O deputado federal e candidato ao governo do Espírito Santo pelo Partido dos Trabalhadores, Helder Salomão, não começa sua corrida pelo Palácio Anchieta precisando apenas se apresentar como uma alternativa ao governo do Estado. Ele precisa romper uma barreira ideológica que é mais profunda no Espírito Santo do que em outras partes do país.
A difícil missão de Helder, e do PT, pode ser lida nos votos dos capixabas na última eleição presidencial. A vitória que Bolsonaro obteve no primeiro turno contra Lula — 52,23% contra 40,40% — foi ampliada no segundo, quando o ex-presidente alcançou 58,04% dos votos, enquanto o petista conquistou 41,96%. Na Grande Vitória, Bolsonaro venceu em todos os sete municípios. Das 78 cidades capixabas, Lula foi o mais votado em apenas 17.
“Na verdade, estamos empatados. Em 2002, 2006 e 2010, Lula e Dilma venceram no Espírito Santo. Em 2014, 2018 e 2022, Dilma, Haddad e Lula perderam aqui. Estamos empatados. E tenho certeza de que este ano vamos vencer e desempatar isso”, apostou o confiante candidato.
Mesmo com o Espírito Santo longe de ser considerado um Estado com DNA petista, a estratégia de Helder é colar sua imagem à popularidade do presidente Lula. “Vou rodar o Estado mostrando que o Lula tem um candidato aqui no Espírito Santo. Tenho certeza de que, com o início da propaganda eleitoral na TV, no dia 28 de agosto, vou poder conversar com a população e mostrar que a minha proximidade com o presidente Lula não é uma aliança política. É uma história de vida, construída há 40 anos. Vou mostrar como será bom para o desenvolvimento do Espírito Santo ter um governador do mesmo partido do presidente”, destacou Helder, que reconhece ainda não ser um dos políticos mais conhecidos dos capixabas.
“O atual governador está na mídia quase todos os dias. O outro candidato acabou de deixar a Prefeitura de Vitória. Então, a paridade de armas é muito desfavorável para mim. Não quer dizer que, quando começar a campanha, as condições ficarão iguais, porque eu não vou ter uma campanha cara como a deles. Mas eu vou a todos os debates e vou me apresentar para toda a população do Espírito Santo”, disse o parlamentar, que foi o deputado federal mais votado do Espírito Santo na última eleição, com 120.337 votos.
Mesmo diante do perfil mais à direita dos eleitores capixabas, conforme demonstrado nas três últimas eleições, Helder acredita que, assim que o eleitor o conhecer como “o candidato do presidente Lula”, sua intenção de voto deve subir nas pesquisas.
Nos últimos levantamentos, Helder tem aparecido em terceiro lugar, com sua pontuação variando de 8 a 11 pontos percentuais. “Quando a campanha for para a rua e eu puder conversar com a população nas propagandas, tenho certeza de que vamos chegar aos 30% e até 40% e vamos para o segundo turno”, avaliou.
Helder é um político experiente. Conquistou sete mandatos eletivos: foi vereador, deputado estadual, prefeito de Cariacica por dois mandatos e está em seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados. Sua análise de cenário, portanto, sempre merece crédito.
Professor de Filosofia concursado no Estado e na prefeitura da cidade onde foi prefeito, Helder tem um tom moderado e equilibrado. Mesmo sendo um petista histórico, está longe de ter aquele discurso mais agressivo de alguns colegas das alas mais radicais do partido. Helder tem hábitos simples e garante que sua vida não mudou desde que entrou para a vida pública. Tanto que abriu mão da aposentadoria como deputado e escolheu se aposentar como professor. Seus filhos ainda andam de transporte público. “Isso é natural para mim. Se a maioria dos jovens anda de ônibus, por que com meus filhos seria diferente?”, filosofou.
Mas as últimas pesquisas que avaliaram como os capixabas veem o governo Lula não são favoráveis ao petista. A pesquisa Real Time Big Data, realizada em julho, mostrou que 54% desaprovam o governo Lula. Já a pesquisa da Quaest, feita em abril, mostrou que 45% classificavam o governo como ruim ou péssimo, 27% como bom ou ótimo e 25% como regular. Isso só para citar alguns exemplos.
Mesmo garantindo que irá colar sua imagem à do presidente Lula, Helder terá a missão de separar sua candidatura da avaliação que a maioria dos capixabas faz do mandatário, que vai disputar sua sétima eleição presidencial.
Ele se diz animado. Mas terá uma missão difícil pela frente.