A água que chega às torneiras começa o percurso muito antes da estação de tratamento. Ela nasce nas bacias hidrográficas, em nascentes espalhadas pelo interior, e a preservação dessas áreas é decisiva para garantir o abastecimento da população. O alerta é do diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, que defendeu o fortalecimento de ações voltadas à segurança hídrica durante o Encontro das Águas 2026, realizado pelo Grupo Sim, em São Mateus.
“Muitas pessoas acham que a água nasce na torneira. Pois bem, a água nasce na bacia hidrográfica, lá na nascente, lá naquela grotinha, no interior”, afirmou o diretor da Agerh.
Segundo Ahnert, um dos principais objetivos do encontro foi ampliar o conhecimento da população sobre os desafios relacionados aos recursos hídricos e apresentar soluções que já vêm sendo adotadas no Espírito Santo para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
“O Encontro das Águas proporciona difundir conhecimento, trocar experiência e apresentar os desafios que estão colocados, mas também as soluções que já estão sendo implementadas para nos adaptar às mudanças climáticas”, pontuou o diretor da Agerh.
Mudanças climáticas pressionam os rios
Durante a participação no evento, o diretor-presidente da Agerh explicou que as mudanças climáticas alteram o regime de chuvas e, como consequência, reduzem a vazão dos rios.
De acordo com Fábio Ahnert, o Estado já enfrenta períodos de seca mais intensos e prolongados, cenário que aumenta a pressão sobre diferentes setores que dependem da água.
“Estamos experimentando períodos de seca mais intensos, mais prolongados, com vazões dos rios cada vez mais baixas. Isso representa um grande desafio porque a agricultura precisa de água para irrigação, o abastecimento público precisa levar água às pessoas e a indústria também depende desse recurso.”
Segurança hídrica
Apesar dos desafios, Ahnert afirmou que o Espírito Santo já desenvolve ações para aumentar a disponibilidade de água e reduzir os impactos da estiagem.
Ahnet citou iniciativas como o Programa Reflorestar, o Pró-Bacias, executado pela Agerh, programas voltados ao uso racional da água na agricultura, investimentos do governo estadual na construção de barragens e a adoção de tecnologias de irrigação mais eficientes pelos produtores rurais.
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“Todas essas ações, o reflorestamento, os investimentos em barragens e em tecnologias mais econômicas de irrigação vão dar mais segurança hídrica para o Espírito Santo e fazer com que a gente se adapte melhor a esse novo cenário.”
União para enfrentar os eventos climáticos
Também durante o Encontro das Águas, o secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Victor Ricciardi Rocha, afirmou que o Espírito Santo vem estruturando políticas públicas para proteger os mananciais, incentivar o consumo sustentável e fortalecer a adaptação aos eventos climáticos extremos.
Segundo Victor, desde 2022 o Estado investiu mais de R$ 700 milhões em ações voltadas ao apoio aos municípios diante de situações como estiagem e chuvas intensas, além de programas de reflorestamento e preservação ambiental.
Para o secretário, iniciativas como o Encontro das Águas fortalecem o debate sobre segurança hídrica ao reunir governo, municípios, universidades, comitês de bacias e setor produtivo em torno de soluções para a gestão da água.





