Alguns candidatos a deputado federal e estadual terão cabos eleitorais capazes de fazer toda a diferença nas eleições. Afinal, imagine entrar na disputa contando com o apoio de quem tem a caneta na mão e comanda a estrutura administrativa e de pessoal de uma prefeitura. Mesmo não sendo uma eleição municipal, muitos prefeitos já estão em campanha. Só que, desta vez, não é por eles. E sim, por seus pupilos e aliados.
Quando o assunto é a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, a maioria garante que dará uma atenção especial aos vereadores que formam a base do Executivo nas câmaras municipais. E, nesse ponto, para não correrem o risco de esquecer algum nome, a maioria dos prefeitos da Grande Vitória que conversou com a coluna prefere não citar candidatos.
Serra
“Para estadual, nós temos um leque de muitos aliados. E vamos tratar esses aliados de maneira igualitária para que todos eles continuem nos representando e para que tenhamos novas forças representando a cidade na Assembleia Legislativa”, destacou o prefeito da Serra, Weverson Meireles (PDT), que não citou nomes, mas deverá dividir seu apoio entre seis ou sete aliados.
Mas, quando o assunto é deputado federal, o prefeito tem a resposta na ponta da língua.
“O nosso candidato a deputado federal é Serginho Vidigal (Podemos). Serginho tem história na Serra, é serrano e, tanto na nossa gestão quanto na do ex-prefeito Sérgio Vidigal, sempre trabalhou pela cidade”, disse Weverson, que é “cria” política de seu antecessor.
Foi Vidigal quem lançou Weverson na política e quem, literalmente, o pegou pela mão durante a campanha e o conduziu na disputada eleição para prefeito da Serra, em 2024. Como diz o ditado, “quem meu filho beija, minha boca adoça”. Já era de se prever que o prefeito agora retribuiria o empenho do pai ajudando a eleger o filho.
Viana
Quem também é categórico ao afirmar que apoiará seu padrinho político é o prefeito de Viana, Wanderson Bueno (Podemos).
“A cidade de Viana tem um deputado federal: o deputado Gilson Daniel (Podemos). Ele é o meu candidato à reeleição. Com ele, a cidade de Viana conquistou esse espaço na Câmara dos Deputados, e nós vamos trabalhar para mantê-lo, para que Viana continue representada no Congresso Nacional”, cravou Wanderson, que também foi lançado à Prefeitura por Gilson Daniel, seu antecessor no comando do município.
Para deputado estadual, Wanderson disse que ainda está construindo sua rede de apoio.
“Nós temos algumas candidaturas na cidade, alguns vereadores serão candidatos e também temos aliança com outros candidatos da nossa base. Mas ainda não está definido. A gente trabalha hoje com cerca de seis candidaturas a deputado estadual.”
Além de entrar em campo para pedir votos aos seus aliados, Wanderson acumulará outra tarefa de peso: coordenar a elaboração do plano de governo do pré-candidato ao Governo do Estado, Ricardo Ferraço (MDB).
Vila Velha
Quem vive uma situação diferente neste ano é o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). Se, na última eleição estadual, ele usou todo o seu prestígio e capital político em prol da candidatura a deputado federal de seu vice, Victor Linhalis (PSB), agora pretende dividir forças entre alguns aliados. Na lista de Arnaldinho para a Câmara dos Deputados aparecem alguns ex-secretários de Renato Casagrande (PSB), evidenciando a força do grupo governista na cidade.
“Eu estou trabalhando para ajudar as candidaturas de Marcelo Santos (União Brasil), Tyago Hoffmann (PSB), Emanuela Pedroso (PSB), Rafael Pacheco (PSB), Victor Linhalis (PSB) e Da Vitória (PP)”, listou Arnaldinho, colocando seu antigo vice — que foi seu único candidato em 2022 — no meio de uma relação formada pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, pelo deputado federal Da Vitória e pelos ex-secretários Tyago, “Manu” e Rafael.
“Ninguém constrói uma cidade sozinho. Pensando nisso, estamos dividindo essas lideranças e dando a oportunidade de ajudar vários aliados que, ao longo desses anos, contribuíram para o desenvolvimento de Vila Velha”, afirmou Arnaldinho, ao explicar por que Linhalis não terá exclusividade em seu apoio neste pleito.
Para deputado estadual, Arnaldinho adotou a mesma estratégia do colega da Serra.
“Nós temos muitos vereadores candidatos a deputado estadual. E todos os vereadores que são nossos aliados estão sendo ajudados por mim. Também temos os candidatos do PSDB da nossa chapa, composta por lideranças de Vila Velha. Ou seja, todo mundo do nosso grupo político que é candidato a estadual está recebendo apoio e sendo apresentado às pessoas que gravitam no nosso entorno”, destacou o prefeito, que também preside o PSDB no Espírito Santo e chegou a ensaiar uma candidatura ao Governo do Estado. Depois de desfilar no Carnaval de Vitória ao lado do ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), Arnaldinho fechou apoio ao projeto de Ricardo Ferraço (MDB).
Cariacica
Em Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), bem ao seu estilo, respondeu em poucas palavras quando questionado sobre seu apoio nas eleições proporcionais.
“Eu tenho diversos candidatos e, por isso, não quero citar nenhum. Tenho os candidatos que são meus aliados e tenho os que são do meu coração”, resumiu o prefeito.
Mesmo sem revelar quem são seus candidatos “do coração”, é fácil identificar a relação próxima que mantém com os candidatos a deputado federal Messias Donato e Marcelo Santos e com o candidato à reeleição para deputado estadual Denninho Silva. Os três, do União Brasil, são muito próximos de Euclério. Denninho, inclusive, é parente do prefeito.
Vitória
Das principais cidades da Grande Vitória, quem deve se manter distante da disputa eleitoral é a prefeita da Capital, Cris Samorini (PP). Como se diz no meio político, a prefeita “mergulhou” nos últimos dias. Não tem concedido entrevistas nem falado sobre política. Secretários municipais e fontes do partido ouvidos pela coluna garantem que Cris pretende se concentrar apenas na administração da Prefeitura e não participará ativamente de nenhuma campanha.
Este será o primeiro processo eleitoral em que Cris estará com a caneta na mão, exercendo um mandato. Eleita vice-prefeita na chapa que reelegeu Lorenzo Pazolini (Republicanos), em 2024, ela assumiu o comando da Prefeitura quando o titular deixou o cargo para disputar o Governo do Estado.
Há quem diga que Cris recebeu uma orientação do próprio partido para não se envolver diretamente na eleição. Afinal, em Vitória, Pazolini é mais conhecido do que ela. Assim, não faria sentido utilizar o prestígio institucional da prefeita para promover o ex-prefeito em sua própria base eleitoral.
Mais do que prestígio político, os prefeitos comandam grandes equipes em suas administrações. E, em campanha, ‘gente' continua sendo um dos ativos mais valiosos para conquistar votos e levar o nome dos candidatos a cada canto da cidade.