A Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) foi reestruturada com decretos assinados nesta quarta-feira (6) pelo governador Ricardo Ferraço. As mudanças foram possibilitadas por meio de projeto de lei enviado pelo então governador Renato Casagrande e aprovado pela Assembleia Legislativa no fim de março. Os destaques são a criação de três batalhões, três companhias e, principalmente, uma Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado. Será uma espécie de “tropa de elite” da PMES, com um objetivo específico muito bem delineado: prender chefes de facções criminosas em atividade no território capixaba.
Até a assinatura do decreto, nesta quarta-feira, já existia na PMES uma unidade especificamente voltada para o combate ao crime organizado. Mas essa unidade não era autônoma. Funcionava dentro do Batalhão de Missões Especiais (BME). Agora, a unidade de combate a facções deixa de estar vinculada ao MPES, se emancipa e ganha autonomia, adquirindo o status de companhia independente.
A partir desta quinta-feira (7), a Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado já estará operando, com sede fixa em Jardim América, Cariacica. Será formada por 68 policiais altamente treinados, seno 67 homens e uma mulher. A tropa inclui atiradores de elite, especialistas em explosivos e em negociação com criminosos.
Segundo o comandante-geral da PMES, Coronel Ríodo Rubim, esse efetivo tende a ser ampliado nos próximos meses. Ele explica que a nova companhia terá o objetivo precípuo de prender os cabeças de grandes organizações criminosas.
“A unidade de combate a facções pertencia ao BME. Agora, ela se emancipa, se separa. Passa a ser uma companhia independente, com status de batalhão, e vai ficar exclusivamente voltada ao combate ao crime organizado. Então, aquelas operações de maior volume, de maior especificidade, ela vai atuar dando apoio ao Gaeco, dando apoio à Polícia Civil e a outras instituições, para a gente conseguir fazer prisões mais qualificadas, voltadas a criminosos com status maior nessas organizações, além daquelas prisões diárias que a gente já faz de narcotraficantes e outros criminosos.”
Assim, além do policiamento ostensivo, das apreensões diárias de drogas e armas, vamos tirar de circulação os cabeças dessas organizações.”
O comandante da Companhia
O comandante da recém-criada Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado é o Major Rogério da Costa Scheneroke (na foto acima, ao lado do Coronel Ríodo Rubim). Com 36 anos, ele está há 6 na PMES, onde ingressou em 2010.
O Major Scheneroke, como é chamado pela tropa, foi do BME por três anos (como tenente e capitão). Até assumir o comando da nova companhia, ele era o subcomandante da Academia da PMES.
Em março, o major fez o curso de especialização em Combate ao Crime Organizado da Rota, em São Paulo, com duração de cinco semanas. Já foi parte da preparação para assumir o novo posto de comando. Em consonância com Rubim, ele destaca qual será o objetivo da nova companhia:
“Nossos alvos serão as lideranças do Primeiro Comando de Vitória e do Terceiro Comando Puro atuantes na Grande Vitória”, diz o major, sem especificar nomes, para não atrapalhar as futuras operações.
Novas companhias e batalhões
A reestruturação da PMES também inclui três novos batalhões, nos municípios de Viana (Grande Vitória), Afonso Cláudio (Serrana) e Marataízes (Litoral Sul). São companhias agora transformadas em batalhões. No meio militar, um “batalhão” tem estrutura e contingente maiores que uma “companhia”.
Além disso, são criadas mais três companhias independentes, nos municípios de Castelo (Sul), Santa Maria de Jetibá (Serrana) e Sooretama (Norte).
Segundo o governador Ricardo Ferraço, nos próximos dias também serão anunciados mais dois batalhões dos Bombeiros Militares do Espírito Santo (BMES): um na Serra e o outro em Vila Velha.
Nota técnica
Uma nota técnica produzida pela assessoria da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) é bem elucidativa quanto aos objetivos com que nasce a Companhia Independente de Operações Especiais e Combate ao Crime Organizado (CIOE):
A criação da CIOE viabiliza a consolidação de uma unidade dedicada exclusivamente às operações especiais e ao combate sistemático às facções criminosas, com estrutura, doutrina, logística e cadeia de comando próprias. Trata-se de reconhecer que as operações especiais possuem natureza distinta, exigindo preparo técnico altamente diferenciado, seleção rigorosa de pessoal, capacitação contínua, emprego de equipamentos específicos e planejamento operacional minucioso, incompatíveis com a dinâmica e as demandas do policiamento tático convencional.
A CIOE surge, portanto, como resposta institucional à crescente complexidade das ameaças impostas por organizações criminosas estruturadas, que atuam de forma articulada, com elevado poder de fogo, domínio de território e capacidade de enfrentamento ao Estado. Nesse contexto, a atuação “cirúrgica” torna-se imprescindível, envolvendo ações como intervenção em crises com reféns, enfrentamento a eventos de “novo cangaço”, tomada de cidades, neutralização de artefatos explosivos, resgate de equipes policiais em situação de risco extremo, além de operações de alta complexidade contra lideranças de facções criminosas.