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Vitor Vogas

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A vitória do Vini Jr. contra o racismo e os racistas

Pode dizer o Vini: “Veni, vidi et vici” / Venceu os bárbaros com os pés e com a voz / Viu e viveu essa barbárie que persiste / Mas rebelou-se contra o sentimento atroz /// Já é vencedor na luta contra o preconceito / Por recusar-se a aceitar e consentir / Por não baixar a testa, não admitir / Mas exigir dignidade e respeito

Escrito por Vitor Vogas

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Da arquibancada, vem o animalesco urro
Canto execrável, bestial imitação
Enquanto ele salta e dá no ar um murro
E dança em êxtase na comemoração

Em “sobe som”, se espalham os gritos degradantes
Onda crescente, em mais um triste episódio
Pelo estádio (est’ódio?), gradativamente,
Se avolumam as expressões de puro ódio

Ódio no estádio em estado bruto, genuíno
Votos de morte, um boneco enforcado
Gritos de “mono” dirigidos ao menino
Por sua pele, comparado a um macaco

Mal sabem eles que o verdadeiro mico
Quem tá pagando são os autores das ofensas
Fundo do poço foi atingido no domingo
Segundo tempo do Real contra o Valencia

Mas não contavam com a coragem do garoto
Que se ergueu contra o racismo no esporte
Contra aqueles que preferem vê-lo morto
Deu vivo grito do seu peito preto e forte

No mesmo peito em que ele a bola mata
Vive um coração valente, corajoso
Por isso ele se levanta a cada falta
E aos racistas peita e enfrenta nesse jogo

O Vini joga com a vinte, muito justo
Vinte está certo, pois é igual a dez mais dez
É dez por ser um craque com a bola nos pés
E nota dez por se erguer contra os insultos

Pode dizer o Vini: “Veni, vidi et vici
Venceu os bárbaros com os pés e com a voz
Viu e viveu essa barbárie que persiste
Mas rebelou-se contra o sentimento atroz

Já é vencedor na luta contra o preconceito
Por recusar-se a aceitar e consentir
Por não baixar a testa, não admitir
Mas exigir dignidade e respeito

Enquanto alguns com a peneira tapam o sol
E argumentam que a perfeita reação
É não reagir, “seguir jogando futebol”
O Vini decidiu peitar, partir pra ação

Enquanto alguns acham que o melhor a fazer
É fazer nada, simplesmente ignorar
O Vini reagiu e ao mundo vem dizer:
“Não sou obrigado a tais insultos tolerar!”

Fazer de conta que o racismo não existe
Ou pretender que é normal e “segue a vida”
Não muda em nada essa realidade triste
Passou da hora de alterarmos a partida

Por isso o Vini gritou “Basta!”. Tu o ouviste?
Por isso, pois, pôs o seu dedo na ferida
Por isso colocou o mesmo dedo em riste
Para apontar na arquibancada os racistas

E apontá-los igualmente na tribuna
Os dirigentes com inclinação fascista
Que tratam de justificar, com a velha escusa:
“A culpa é dele por vibrar como um passista”

Aquela tribuna de honra é uma desonra
A começar pelos cartolas de La Liga
Pra quem o Vini é o culpado, uma vergonha
E que executa aquela estratégia antiga

Fazendo dos papéis a clássica inversão
Dando à vítima o lugar de agressor
Dizendo que ele é quem faz provocação
Só porque dança quando muda o marcador

É sério que o real problema são as dancinhas
Que ele arrisca ao comemorar seus gols?
Gol é orgasmo, futebol é alegria
Essa hipocrisia toda já cansou!

E o pior é o presidente de La Liga
O qual nem liga e perpetua esse esquema
Essa argumentação mofada e racista
Como se fosse o jogador real problema

E quanto à prensa espanhola, o que pensa?
Prefere nem tocar no tema, passar pano
Propensa a fechar os olhos às ofensas
Perpetuando e normalizando os danos

Vini está certo em cobrar mais punição
Penas severas a quem cabe mesmo a culpa
Prisão aos torcedores; aos clubes, suspensão
Perda de mando e pontos; não bastam desculpas

Esse moleque humilde lá de São Gonçalo
Está ensinando como virar a partida
E que o racismo, é preciso expulsá-lo
De todo campo, no esporte e na vida

Bate no peito, peita e exige mais respeito
Racismo é só uma coisa: um grave crime
Na luta contra o racismo, o preconceito
Jogamos com o Vini neste mesmo time

Obs: Republicação de texto do colunista publicado em dezembro de 2023, no Portal ES360. Naquele momento, Vini Jr. havia acabado de sofrer mais um caso de racismo em partida de seu time, o Real Madrid, contra o Valencia, na Espanha. Os insultos partiram de torcedores. Depois disso, ainda viriam tantos outros, como o do jogador argentino do Benfica… mas ele não se dobra. Vini Jr. não é só um craque da bola. É um herói da luta contra o racismo no esporte e na vida.

Foto: Patricia de Melo Moreira/ AFP

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