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O precedente da GWM: o novo canal aberto entre ES e Macau para atrair empresas chinesas

Memorando com CECPS mira setores como tecnologia, logística e mobilidade; China responde por 45% das importações capixabas

 

O Espírito Santo acaba de ganhar um canal direto com o mercado chinês. A NOVA ES, agência de atração de investimentos do Estado, assinou recentemente em São Paulo um memorando de entendimento com o CECPS – Centro de Serviços Econômicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola.

O acordo, formalizado ainda no dia 19 de junho, tem como objetivo aproximar empresas chinesas de oportunidades no Espírito Santo e ampliar a cooperação institucional entre as duas partes.

As conversas iniciais de prospecção envolvem empresas de diversos segmentos, com potencial para avaliação de unidades produtivas, operações de importação, distribuição e acesso ao mercado brasileiro via Espírito Santo.

A reunião contou com a diretora-presidente da NOVA ES, Patrícia Gouvêa, o diretor executivo do CECPS, Scott Ye, a gerente sênior do Departamento de Relações Públicas, Marina Miranda, e a associada sênior do Departamento de Serviços Empresariais, Luana Jiaying Xu.

Por que a China

O mercado chinês já ocupa um lugar de destaque na economia capixaba. Dados do sistema Comex Stat mostram que, em fevereiro de 2026, a China respondeu por 45% das importações do Espírito Santo. O número ajuda a explicar por que a NOVA ES decidiu estruturar uma ponte institucional com o gigante asiático via Macau – que é uma Região Administrativa Especial da China com tradição ligada Língua Portuguesa devido ao período colonial.

Patrícia Gouvêa destacou que a China tem oportunidades em setores diretamente conectados ao perfil econômico do Estado.

“A NOVA ES atuará na organização de informações estratégicas sobre o estado, no mapeamento de demandas das empresas e as oportunidades capixabas e na interlocução institucional necessária para apoiar a avaliação de investimentos”, afirma.

Diferenciais competitivos

O Espírito Santo tem argumentos de peso para apresentar a investidores chineses. A localização geográfica, a infraestrutura logística e a participação consolidada no comércio exterior estão entre os principais atrativos. O Estado mantém há 14 anos consecutivos a nota A na Capacidade de Pagamento (Capag), conforme a Secretaria do Tesouro Nacional – um indicador de saúde fiscal que dá previsibilidade a quem pensa em investir.

Setores como tecnologia, eletrodomésticos, mobilidade, logística e distribuição estão no radar da parceria.

O precedente da GWM

Não é a primeira vez que a NOVA ES atua como ponte entre o Espírito Santo e a China. Também neste ano, a agência atuou para concluir as negociações que resultaram na confirmação da fábrica da GWM em Aracruz. O empreendimento, anunciado com a presença do CPO global da montadora e do governador Ricardo Ferraço, prevê investimentos de até R$ 6 bilhões e a geração de 9 mil empregos diretos.

A experiência acumulada nessa negociação, que se estendeu por cerca de três anos, serviu de aprendizado para a estruturação de novas parcerias com o mercado chinês – como o acordo agora firmado com o CECPS.

Próximos passos

Com o memorando assinado, as instituições criaram um grupo de trabalho para troca de informações e aprofundamento das possibilidades apresentadas. Está prevista também a realização de um evento on-line, com tradução simultânea, para apresentar o Espírito Santo a empresas chinesas selecionadas.

Além disso, estão sendo organizadas agendas individuais com companhias que demonstrarem interesse em avançar nas conversas.

O CECPS, criado em abril de 2025 pelo governo de Macau e pelo comitê executivo da Zona de Hengqin, tem como missão aproximar empresas chinesas de mercados de língua portuguesa e espanhola.

Agenda mais ampla

A assinatura do acordo com o CECPS não é um movimento isolado. Ela integra uma estratégia mais ampla da NOVA ES para ampliar o alcance institucional do Espírito Santo junto a investidores nacionais e internacionais.

A agência já firmou parcerias com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e o Lide Espírito Santo, além de manter novas frentes em construção com o setor produtivo.

O objetivo é consolidar o Estado como um destino sólido e competitivo para novos investimentos – e o novo canal com a China é um passo importante nessa direção.

Foto de Fabio Botacin

Fabio Botacin

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