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Da Vitória está fora da disputa ao Senado. Como isso muda jogo no ES?

Federação União Progressista também decide: quer a vice de Ricardo Ferraço. Como isso afeta a corrida rumo ao Senado no Estado? Quem ganha, quem se fortalece e quem pode despontar para preencher o vácuo deixado por Da Vitória? Respondemos aqui

Escrito por Vitor Vogas

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Josias da Vitória
Josias da Vitória

O deputado federal Josias da Vitória (PP) informa aqui em primeira mão: está fora da disputa pelo Senado no Espírito Santo. Decidiu ser candidato à reeleição, buscando um terceiro mandato seguido na Câmara dos Deputados. “Meu itinerário é esse. Qualquer outra coisa seria mudar o itinerário.”

E mais: segundo Da Vitória, presidente do União Progressista no Espírito Santo, a poderosa federação formada por PP e União Brasil não reivindicará a segunda candidatura ao Senado, ainda não preenchida, na coligação eleitoral liderada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB). É a mesma coligação que já tem o ex-governador Renato Casagrande (PSB) como primeiro candidato a senador.

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O pleito do União Progressista é outro: indicar o candidato a vice-governador que vai completar a chapa de Ricardo a partir de agosto.

“Uma coisa é certa: não abrimos mão de participar da chapa majoritária. E estamos muito inclinados a definir nossa participação de fato na candidatura a vice”, revela Da Vitória, citando uma conversa decisiva entre ele, Ricardo e Casagrande, com a participação de Marcelo Santos, presidente estadual do União Brasil e número 2 na hierarquia da federação no Espírito Santo.

Eu, Marcelo, Ricardo e Renato [Casagrande] já tivemos uma conversa para reafirmar que a federação não abre mão de participar da chapa majoritária. Vamos participar da majoritária com nome e priorizamos a vaga de vice.”

Como se vê, a decisão já está tomada. E é mais que um pedido ou uma reivindicação. A chamada “superfederação” faz questão de ocupar a vice, pois entende ter tamanho suficiente para isso. E tem mesmo.

Em termos de correlação de forças partidárias, a presença do União Progressista no palanque a na coligação de Ricardo é, no momento, o que desequilibra o jogo a favor da chapa da situação no Espírito Santo, na acirrada corrida em direção ao Palácio Anchieta.

De algum modo, a federação terá de ser contemplada por Ricardo na composição de sua chapa. O atual governador sabe disso e já deu declarações confirmando que a federação provavelmente terá lugar de destaque em sua coligação. As posições para isso seriam duas: a vice ou a segunda candidatura ao Senado. O União Progressista quer a primeira.

Como isso muda o jogo? Quem ganha, quem se fortalece e quem pode despontar para preencher o vácuo deixado por Da Vitória?

A decisão de Da Vitória e da federação liderada por ele muda sensivelmente o jogo da disputa pelo Senado no Espírito Santo, na medida em que descortina um novo cenário, mais aberto a outros postulantes. O anúncio de Da Vitória fortalece as aspirações de outros aliados de Ricardo e Casagrande interessados em ocupar a posição de segundo candidato a senador na chapa da situação.

Em primeira análise, a pré-candidatura da ex-senadora Rose de Freitas (MDB) ganha força. Na tarde desta terça-feira (9), logo após nossa conversa com Da Vitória, a própria respondeu à coluna que com certeza segue firme em sua pré-candidatura.

Mas outros aliados de Ricardo também podem despontar nas próximas semanas e entrar na briga para preencher a mesma vaga. Um deles é o deputado federal Gilson Daniel. Atenção ao nome dele e a suas movimentações até o período das convenções partidárias.

Até hoje fora do radar nessa disputa, o presidente estadual do Podemos passa a ser seriamente cotado, nos bastidores, para ser o segundo candidato a senador na coligação de Ricardo.

Gilson, a princípio, é pré-candidato à reeleição na Câmara Federal, onde está prestes a concluir o seu primeiro mandato. Mas, assim como Da Vitória, o ex-prefeito de Viana é presidente de um partido importante dentro da coligação de Ricardo e Casagrande.

O Podemos não só tem peso político no Espírito Santo como foi um dos primeiros a entrar no projeto de Ricardo e apoiá-lo. Ao então vice-governador, Gilson deu não só o seu endosso, como também o seu empenho pessoal, desde abril de 2025. Como diz o dito, quem chega primeiro bebe água limpa.

Não será surpresa se, nessa corrida para ficar com a segunda candidatura ao Senado, o dirigente do Podemos chegar atropelando na reta final. Olho nele.

Palavras de Da Vitória sinalizam apoio a Gilson Daniel

Outro fator que pode influir a favor de Gilson é a última parte da declaração de Da Vitória à coluna. Segundo o presidente estadual da “superfederação”, esta não quer ficar com a segunda candidatura ao Senado na chapa… mas quer participar da escolha.

Significa dizer que, além de emplacar um quadro próprio como vice de Ricardo, o União Progressista quer ajudar a emplacar um aliado de outra sigla como segundo candidato a senador.

Da Vitória é aliado de Gilson Daniel. Os dois são próximos politicamente. O mesmo vale para Marcelo Santos, presidente estadual do União Brasil – segunda perna da “superfederação”, ao lado do PP.

“Estaremos sendo consultados sobre o nome do segundo candidato a senador nessa construção. O Podemos também conversa sobre isso… até porque o MDB [partido de Rose] já tem uma contemplação, que é a cabeça da coligação. E os partidos que ganharam musculatura são os que formaram chapa para deputado federal”, afirma Da Vitória.

Implicitamente, a declaração do deputado sinaliza apoio a Gilson Daniel de três formas.

Primeiro, porque ele cita espontaneamente o Podemos;

Segundo, porque ele, nas entrelinhas, põe um óbice à pretensão de Rose: o fato de ela ser da mesma legenda de Ricardo, que também é do MDB e tem outros partidos aliados para contemplar em seu arranjo eleitoral;

Terceiro, porque, mesmo na coligação de Ricardo, pouquíssimos partidos conseguiram montar uma chapa para a Câmara dos Deputados no Espírito Santo. O Podemos de Gilson é um deles, assim como a Federação União Progressista e o PSB de Casagrande (que já tem o próprio como candidato a senador). O MDB de Ricardo e Rose não tem isso.

Por esse critério, quem fez o dever de casa e montou uma chapa completa, com 11 candidatos à Câmara, sai em vantagem e merece ser priorizado na definição dos espaços majoritários.

“É prematuro falar em nome. Pode ser que haja decisões aí de quem talvez hoje não pleiteia o Senado. Temos exercícios para fazer aí em junho”, encerra o sugestivo Da Vitória.

Fale com o colunista: vitor.vogas@gruposim.com.br

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