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Como Casagrande avalia o 1º mês de Ricardo no lugar dele no governo?

E mais: “no pique do Casão?” O que tem feito Renato Casagrande agora que não é mais governador? Como tem se mantido ocupado?

Escrito por Vitor Vogas

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O governador Ricardo Ferraço (MDB), sucessor de Renato Casagrande (PSB), completa no próximo sábado (2) um mês no cargo. Como é que seu antecessor e principal aliado avalia seu desempenho até agora? Foi o que perguntamos ao próprio Casagrande.

Endereçando muitos elogios ao parceiro, o ex-governador opina que Ricardo está não só mantendo “o ritmo e o rumo” do governo que ele lhe deixou, como até acelerando a intensidade de algumas ações.

“Ricardo está terminando o seu primeiro mês de governo e, diga-se de passagem, muito bem. Veja que o governo não perdeu, hora nenhuma, intensidade, ritmo, rumo… Ricardo está fechando o primeiro mês com um desempenho muito bom, consolidando o que a gente já sabia, como um gestor comprometido, trabalhador, com muita energia.”

Casagrande afirma que, na medida do possível, tem buscado contribuir com esse início de administração de Ricardo, por se considerar “corresponsável”, mas faz questão de sublinhar que a liderança agora é do sucessor a quem ele confiou o cargo:

“Eu tenho uma corresponsabilidade em acompanhar e ajudar, naquilo que eu puder ajudar. Mas a liderança é dele, tanto política como administrativa. Estou colaborando naquilo que posso colaborar, mas muito feliz com aquilo que a gente já tem de resultado neste primeiro mês. Ninguém percebeu redução de velocidade do governo. Houve manutenção e talvez até intensidade maior, pois Ricardo está de fato trabalhando de domingo a domingo”.

Na avaliação de Casagrande, os primeiros 30 dias de seu sucessor no governo provam à população capixaba que ele estava certo no que disse quando passou o bastão a Ricardo:

“Fico feliz com este primeiro mês de Ricardo, dando sequência àquilo que eu estava fazendo e aprofundando novos investimentos e novas ações. É um sentido de continuidade e de aperfeiçoamento. Quando eu saí do governo, eu falei da minha confiança e da segurança que eu tinha em sair do governo, mas deixá-lo com o Ricardo. Esse primeiro mês de Ricardo mostra que eu estava certo no que afirmei para a sociedade capixaba”.

RRRR”: O Ritmo e o Rumo de Ricardo e Renato

Nessa entrevista de Casagrande, o ex-governador mais uma vez prova que ele e Ricardo estão muito alinhados e afinados no que se refere aos elementos retóricos (terão feito o mesmo media training?). Desde antes da renúncia, nos discursos em eventos públicos, ele e Ricardo repetem algumas expressões fundamentais da estratégia de comunicação que prepararam para a transição.

“Sequência (ou continuidade) com aprimoramento” é uma delas. “Manter o Estado no mesmo ritmo e no mesmo rumo” é outra. “Manter e até acelerar a intensidade” é outra. Casagrande usou expressões assim em seu discurso de despedida, no dia 1º de abril. Ricardo também, em seu discurso de posse, no dia seguinte.

Casagrande também repete há meses a “confiança” e a “segurança” que Ricardo inspira nele, desde que o assumiu como seu candidato à sucessão, em dezembro do ano passado.

A nova rotina de Casagrande: o que tem feito ele agora que não é mais governador?

Em entrevista ao apresentador David Letterman, em série disponível na Netflix, o ex-presidente dos EUA Barack Obama revela qual foi a principal mudança que sentiu em seu cotidiano depois que deixou a Casa Branca: o tempo começou a parecer passar mais devagar. O senso de urgência (de tudo) se reduziu drasticamente.

Obama conta que, no processo de elaboração de seu livro de memórias, seu agente ligou para ele certa manhã para lhe dizer que um editor estava interessado em marcar uma reunião com ele. O ex-presidente disse: “Ótimo! Para quando? Em uma hora?”

“Não!”, respondeu-lhe o agente, espantado. “É para daqui a duas semanas.” Obama achou aquilo muito estranho, mas deu de ombros. É a vida normal, quando não se é o presidente da maior potência do mundo e não se precisa tomar, de hora em hora, uma série de decisões que impactam a vida de milhões ou bilhões em seu país e no resto do planeta.

Parafraseio o relato de Obama porque, guardadas as devidas proporções, Casagrande também passou recentemente por uma profunda mudança em sua rotina de atividades. Nas redes sociais, desde 2024, ele costuma brincar que está sempre “no pique do Casão”… mas é claro que o “pique”, desde o dia 2 de abril, já não precisa ser tão intenso, uma vez que ele não precisa mais cumprir a intensa agenda de governador… Será que ele já se acostumou com a inevitável “desaceleração”?

“Essa palavra não faz parte do meu vocabulário (risos)! Mas é lógico que a gente desacelera, porque o nível de responsabilidade e de compromisso se reduz, porque não tenho mais o dia a dia da agenda administrativa”, responde o ex-governador.

Ele conta que tem se dividido entre três tipos atividades: ajuda ao governo de Ricardo com o fornecimento de informações, atividades de articulação política e participação em eventos públicos do governo (ao lado do próprio Ricardo, que agora é o protagonista e fica com o discurso final). As duas últimas, é claro, também têm objetivos eleitorais.

Pré-candidato ao Senado pelo PSB, Casagrande já voltou a alugar e ocupar uma sala comercial em um prédio da Praia do Canto (a mesma ocupada por ele quando ficou sem mandato, entre 2015 e 2018). Também já transferiu para lá assessores (como sua ex-chefe de gabinete, Valésia Perozini) e tem recebido uma procissão de aliados políticos.

Ao mesmo tempo, figurar ao lado de Ricardo em entregas do governo é importante para ele manter seu recall e fixar no inconsciente coletivo a colagem de sua imagem à de Ricardo.

“Já me acostumei com essa desaceleração, até porque tenho atividades o dia inteiro também. Acompanho pontualmente as agendas do Ricardo: algumas inaugurações, algumas ordens de serviço… Uma parte da agenda é na articulação política. Uma parte da agenda ainda é dando informações que posso dar para dentro do governo, daquilo que encaminhei e assumi de compromisso”, relata Casagrande.

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