Rota 027
Hospedagem com lago cristalino e pub temático chama atenção no ES
Foto de Danielli Saquetto

Danielli Saquetto

Vivo pronta para cair na estrada. Apaixonada por descobrir novos caminhos, acredito que o Espírito Santo reúne mar, montanhas, sabores e histórias em um só lugar. A Rota 27 nasceu para mostrar isso: um convite para explorar o estado entre trilhas, cafés, cervejas artesanais e experiências que fazem do ES um destino para todos os gostos.
Estância Vollmond, em Santa Maria de Jetibá
Estância Vollmond, em Santa Maria de Jetibá. Foto: Reprodução

Viajar para descansar ganhou um novo significado nas montanhas capixabas. Em Santa Maria de Jetibá, um empreendimento cercado pela natureza tem chamado atenção ao unir lago cristalino, hospedagem temática, pub inspirado no rock e experiências pensadas nos detalhes. A proposta acompanha uma tendência crescente no turismo: o viajante que busca menos roteiro acelerado e mais conexão com o lugar.

Nos últimos anos, o turismo de experiência passou a ganhar força justamente por essa mudança no comportamento dos viajantes. Segundo a gestora estadual do Polo Sebrae-ES de Turismo de Experiência, Renata Vescovi, o turista passou a procurar viagens com mais significado, maior interação com os territórios e conexão com a cultura local e a natureza.

A Estância Vollmond funciona como um refúgio em meio ao verde. O espaço reúne piscina, restaurante, pub, lago ornamental, orquidário, apiário e hospedagem integrada à paisagem serrana. Tudo em um ambiente criado para permanência, contemplação e desaceleração.

Quartos inspirados em bandas e experiência sensorial

Lago cristalino da Estância Vollmond, em Santa Maria de Jetibá
Lago cristalino da Estância Vollmond, em Santa Maria de Jetibá. Foto: Danielli Saquetto

O lago cristalino é um dos cenários centrais da experiência. Cercado por uma passarela de madeira, ele pode ser percorrido a pé enquanto os visitantes observam espécies de peixes ornamentais e o movimento da água em meio à vegetação. Redes espalhadas pelo espaço reforçam a proposta de pausa em meio às montanhas.

“Não é uma experiência qualquer”, resume o empresário e proprietário Guilherme Guimarães. Segundo ele, a ideia do empreendimento nasceu justamente daquilo que ele gostaria de encontrar em uma hospedagem. “O que eles encontram aqui é o que eu gostaria de encontrar também. Você está envolvido dentro de música, dentro de experiências relacionadas ao vintage, ao rock, mas também tem uma paisagem encantadora.”

A proposta aparece principalmente nos quartos. Cada acomodação leva o nome de bandas como A-ha, Coldplay, U2 e Red Hot Chili Peppers. Logo na entrada, um código instalado no tapete direciona o hóspede automaticamente para playlists no Spotify ligadas ao tema do ambiente. Os quartos ainda contam com Alexa, varanda e decoração inspirada no universo musical. As diárias custam a partir de R$ 890.

O conceito também se espalha pelo restaurante e pelo pub, abertos ao público aos sábados e domingos. O espaço mistura guitarras autografadas, esculturas, motos customizadas e mesas de vidro montadas sobre motores expostos, criando um ambiente que foge da estética tradicional das pousadas de montanha.

Para Renata Vescovi, o turista atual já não procura apenas uma cama confortável ou um quarto bonito. “Hoje é preciso criar uma atmosfera de acolhimento e aconchego”, afirma. Segundo ela, hospedagens que conseguem integrar experiências locais, contato com a cultura e conexão com a natureza acabam se destacando em meio à concorrência.

Orquidário, apiário e turismo fora do óbvio

Café da manhã na piscina da Estância Vollmond, em Santa Maria de Jetibá
Café da manhã na piscina da Estância Vollmond, em Santa Maria de Jetibá. Foto: Danielli Saquetto

A gastronomia também faz parte da experiência. O restaurante trabalha com pratos individuais e opções para compartilhar, enquanto o café da manhã é servido à la carte, permitindo que os hóspedes escolham os itens diretamente de um cardápio oferecido. Além disso, a experiência pode ser personalizada: é possível escolher onde tomar o café, seja no pergolado, na área da piscina, no coreto ou no deck com vista para a natureza.

A busca por experiências personalizadas é, inclusive, uma das principais características do novo perfil de turista, segundo Renata. “As pessoas querem aquele momento de exclusividade, algo que pareça ter sido preparado para elas”, explica. Para ela, isso ajuda pequenos empreendimentos a agregarem valor aos serviços oferecidos e ampliarem a competitividade no setor.

Além da hospedagem, a estância abriu espaço para experiências ligadas ao turismo rural e de contemplação. O apiário reúne cerca de 180 colmeias de abelhas sem ferrão abertas à visitação. Já o orquidário cultiva espécies do gênero catiléia, produzidas no local há quase duas décadas.

“Se você quer conhecer como funciona essa produção, aqui você consegue ver de perto”, afirma Guilherme, que também é produtor de orquídeas desde 2006.

Renata destaca que regiões do interior têm se tornado cada vez mais atrativas justamente por oferecerem aquilo que muitos turistas passaram a valorizar depois da pandemia: bem-estar, autenticidade e reconexão. “O interior propicia momentos de transformação, de autoconhecimento e de reencontro consigo mesmo”, afirma. Segundo ela, a hospitalidade das comunidades interioranas e a força cultural desses territórios ajudam a transformar a viagem em uma experiência mais afetiva.

A empresária Janiele Sifronio saiu de Vila Velha no último sábado (16) ao lado do marido e dos dois filhos para conhecer o restaurante da estância depois de descobrir o espaço pelas redes sociais. A família foi jantar no bistrô e já decidiu voltar, desta vez para se hospedar.

“Eu vi no Instagram, achei lindo e queria conferir pessoalmente. A gente gosta muito desse tipo de turismo conectado com a natureza, mas sem abrir mão de conforto e comida boa. É o tipo de experiência que a nossa família procura”, contou.

Segundo levantamento do Sebrae/ES, cerca de 90% dos turistas brasileiros buscam experiências autênticas e contato mais próximo com a cultura e a natureza local. Destinos fora do óbvio e espaços voltados ao bem-estar têm ganhado força justamente por oferecer experiências mais personalizadas e ligadas à desaceleração.

Além de atrair visitantes, empreendimentos voltados ao turismo de experiência também ajudam a movimentar a economia regional. Segundo Renata, esse modelo fortalece pequenos produtores, artesãos e outros negócios ligados ao território, além de aumentar o tempo de permanência do turista no destino. “Quando você oferece mais atividades e experiências, o visitante fica mais tempo, consome mais e movimenta toda a cadeia produtiva”, afirma.

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