A Polícia Civil prendeu em flagrante, na terça-feira (21), o ex-professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha, de 74 anos, por lesão corporal no contexto da Lei Maria da Penha. A ocorrência foi registrada em um apartamento no bairro Morada de Camburi, em Vitória.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da Polícia Militar foram acionadas pelo Ciodes para atender uma denúncia no endereço. Ao chegarem ao local, os militares fizeram contato com Manoel Luiz Malaguti, que informou que a companheira estava em surto e permanecia em um dos quartos do apartamento.
Os policiais conversaram com a mulher, que saiu do quarto para atendê-los. Durante a abordagem, ela afirmou ter sido agredida pelo companheiro no dia anterior. O registro policial informa que não foi possível verificar visualmente as lesões relatadas, já que ela usava calça no momento da ocorrência.
Diante do relato, o casal foi conduzido em viaturas separadas à Delegacia Regional de Vitória para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil informou que o ex-professor foi autuado em flagrante por lesão corporal com base na Lei Maria da Penha. O boletim também registra que ele não foi algemado porque, segundo a equipe policial, não oferecia risco à guarnição.
Demissão da Ufes
Manoel Luiz Malaguti já havia sido alvo de um processo administrativo que resultou em sua demissão da Ufes. O caso teve origem em 2014, após declarações feitas durante uma aula, quando afirmou que preferiria ser atendido por um médico ou advogado branco em vez de um negro. Ele também criticou a política de cotas raciais nas universidades e, na época, disse ao Folha Vitória que não se arrependia das declarações.
Embora tenha conseguido retornar ao cargo por decisão liminar da Justiça, a medida foi posteriormente revertida. A exoneração definitiva foi publicada no Diário Oficial da União em fevereiro de 2019.
A decisão que manteve a demissão teve como fundamento o artigo 132, inciso V, da Lei nº 8.112/90, que prevê a exoneração por “incontinência pública e conduta escandalosa na repartição”.
Agora, sete anos após deixar a universidade, o ex-professor volta a ser investigado, desta vez em um caso de violência doméstica.


