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Paulo Hartung vai participar das eleições 2026 no ES. Saiba como

Ex-governador se prepara para entrar no processo eleitoral no ES, seja “só” como apoiador de Pazolini para o Governo do Estado, seja também como candidato a senador. Nessa última hipótese, o caminho se mostra bem desimpedido para ele

Escrito por Vitor Vogas

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Paulo Hartung
Paulo Hartung

O ex-governador Paulo Hartung (PSD) está determinado a participar das eleições do Espírito Santo neste ano – algo que não ocorria desde 2014, quando foi candidato pela última vez ao Palácio Anchieta e derrotou Renato Casagrande (PSB). Participar de que maneira? No mínimo, como apoiador e cabo eleitoral do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa ao Governo do Estado. Mas sua participação nesse pleito pode ser muito maior: Hartung também pode vir como candidato ao Senado.

A primeira parte é certa: Hartung já tem muito bem resolvido, há um bom tempo, que não será candidato a governador novamente. Ao mesmo tempo, ele está decidido a apoiar o ex-prefeito de Vitória ao Palácio Anchieta. Seu apoio a Pazolini foi anunciado em entrevista a esta coluna no começo de fevereiro, e está mantido. Sob o lema da “renovação política”, Hartung não abre mão de ajudar o pré-candidato do Republicanos a derrotar o governador Ricardo Ferraço (MDB) e chegar ao Palácio Anchieta.

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A segunda parte não é certa, mas se mostra uma hipótese mais plausível a cada dia. O ex-governador tem intensificado suas movimentações e passa essa impressão até para aliados históricos com quem tem conversado sobre o processo eleitoral.

É o que atesta, por exemplo, o ex-deputado estadual Anselmo Tozi, um dos mais antigos e leais colaboradores de Hartung:

Fazia tempo que eu não via o Paulo tão animado a participar da política no Espírito Santo. Ele tem se movimentado muito e conversado com muita gente, tanto líderes políticos como empresariais. Paulo é enigmático, mas a movimentação dele dá a entender que ele pode, sim, ser candidato.”

Hartung também tem incentivado parceiros históricos dele a disputar as eleições para cargos menores – como é o caso do próprio Tozi, que tentará voltar à Assembleia depois de 20 anos. Secretário estadual de Saúde no segundo governo de Hartung (2007-2010), o médico faz parte do núcleo político do ex-governador desde o movimento estudantil.

Assim como Tozi, muitos aliados de Hartung estão concentrados agora no PSD, partido do ex-governador. Um deles é Edson Magalhães. Hartung já declarou apoio ao ex-prefeito de Guarapari, também pré-candidato a deputado estadual.

Por que possível candidato a senador?

“O Paulo nunca saiu do jogo político no Espírito Santo”, afirma um dos aliados e admiradores do ex-governador. Há controvérsias, porém.

Hartung talvez jamais tenha saído inteiramente do jogo político capixaba. Mas é fato que ele “sumiu de cena” por alguns anos.

Após ter ficado a um passo de ser candidato à vice-presidência da República (Luciano Huck recuou de concorrer ao Planalto) e ter desistido de disputar a reeleição para governador em 2018, Hartung saiu do MDB, encerrou seu terceiro governo e foi tocar sua vida profissional: diretor-presidente da Ibá, conselheiro da Vale, mentor do RenovaBR, entre outras ocupações.

Alguns chegaram a dizer que ele teria “desencarnado” da política local. Nas eleições municipais de 2020 e de 2024, sua participação, de fato, foi quase nula. Da disputa pelo Palácio Anchieta em 2022, manteve-se distante. Ao longo desses oito anos, mostrou um interesse bem maior em discutir pautas nacionais, procurando se envolver na agenda política e econômica do país, por meio de artigos, entrevistas e palestras. Seu foco parecia definitivamente desviado da política local.

Até a chegada de 2026.

No ano passado, Hartung filiou-se ao PSD – partido que já declarou apoio a Pazolini e está fechadinho com o Republicanos numa dobradinha que é a base da coligação majoritária liderada pelo ex-prefeito de Vitória. Filiado, o ex-governador voltou a ficar apto a disputar qualquer mandato.

O Senado acena como o mais lógico e factível, até porque, em primeiro lugar, guarda absoluta coerência com aquilo que acabamos de mencionar acima: o momento e o foco de Hartung, hoje muito voltados para a agenda nacional.

De volta ao Senado como representante do Espírito Santo, o ex-governador não só voltaria a ter mandato (e um longo mandato, de oito anos) como poderia voltar a influir diretamente nos projetos e votações que de fato definem os rumos do país. Ademais, dependendo do desfecho da disputa presidencial, poderia almejar até alguma participação mais direta no próximo governo federal.

O controle do jogo

Além disso, raciocinando de forma bem pragmática – e pragmatismo é algo que nunca faltou a Paulo Hartung –, uma pré-candidatura ao Senado é, hoje, um projeto bastante viável para o ex-governador. Na atual conjuntura, ele tem chances concretas (eu diria até que bem grandes) de realmente conseguir ser candidato, se assim realmente desejar.

Com os arranjos que Hartung e Erick Musso fizeram em março, o cenário ficou muito mais “desanuviado” para ele. Agora, os dois têm sob controle a candidatura (ou não) de vários potenciais aspirantes ao Senado, atraídos para dentro da aliança PSD-Republicanos – e agora, de certo modo, atados ou “presos” a essa escolha.

