Depois de anos marcado pelos impactos do rompimento da barragem de Fundão, o Rio Doce começa a apresentar sinais de recuperação. No quarto e último episódio da série Encontro das Águas, exibido pela TV SIM/SBT nesta terça-feira (28), mostramos como um dos rios mais monitorados do mundo vem sendo acompanhado por equipes técnicas que monitoram a qualidade da água e dos sedimentos. Segundo a Samarco, esse trabalho de reparação ambiental seguirá até 2039.
A reportagem também acompanha os debates do primeiro Encontro das Águas, em São Mateus, que reuniu especialistas, pesquisadores e autoridades para discutir os desafios da preservação dos recursos hídricos no Espírito Santo.
Monitoramento acompanha água e sedimentos
O monitoramento é realizado por engenheiros ambientais, responsáveis por acompanhar periodicamente os chamados “sinais vitais” do rio. A água e os sedimentos são analisados de forma sistemática para avaliar a evolução da recuperação ambiental.
O coordenador de Meio Ambiente da Samarco, Pablo Silva, afirmou que as ações vão além do monitoramento e incluem iniciativas voltadas à recuperação das áreas degradadas. “A Samarco está muito comprometida com a reparação integral e definitiva dos impactos do rompimento da barragem de Fundão. A gente tem uma série de ações que são feitas no estado do Espírito Santo, reflorestamento de áreas prioritárias para melhorar a qualidade da água, a quantidade de água. E temos também planos de monitoramento, tanto de água quanto de sedimentos, que vão perdurar por uns 15 anos, até 2039.”
Segundo o roteiro apresentado durante a série, o monitoramento da Samarco abrange 82 pontos distribuídos ao longo de 690 quilômetros do Rio Doce, além de 244 mil metros da zona costeira e estuarina. Equipamentos específicos permitem medir a velocidade da correnteza, a profundidade do leito e parâmetros como temperatura, acidez, oxigênio dissolvido e turbidez da água. As amostras também passam por análises laboratoriais.
Encontro em São Mateus

A recuperação do Rio Doce foi um dos assuntos debatidos durante o primeiro Encontro das Águas, que reuniu cerca de 600 convidados em São Mateus. O evento contou com representantes de órgãos públicos, universidades, entidades ambientais e comitês de bacias hidrográficas para discutir soluções voltadas à preservação dos recursos hídricos.
O presidente da APEA-ES, Giuliano Battisti, defendeu que o tema precisa ultrapassar os espaços técnicos e ganhar espaço na sociedade. “Estar participando, estar apoiando o Encontro das Águas é muito importante, porque em um evento como esse nós temos discussões de vários aspectos que envolvem o recurso hídrico e a escassez de água. O tema da água não pode ficar numa caixinha isolada, é um tema que tem que ir para a sociedade, tem que ser discutido, porque é um problema emergente.”
Entre os desafios apresentados, especialistas destacaram a necessidade de fortalecer políticas públicas para proteção dos mananciais e ampliar o uso sustentável da água.
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O secretário de Estado do Meio Ambiente, Victor Ricciardi, afirmou que o Espírito Santo trabalha na construção dessas políticas. “Estamos construindo políticas públicas para proteger os mananciais, incentivar o consumo sustentável e fazer com que nós vamos liderar esse debate em nível Brasil.”
Para o diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, o encontro contribui para aproximar a população da realidade das bacias hidrográficas.
“Então, muitas pessoas acham que a água nasce na torneira. Pois bem, a água nasce na bacia hidrográfica, lá na nascente, lá naquela grotinha, no interior. Então, esse Encontro das Águas proporciona a gente difundir conhecimento e trocar experiência.”
Já o diretor-geral do Idaf, Ronaldo Lubiana, ressaltou a importância de ampliar a divulgação sobre o tema. “O Idaf precisa sair das quatro paredes e mostrar a cara. Vocês estão de parabéns em divulgar isso e a gente conta com essa divulgação positiva.”
Nascentes e Cunha Salina entram no debate
A recuperação das nascentes também foi apontada como prioridade durante os debates. O juiz Carlos Magno Noan, integrante da Comissão de Logística Sustentável do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, defendeu que as experiências apresentadas durante o encontro sejam compartilhadas entre os municípios.
“Hoje, como nós vimos aqui nesse Encontro das Águas, tantas ideias que foram trazidas, todas elas podem ser compartilhadas. Quase todos os municípios conhecem as realidades diversas”, apontou o juiz Carlos Magno Noan.
Outro assunto abordado foi o avanço da Cunha Salina no Rio Cricaré, em São Mateus, fenômeno que ameaça o ecossistema da região. O tema foi lembrado pelo acionista do Grupo SIM, Rui Baromeu, e pelo prefeito de São Mateus.
O prefeito destacou a implantação de um dessalinizador como uma das medidas adotadas pelo município. “Nós conseguimos trazer um dessalinizador e vimos que tudo é possível quando se dedica e se quer fazer. São Mateus precisa disso. O primeiro Encontro das Águas sediado aqui é uma preocupação real e forte da nossa população.”
Debate terá continuidade
Ao encerrar a primeira edição do Encontro das Águas, os organizadores destacaram que a proposta é manter o tema dos recursos hídricos em discussão permanente, reunindo sociedade, especialistas e poder público para debater soluções voltadas à preservação da água no Espírito Santo.
A CEO do Grupo SIM, Giselle Alves, afirmou que a comunicação tem papel importante na disseminação desse debate.
“O papel do Grupo SIM é exatamente isso, conectar pessoas para que a gente possa promover o debate. Esse é o papel da comunicação, trazer para todo o Estado o debate para que a gente possa sair daqui com algum aprendizado sobre como vamos cuidar das próximas gerações. Nesse momento, estamos cuidando do nosso futuro.”





