem aparecido em trajes mais informais.
Pazolini segue firme pelo interior
Enquanto isso, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini também segue firme em sua pré-campanha, principalmente pelo interior do Estado, onde precisa ganhar musculatura política. O foco no momento é arregimentar apoios de líderes políticos de cidades menores.
É o que ele tem feito, sempre contando com a articulação de Erick Musso. Além de cuidar das costuras para o ex-prefeito, Erick aproveita para turbinar a própria campanha a deputado federal pelo Republicanos, à medida que circula intensamente ao lado de Pazolini.
Na noite de quinta-feira (7), em Itapemirim, no litoral sul, Pazolini e Erick estrelaram uma reunião de pré-campanha marcada pela presença de sete ex-prefeitos da região e do extremo sul do Estado:
- Thiago Peçanha, ex-prefeito de Itapemirim
- Alcindo Cardoso, ex-prefeito de Itapemirim
- Jaiminho, ex-prefeito de Marataízes
- Reginaldo Quinta, ex-prefeito de Presidente Kennedy
- Marquinhos Messias, ex-prefeito de Bom Jesus do Norte
- Ubaldo, ex-prefeito de Bom Jesus do Norte
- Betinho, ex-prefeito de Apiacá
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Também esteve presente Jadilson Maravilha, vice-prefeito de Piúma por três mandatos.

Rodrigo Borges filia-se ao PP e ratifica “mudança de lado”
Falando em litoral, mas já na Grande Vitória, o atual prefeito de Guarapari, Rodrigo Borges, assinou a ficha e filiou-se oficialmente ao Progressistas (PP), confirmando movimento que sinalizara em meados de março. É a ratificação, também, de uma mudança de lado: Borges estava no Republicanos, partido pelo qual foi eleito em 2024.
Para o Palácio Anchieta, ele apoia Ricardo Ferraço. Seu novo partido, o PP, está do lado do governador.
Discurso “linha dura” de Ricardo…
Durante a cerimônia de assinatura do decreto que reestruturou a Polícia Militar e criou a Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado, na tarde da última quarta-feira (6), o governador Ricardo Ferraço manteve um discurso “linha dura”. Falando perante centenas de policiais e bombeiros militares, no Salão São Tiago, ele disse o seguinte:
“Aqui no Espírito Santo, as facções criminosas não dominaram, não dominam e não vão dominar um milímetro sequer do território do estado do Espírito Santo. Aqui, não! Aqui quem vai continuar ditando a regra é a lei. E nossas forças de segurança continuarão reagindo de forma proporcional.”
Foi aplaudido pelas tropas.
De Casagrande também…
Como tem feito em muitos eventos do governo desde o início da gestão de Ricardo, o antecessor dele no cargo, Renato Casagrande (PSB), compareceu à cerimônia, sentou-se ao lado dele na primeira fila e também discursou. Adotou a mesma linha de Ricardo: “Nós aqui não passamos a mão na cabeça de bandido. Se quiser ir para o mundo do crime, vai pagar pela decisão tomada”.
O ex-governador destacou o fato de que, este ano, o Espírito Santo registrou o menor número de assassinatos cometidos no mês de abril desde o início da série histórica, em 1996, isto é, o melhor resultado para o referido mês em 31 anos de contagem. “Foi o abril menos violento da história. O segredo do resultado que temos tido na segurança pública é o governador fazer pessoalmente o acompanhamento diário, e é isso que Ricardo tem feito.”
A diretora social da Aspra
Entre as muitas autoridades policiais presentes à solenidade no Palácio Anchieta, destacou-se o comparecimento da soldada PM Lorena Nascimento dos Santos, enfaticamente saudada de público por Ricardo Ferraço, com seu cargo devidamente sublinhado: diretora social da Aspra, a Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo.
O pano de fundo é o seguinte: no início desta semana, o presidente da Aspra, Sargento Jackson Eugênio, anunciou filiação ao Republicanos, partido de Lorenzo Pazolini, e apoio ao ex-prefeito de Vitória para governador. Em entrevista à coluna, fez críticas à administração de Casagrande.
A presença de Lorena e a saudação efusiva de Ricardo denotam que a Aspra não está unificada do ponto de vista eleitoral. Pazolini pode ter levado a “cabeça” da entidade, mas, pelo jeito, não o “pescoço”. Quanto ao resto do corpo, vamos ver…
Cena política: “Ele fazia isso comigo”
Casagrande dessa vez discursou, mas o fez antes da fala de Ricardo, a quem agora, naturalmente, cabe o discurso final em cada evento oficial do governo. A ordem anterior se inverteu desde que ele assumiu o cargo de governador no lugar de Casagrande. Este não perdeu a piada. Ao fazer uma saudação inicial, a mais sumária possível, às autoridades presentes, mandou esta:
“Vou deixar o Ricardo cumprimentar a todos. Ele fazia isso comigo. Vou devolver pra ele esse ‘ato elegante’”.
Ricardo realmente, em sua vez, passou os primeiros minutos saudando, uma a uma, as autoridades presentes.
Cena Política 2: “Tava indo tão bem…”
Em seu discurso, Casagrande fez uma pequena brincadeira relacionada ao Botafogo, seu time do coração. Logo ao assumir o púlpito, Ricardo, incurável flamenguista, não o perdoou: “Puxa, tava indo tão bem… Tinha que falar de Botafogo!”
