Rios abastecem 2 milhões de capixabas e pedem socorro

Produção mostra desafios para preservar bacias que abastecem milhões de capixabas e impulsionam a economia

Os rios que abastecem cerca de 2 milhões de pessoas no Espírito Santo também sustentam a produção agrícola, a indústria e o desenvolvimento econômico do Estado. Mas preservar esses mananciais exige planejamento, investimento e participação da sociedade. Esse é o tema do terceiro episódio da série Encontro das Águas, exibido pela TV SIM/SBT nesta terça-feira (21). Produzida pelo jornalista Tiago Américo, a série especial vai ao ar sempre às terças-feiras e percorre as principais bacias hidrográficas capixabas para mostrar a importância da água para o abastecimento, a economia e a preservação ambiental.

Saneamento muda a realidade da bacia

A viagem começa pelo rio Itapemirim, no sul do Estado. Com a redução da vazão, as pedras que deram origem ao nome do rio ficam mais aparentes. Em Cachoeiro de Itapemirim, o foco da reportagem é o avanço do saneamento e seus reflexos na qualidade da água.

Vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itapemirim, Paulo Bresa explica que o município concentra metade da população da bacia e, por isso, também responde por um grande volume de esgoto. Segundo ele, o tratamento desse material já mudou a realidade do rio. “A metade da população está em Cachoeiro da bacia do rio Itapemirim. Então, é um volume de esgoto muito expressivo para a bacia e para o rio. Cachoeiro hoje está com 97% de tratamento, então deixa de jogar muito, muito esgoto no rio para devolver um efluente melhor para a vida do rio. Com isso, as cidades a jusante de Cachoeiro estão se beneficiando com esse tratamento de esgoto.”

A preservação das bacias, porém, depende de uma atuação conjunta. Presidente da Apea-ES, Giuliano Battisti afirma que o tema precisa envolver toda a sociedade. “Formação é um tema que envolve a sociedade, a classe empresarial, os funcionários ligados às empresas, os produtores rurais e os demais órgãos da sociedade. A nossa expectativa é que as decisões possam ser integradas em um programa maior para o Espírito Santo.”

O rio que abastece a Grande Vitória

Da região sul, a reportagem segue para a serra capixaba, onde nasce o rio Jucu, um dos principais responsáveis pelo abastecimento da Grande Vitória. O episódio mostra que, além de abastecer a população, o manancial convive diariamente com atividades agrícolas e pecuárias, o que exige cuidados permanentes para preservar a qualidade da água.

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Vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Jucu, Elio de Castro destaca que a importância do rio vai muito além da capital. “Costumo dizer que o Jucu é o rio mais importante das bacias capixabas porque tem a responsabilidade de abastecer a capital do Estado. A ilha bebe água do Jucu. Mas é um rio que também tem produção no alto e médio curso. Se você andar pela região de montanha vai encontrar criação de aves, de suínos e atividades agrícolas. Se não houver controle, essas atividades podem comprometer a qualidade da água aqui embaixo.”

Em Pedra Azul, a produção acompanha uma propriedade rural onde a água é indispensável para a produção de inhame. O engenheiro agrônomo Elvis Bellon explica que a irrigação por aspersão é necessária para o desenvolvimento da cultura. “Na cultura do inhame, que a gente trabalha aqui, é mais por irrigação de aspersão, porque o inhame desenvolve uma planta muito alta. Então precisamos irrigar nessa modalidade para atender a cultura.”

Quem vive da terra também reforça a importância da preservação dos mananciais. Para o agricultor Alexandre Daré, a água é insubstituível. “Produzir alimento depende de água. Uma coisa que ninguém vai conseguir produzir é água. E uma máquina nunca vai produzir alimento.” A reportagem ainda mostra como a água captada na propriedade é utilizada na lavagem do inhame antes de o produto seguir para o consumidor final na Grande Vitória.

Integração entre quem preserva e quem consome

No trecho final, o episódio acompanha o percurso do rio Santa Maria da Vitória, outro manancial essencial para o abastecimento da Região Metropolitana. A série mostra que o principal desafio é aproximar quem vive nas áreas de nascente da população que depende dessa água nas cidades.

Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Santa Maria da Vitória, Carlos Eduardo Stein explica que o rio nasce entre Santa Maria de Jetibá e Santa Leopoldina, recebe água de 12 afluentes e percorre cerca de 100 quilômetros até chegar à Grande Vitória. “O principal desafio é fazer essa integração entre o pessoal de montante e o de jusante, para que todos entendam que a água captada na Grande Vitória nasce na região serrana e percorre aproximadamente 100 quilômetros até chegar aqui.”

A produção também acompanha moradores que mantêm uma relação direta com o rio. O autônomo Remivaldo Meirelles, por exemplo, mostra como prepara uma isca artesanal para a pesca e conta que, nos dias favoráveis, consegue capturar tilápias e tainhas.

O episódio termina reforçando que a água é um recurso limitado e tem valor ambiental, social e econômico. A série Encontro das Águas continua nas próximas terças-feiras na programação da TV SIM/SBT. O próximo capítulo mostrará o fórum que reuniu autoridades, especialistas e representantes dos comitês de bacias hidrográficas para discutir propostas voltadas ao reflorestamento e à recuperação das nascentes capixabas.

Foto de Estúdio SIM

Estúdio SIM

Núcleo de projetos integrados do Grupo SIM. Um espaço dedicado à criação de conteúdos, experiências e projetos multiplataforma que unem a força da TV, do rádio e do digital para conectar marcas, pessoas e ideias em todo o Espírito Santo.

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