As mudanças climáticas estão tornando secas, enchentes e crises de abastecimento mais frequentes, e esse cenário exige uma mudança na forma de gerir os recursos hídricos. Para a diretora interina da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Larissa Oliveira Rêgo, ampliar a segurança hídrica vai muito além da construção de barragens e depende de planejamento, informação qualificada, conservação ambiental e atuação integrada entre governos e sociedade.
Segundo a diretora, a segurança hídrica deixou de ser um tema restrito à gestão das águas e passou a ocupar uma posição estratégica para o desenvolvimento econômico, a proteção ambiental e a qualidade de vida da população. Afinal, os eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos, ampliando os riscos de secas, enchentes e problemas no abastecimento.
“A principal lição é que segurança hídrica não se constrói apenas com infraestrutura. Ela depende de instituições fortalecidas, informação qualificada, boa regulação, conservação ambiental e cooperação permanente entre os diferentes níveis de governo”, afirmou.
Água exige planejamento

Larissa destaca que, embora o Brasil concentre cerca de 12% da água doce superficial do planeta, essa disponibilidade está distribuída de forma desigual pelo território nacional. Ao mesmo tempo, o país enfrenta o avanço da variabilidade climática, da expansão urbana, do aumento da demanda por água e da pressão sobre os mananciais.
Para a diretora, esse conjunto de fatores exige uma gestão baseada em planejamento, dados e coordenação institucional. “Não existe segurança hídrica sem informação qualificada. É a capacidade de transformar dados em conhecimento e conhecimento em decisão que permite uma gestão eficiente dos recursos hídricos.”
A diretora explica que a ANA atua na coordenação de instrumentos estratégicos para apoiar esse trabalho, como a Rede Hidrometeorológica Nacional, o Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos, o Plano Nacional de Segurança Hídrica, o Relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos e o Monitor de Secas. Segundo ela, essas ferramentas ajudam a identificar vulnerabilidades, orientar investimentos e apoiar a tomada de decisão.
Espírito Santo convive com extremos
Na avaliação da diretora, o Espírito Santo reúne características que demonstram a importância da gestão integrada das águas. O Estado já enfrentou períodos severos de estiagem e também convive com episódios de chuvas intensas e inundações.
Larissa destaca a atuação do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Doce, desenvolvido em parceria entre a ANA e o Serviço Geológico do Brasil (SGB). A ferramenta monitora os níveis do rio e emite alertas de cheias para municípios mineiros e capixabas.
No território capixaba, o sistema acompanha diretamente os níveis do Rio Doce em Colatina e Linhares e beneficia indiretamente o município de Baixo Guandu. “Segurança hídrica não significa apenas enfrentar a escassez, mas também estar preparado para administrar eventos extremos e garantir resiliência para a população, para a economia e para os ecossistemas”, ressaltou Larissa.
Cooperação como prioridade
Para Larissa Oliveira Rêgo, a resposta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas depende da atuação conjunta entre diferentes instituições. Ela afirma que a água está presente em praticamente todas as atividades econômicas e sociais, o que torna indispensável a construção de soluções compartilhadas.
“A principal mensagem que quero levar é que a segurança hídrica não é responsabilidade de uma única instituição. Ela depende de cooperação permanente, planejamento de longo prazo e do compromisso compartilhado entre governos, setor produtivo, comunidade científica e sociedade.”
A diretora participará do Encontro das Águas, promovido pelo Grupo Sim, na terça-feira (30), em São Mateus. Durante o evento, representantes do poder público, especialistas e pesquisadores vão discutir os desafios da gestão dos recursos hídricos diante das mudanças climáticas e os caminhos para ampliar a segurança hídrica no Espírito Santo.
Encontro das Águas
Data: 30 de junho de 2026
Horário: 13h30
Local: Sesc São Mateus
Tema: O Espírito Santo que corre pelos rios.
Inscrições: no link





