Uma discussão acalorada entre um vereador e um assessor municipal foi parar na delegacia e virou caso de polícia na quinta-feira (22), em Vila Velha. Um assessor da Prefeitura de Vila Velha registrou boletim de ocorrência contra o vereador Pastor Fabiano (PL), opositor da administração do prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB), por ameaça.
Rafael de Souza, o assessor em questão, acusa Fabiano de ter ido atrás dele aparentando portar uma arma de fogo, após um desentendimento entre eles na entrada da sede da Câmara, no Centro de Vila Velha. O advogado do servidor, Estêvão Tomaz, informa que pretende apresentar queixa-crime em face do parlamentar.
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Fabiano admite ter protagonizado a discussão com o assessor, com direito a troca de ofensas, mas não confirma a informação de que teria perseguido Rafael com uma arma na mão e afirma que tomará as providências legais cabíveis contra ele. Na versão do vereador, ele é que viria sendo perseguido por agentes ligados à Prefeitura de Vila Velha.
“Não é de agora que estou sendo perseguido. Estou andando nas ruas com colete balístico e olhando para trás. Essa é minha vida hoje”, diz o parlamentar bolsonarista.
O relato do assessor
Rafael de Souza está lotado em cargo comissionado de assessor na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. Ele registrou boletim de ocorrência contra Fabiano às 16 horas de quinta-feira, na 2ª Delegacia Regional de Vila Velha, em Jaburuna. Segundo ele, os fatos ocorreram por volta das 13 horas.
“A vítima alega que, após desinteligência com o vereador identificado como ‘Pastor Fabiano’, às portas da Câmara Municipal de Vila Velha, este (suspeito) falou que ‘pegaria’ a vítima e, de imediato, subiu as escadas da Câmara a fim de alcançar o estacionamento”, narra o assessor da prefeitura, no boletim. Nesse ínterim, ele foi embora, de carro.
De acordo com o relato de Rafael, quando ele não estava mais no local, Fabiano teria sido visto, aparentemente, com uma arma de fogo na mão, por um segurança da própria Câmara (cujo nome será omitido):
“Noticia-se, por meio do segurança do órgão […], que o pastor aparentava portar uma arma de fogo quando retornou (à procura do comunicante)”.
O Ciodes foi acionado, mas, quando chegou à Câmara, os dois já não se encontravam lá.
Ainda no boletim de ocorrência, Rafael informa que pretende processar criminalmente o vereador.
A versão do vereador
Pastor Fabiano alega que, desde o início do seu mandato, em janeiro de 2025, tem sofrido perseguições.
“Não é a primeira vez que isso acontece. A gente está todo dia ouvindo e sofrendo pressão nas ruas e na Câmara. Eu já fiz três boletins de ocorrência por ameaça. É sempre gente ligada ao prefeito. Um já respondeu na Justiça e se retratou.”
O vereador alega, ainda, que estão tentando desqualificá-lo pelo fato de ele exercer um mandato de fiscalização e cobranças à prefeitura.
“Hoje sou uma das poucas vozes que gritam na defesa do trabalhador, das mães de filhos especiais que não conseguem ser atendidos na escola, das pessoas que não conseguem marcar um exame ou uma consulta… Sou uma das poucas vozes que estão tentando trazer a verdade em Vila Velha. Então, o que estão fazendo, desde o início do meu mandato, é tentar desqualificar o meu mandato.”
Sobre o caso específico, Fabiano dá a sua versão do ocorrido:
“Ontem, quando a gente estava saindo da Câmara, às portas da Casa, começou um bate-boca, um desentendimento entre nós. Ele começou a falar algumas coisas. Pela primeira vez na minha vida, retruquei, pois não sou de retrucar. Houve, sim, ofensas mútuas. Eu disse: ‘Não sou capacho de prefeito. Manda ele vir, deixa de ser covarde’.”
O vereador confirma que houve “uma confusão e uma discussão acalorada”, mas ressalta: “Tudo o que passar disso será tratado na Justiça. E faço questão que seja na Justiça. Este país tem leis, e as leis precisam ser respeitadas. Eu tive uma discussão com ele. Tudo o que for além disso, vamos à Justiça e ponto. Vou judicializar. Ele não buscou os meios legais?”
O que diz o advogado do assessor
O advogado de Rafael de Souza, Estêvão Tomaz, enviou à coluna a seguinte nota:
Neste momento, nós estamos dando suporte ao Rafael e à família. Também estamos colhendo todas as provas disponíveis, principalmente diante da afirmação do segurança da própria Câmara Municipal de aparente porte de arma pelo acusado.
Nós já solicitamos as imagens do sistema de vigilância da Câmara Municipal de Vila Velha, que ainda não foram disponibilizadas, mas serão importantíssimas para esclarecer a verdade dos fatos.
Quando estivermos em posse de todo o conjunto probatório, apresentaremos queixa-crime formal em face do acusado pelas ameaças dirigidas ao Rafael e avaliaremos a necessidade de outras medidas mais gravosas.