Quem acompanha futebol já deve ter ouvido falar no “mercado da bola”. É quando a janela de transferências se abre e começam a pipocar especulações, palpites e notícias que cravam a ida de determinado jogador para este ou aquele clube. Também é a época das famosas “cavadas”: quando um empresário tenta emplacar seu atleta em um time para valorizar o passe do representado.
A analogia com o mundo da bola serve bem para ilustrar o atual momento do “mercado político” capixaba. E o jogador mais disputado dessa janela é aquele — ou aquela — que vai vestir a camisa e entrar em campo ao lado do candidato ao governo Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Especulações não faltam. Conjecturas, muito menos. Nomes são testados, possibilidades são analisadas e versões circulam pelos bastidores. Mas, até aqui, o fato é um só: o segredo continua bem guardado. Ou, simplesmente, o nome ainda não foi definido. (Escrevo esta coluna na terça-feira, dia 11 de agosto, às 15h53.)
Fontes ouvidas pela coluna garantem que a escolha do vice está sendo tratada exclusivamente por Pazolini e seu fiel escudeiro, o presidente do Republicanos, Erick Musso. “Os nomes estão na mesa dos dois. Eles puxaram essa discussão só para eles, e essa decisão vai ser tomada apenas pelos dois”, disse um influente político ligado à dupla.
Tão difícil quanto descobrir quem será o vice do ex-prefeito de Vitória é conseguir falar com ele. Como se diz no jargão político, Pazolini e Erick “mergulharam”. Não concedem entrevistas, não atendem aos telefones e evitam dar pistas. Ontem, em um rápido encontro casual e inesperado com Pazolini, tentei arrancar alguma informação. Ele sorriu e foi sucinto ao ser questionado sobre quem será seu vice: “Eu não te conto porque ainda não está decidido”, disse, antes de cumprimentar rapidamente os presentes e entrar apressado em um elevador.
Enquanto Pazolini e Erick não se pronunciam, os nomes continuam pipocando no mercado político. “Eu acho que vai ser alguém que ninguém está esperando. Alguém que ninguém falou ainda”, destacou um vereador aliado de Pazolini.
Outra experiente raposa política que acompanha de perto as movimentações garante que há, pelo menos, uma convicção entre os dois: a busca por uma mulher. “A única certeza que nós temos é que eles estão focados em encontrar uma mulher para vice. Eles estão com os nomes e decidindo qual será. Com certeza, será uma mulher”, afirmou.
E, entre os nomes femininos, um começa a ganhar força: Hélida Regina Loreto. Líder comunitária da região de Goiabeiras, em Vitória, Hélida é uma das fundadoras da tradicional Associação das Paneleiras de Goiabeiras e tem trânsito político e comunitário na região. Hélida é filiada ao Democrata, partido que, ao lado do PL, está na coligação com o Republicanos de Pazolini. Nos bastidores, a avaliação é de que ela seria um nome “maior do que o próprio partido”. E justamente aí estaria uma vantagem: Pazolini poderia colocar ao seu lado uma legenda de menor expressão, com menos peso nas articulações e, consequentemente, menos demandas na montagem da chapa.
O PL, por sua vez, também está no radar, mas enfrenta uma questão de matemática — política e eleitoral.
“Acho difícil o PL emplacar alguém. Eles já estão com a Maguinha Malta na chapa para o Senado. Seria muito poder nas mãos de um mesmo partido”, comentou outra fonte ouvida pela coluna.
É nesse cenário que surge uma alternativa mais “caseira”. Uma liderança do Republicanos aposta que o partido pode lançar mão de um nome de dentro de casa. E, nessa hipótese, Adriana Bôas ganha força.
Adriana reúne algumas características que agradam à dupla Pazolini/Erick: é conservadora, cristã e atua em causas sociais, entre elas a defesa de pessoas no espectro autista. Nas duas últimas eleições, foi candidata a deputada federal pelo PL, mas migrou para o Republicanos.
Mas escolher um vice está longe de ser apenas uma questão de encontrar um nome que agrade ao cabeça de chapa. Há interesses partidários, projetos pessoais e, sobretudo, contas eleitorais a fazer. Os partidos têm quadros fortes e competitivos, mas convencer um candidato a abrir mão de um projeto individual em nome de um projeto coletivo nunca é tarefa simples.
É o caso, por exemplo, do próprio Erick Musso. Ainda há quem aposte que ele possa ser o escolhido para vice de Pazolini. O problema é que, se Erick abandonar a candidatura a deputado federal, o Republicanos perderia um nome competitivo na disputa proporcional e poderia ter mais dificuldade para alcançar o coeficiente eleitoral e eleger pelo menos um deputado. É por isso que a escolha do vice diz muito mais sobre a estratégia eleitoral de Pazolini do que simplesmente sobre quem ocupará o segundo lugar na chapa.
A definição deve sair nas próximas horas. Afinal, no domingo, os candidatos já poderão divulgar seus materiais de campanha. A janela está quase fechando.
Até lá, o jogo continua sendo jogado nos bastidores. Os nomes seguem circulando, as apostas continuam e a chave da gaveta onde está guardado o segredo permanece, ao menos por enquanto, nas mãos de apenas dois jogadores: Pazolini e Erick.