Serginho Meneguelli entrou no PSD. Manato e Evair de Melo entraram no Republicanos. Os três são pré-candidatos a senador. Mas, para conseguirem legenda, precisarão do aval das respectivas direções partidárias.

O Republicanos, no Espírito Santo, é controlado por Erick Musso (unha e carne com Hartung). Já o PSD, no fundo, é controlado por Hartung, em linha direta com Gilberto Kassab. O presidente estadual de direito é o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos.

Mas o próprio Renzo já afirmou aqui, mais de uma vez, que Kassab só lhe fez um pedido: dar a Paulo Hartung condições para que ele seja candidato ao que quiser. Renzo já reafirmou seu compromisso em cumprir a determinação do presidente nacional do PSD.

Vale lembrar que a coligação a ser liderada por Pazolini poderá ter dois candidatos ao Senado. E, até o momento, não tem nenhum deles definido. As duas vagas estão em aberto. Uma delas poderá (ou não) ser disponibilizada a Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta (PL).

Como sabem todos os envolvidos, essa é a maior condição de Magno para que o PL se coligue com o Republicanos e o PSD e apoie Pazolini para o governo. Para tanto, Pazolini terá de topar apoiar Maguinha.

Mas, mesmo se isso se concretizar, ainda restará uma vaga, a ser negociada entre os líderes do Republicanos e do PL. Se Paulo Hartung quiser se candidatar ao Senado, quem poderá lhe barrar o caminho?

Nesse caso, Manato, Evair e Sergio Meneguelli (de novo) podem se ver obrigados a desistir das respectivas pretensões.

Sei que pode soar maquiavélico, mas, ao entrar no PSD de Hartung ou no Republicanos de Erick Musso, esses outros postulantes ao Senado podem ter facilitado a própria “eliminação” no jogo.

Só no limite do prazo

De todo modo, como dito acima, Hartung é extremamente pragmático e só deve tomar essa decisão, com base em muita interpretação de pesquisas, lá no limite do prazo, no fim do período de convenções partidárias (de 20 de julho a 5 de agosto).

Outro ponto a ser considerado é que a prioridade máxima de Hartung é a vitória de Pazolini a governador (e a consequente derrota do projeto político representado por Ricardo Ferraço e Casagrande).

Para isso, conforme tem dito a interlocutores, o ex-governador está disposto a ser um facilitador da composição majoritária de Pazolini – até mesmo declinando de ser candidato ao Senado, se concluir que isso será necessário para garantir melhores condições eleitorais a seu favorito.

Ponte com empresários: o papel que PH já começa a exercitar em favor de Pazolini

Está tudo registrado no perfil dele no Instagram. Nos últimos 15 dias, Hartung participou de uma série de mesas, painéis e palestras Brasil afora, a convite de várias entidades (Fundação FHC, Diáspora Portuguesa, Impacta Mais – Fórum de Economia de Impacto, Movimento Pessoas à Frente), além de outros, em solo capixaba.

Esteve palestrando, por exemplo, para empresários em Vitória e em Cachoeiro de Itapemirim.

As conversas com empresários capixabas nos interessam em especial, no escopo desta análise, porque revelam que Hartung já ensaia um papel que ele certamente poderá exercer, sem aparecer tanto para o público, em favor de Pazolini na campanha: o de abrir portas para ele junto ao meio empresarial capixaba.

Sejamos francos: Pazolini tem dificuldades de “entrada” nesse meio. Em contrapartida, Casagrande e Ricardo Ferraço (sobretudo o atual governador) nadam de braçada no setor produtivo. Mas Hartung também goza de prestígio e de acesso junto ao empresariado capixaba. Pode ajudar a quebrar eventuais resistências a Pazolini e servir como ponte entre a campanha do ex-prefeito e esse meio.

Querem uma excelente amostra do que estamos a observar aqui? Foi dada pelo próprio Hartung, no Instagram. Há cerca de duas semanas, sua assessoria publicou alguns trechos da mesa de conversa que ele teve em Cachoeiro, com empresários do sul do Estado, sobre o futuro do Espírito Santo.

“O que eu vejo de problema para o Espírito Santo? Falta de olhar para o nosso futuro”, começou o ex-governador. Em seguida, discorreu sobre os riscos da iminente reforma tributária, da queda na arrecadação de receitas finitas do petróleo e assim por diante. E aí fez uma espécie de pedido de voto de confiança aos empresários que o ouviam:

“É isso que me motiva a fazer a renovação política no Espírito Santo, ou, pelo menos, tentar. Quem decide são vocês. ‘Ah, eu sempre segui o Paulo Hartung’. Então continue seguindo. Ontem eu ouvi isso numa palestra que fiz lá em Vitória: ‘Sempre te segui’. Então continue seguindo. Eu estou dizendo aqui pra onde eu acho que nós devemos ir agora. Temos que renovar essas coisas. Precisamos oxigenar o Espírito Santo”, defendeu.

Lembrando um dos slogans de sua vitoriosa campanha em 2014 (“Vamos sacudir o Espírito Santo”), o ex-governador ainda defendeu que o Estado precisa levar uma “sacudidela”:

“Quando você larga um grupo tempo demais no poder, seja ele qualquer grupo, aquele grupo começa a se sentir dono do poder. E aí começa a ter desvios, coisas erradas… independente do grupo político. Tá na hora de dar uma sacudidela e botar gente que levante a cabeça e olhe o futuro: o que nós vamos fazer para olhar para a frente, o que nós vamos fazer para manter o dinamismo da economia do Espírito Santo?”

Fale com o colunista: vitor.vogas@gruposim.com.br

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