
O ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini conseguiu um apoio importante na área da segurança pública, em sua preparação para se candidatar a governador do Espírito Santo. É o Sargento Jackson Eugênio Silote, presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (Aspra-ES), a maior entidade de representação de militares no Estado (com mais de 8 mil associados, entre profissionais da ativa, da reserva e pensionistas).
Além de anunciar o apoio, Eugênio decidiu se filiar ao Republicanos, partido de Pazolini, para ser candidato a deputado estadual. Por ser militar da ativa, ele só se filia após a convenção. Será a sua segunda candidatura. Em 2022, ele foi candidato ao mesmo cargo, pelo PTB. Teve 8.035 votos e ficou como 3º suplente.
Em diálogo com a coluna, Eugênio explica que o apoio a Pazolini é uma definição pessoal e não corresponde a um apoio institucional da Aspra.
“É uma decisão que eu tomo por caminhada política, por um projeto político, para disputar uma eleição. É um caminho que o Sargento Eugênio trilha e vê como a melhor opção para disputar a eleição. Então isso não impacta hoje na instituição Aspra.”
O sargento responde por que escolheu o Republicanos para sua nova empreitada eleitoral.
“Primeiro, porque nós acreditamos no projeto. Nós entendemos que é um projeto muito viável, um projeto de renovação, que realmente vem para somar para o crescimento dos Espírito Santo. É bom tanto para a segurança pública como para a sociedade em geral.” Para Eugênio, o Republicanos é “o caminho da direita”, em “um estado que é conservador, como tem mostrado nas últimas eleições”.
Ele também responde por que o apoio a Pazolini para o Palácio Anchieta. “Hoje é a melhor opção e é quem está preparado. Demonstrou isso em Vitória. Sou de São Pedro e vejo como a região se transformou nos últimos anos.”
Na atual composição, a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), formada por 30 deputados, tem dois policiais militares: Capitão Assumção (PL) e Coronel Weliton (DC). Segundo o presidente da Aspra, a meta da categoria é eleger pelo menos três policiais militares na Ales para a próxima legislatura.
“Hoje entendemos, atendendo também a um clamor da própria tropa, que é preciso aumentar a representatividade na Assembleia para que a gente possa avançar na construção com o próximo governador, na valorização para os policiais e bombeiros militares”, afirma Eugênio.
“Embora nós tenhamos lá dois militares, há a necessidade de reforçar essa representatividade, uma vez que a segurança pública tem apresentado excelentes resultados, mas o mais importante, que é o material humano, tem sido esquecido”, completa o sargento, iniciando uma saraivada de críticas à gestão da segurança pública durante o governo Casagrande, relativas, principalmente, à pauta salarial dos policiais militares (leia mais abaixo).
Sobre o candidato a governador a ser escolhido pela Aspra, o presidente da entidade esclarece que a associação é uma das entidades de representação de militares que atualmente fazem parte do Projeto Político Militar no Espírito Santo (PPM-ES). E que, portanto, o candidato da Aspra será aquele que o PPM decidir apoiar.
Em março, o presidente do PPM-ES, Tenente Fernandes, chegou a dizer aqui que o movimento cogitava lançar candidato próprio a governador. Eugênio opina que isso não deve se concretizar. “Era um planejamento institucional, mas eu confesso que não vejo mais essa possibilidade, até pelo tempo.”
Como presidente da Aspra, o sargento é membro da diretoria do PPM-ES, mas diz que, ao anunciar a pré-candidatura, formalizou um pedido de licença.
O Sargento Jackson Eugênio é presidente da Aspra desde que ele ainda era cabo da PMES e que a entidade ainda se chamava Associação de Cabos e Soldados (ACS). Seu primeiro mandato na presidência foi no triênio de 2019 a 2021.
O segundo, iniciado em janeiro de 2022 e dilatado graças a uma mudança no estatuto, se encerra em 31 de dezembro deste ano. A eleição interna ocorrerá em poucos meses. Para a própria sucessão, Jackson apoia o atual vice-presidente da Aspra, o Sargento Ted Candeias Silva, também da PMES.
CRÍTICAS
O presidente da Aspra também desfia uma série de críticas ao tratamento dispensado aos soldados e cabos da PMES e do BMES nos dois últimos governos de Casagrande – coincidentes com quase todo o seu período à frente da associação, de 2019 a 2026. As queixas se referem à pauta de reivindicações da categoria, relacionada principalmente a promoções e valorização salarial.
Perspectivas de crescimento na carreira
“A segurança pública passa primeiramente por quem faz segurança pública. Não adianta ter viaturas novas, capacetes balísticos… Tudo isso é importante e necessário, mas não adianta se eu tiver uma tropa desmotivada, principalmente os praças, que não têm perspectiva de carreira. Hoje, o nosso praça entra tanto na Polícia quanto no Bombeiro Militar, mas não faz a menor ideia de quando vai ser promovido. Inclusive, nós temos hoje policiais militares soldados com mais de 12 anos, indo para 13 anos de carreira, sem promoção. E agora, com essa modificação que teve recentemente, no apagar das luzes do governo Casagrande, ele tem aí uma perspectiva de ser promovido até o final do ano, mas existem gargalos. E a segunda promoção deles, que seria a promoção de sargento, eles também podem esperar de 10 a 12 anos para serem promovidos. Então, nós não temos perspectiva de carreira. Hoje, a carreira dos praças da Polícia e do Bombeiro Militar é a pior carreira da segurança pública.”
Melhorias salariais
“A necessidade de colocar o nosso salário na média nacional foi um compromisso por parte do próprio ex-governador Renato Casagrande. A gente avançou bastante, temos que destacar que houve avanço, mas nós não chegamos na média nacional, então não houve o cumprimento desse compromisso.”
“Obrigação do Estado” e “falta de diálogo”
“Outro ponto importante que nós precisamos destacar: a estrutura. Hoje nós temos aí viaturas, coletes, armamento novo, como eu disse, tudo isso é muito importante. Mas é obrigação do Estado. O Estado precisa prover meios para que o profissional, seja da segurança pública, seja da educação, seja da saúde, possa desempenhar bem as suas funções. E outro ponto é a falta de diálogo com as entidades representativas.”
“Suicídios e saúde mental”
“Nós precisamos da segurança pública, e esses profissionais não podem ser tratados da forma que foram tratados ao longo desses últimos anos. Mais uma vez, reforço: reconheço avanços significativos. Mas o mais importante, que é o material humano, nós deixamos de lado. Isso se reflete em número de suicídios, na saúde mental dos nossos militares.”
“Aumento diferenciado para oficiais”
“Uma falha do governo Casagrande foi no final, no apagar das luzes, ter dado um aumento diferenciado para os oficiais. Quero deixar claro aqui que nós, em momento algum, somos contra qualquer tipo de reajuste ou qualquer tipo de valorização para qualquer militar, para qualquer bombeiro, para qualquer indivíduo. Porém, nessas tratativas, inclusive bem desgastantes, o governo privilegia uma parte da instituição e deixa outra de fora, que eram os praças e os oficiais do quadro da administração. Isso foi muito ruim. Gerou não só uma insatisfação muito grande, mas um problema interno.”
