A revolução da inteligência artificial já movimenta bilhões de reais no Brasil, mas o Espírito Santo ainda participa de forma tímida dessa corrida tecnológica. Enquanto instituições federais ampliam o apoio financeiro para projetos de inovação, especialistas alertam que empresas capixabas estão deixando escapar oportunidades importantes para acelerar a transformação digital e ganhar competitividade.
Entre 2023 e fevereiro de 2026, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) aprovaram mais de R$ 10,5 bilhões em recursos destinados a iniciativas ligadas à inteligência artificial. Os investimentos contemplam crédito, subvenção econômica, recursos não reembolsáveis e participação societária em empresas inovadoras.
Apesar do volume expressivo de recursos disponíveis, a participação capixaba ainda é considerada pequena. De acordo com a consultoria Bbutton Ventures, muitas empresas do Estado ainda desconhecem os mecanismos de financiamento voltados para inovação ou enfrentam dificuldades para estruturar projetos capazes de competir pelos recursos.
Segundo o sócio da empresa, Flávio Aguilar, ainda existe a percepção equivocada de que os programas de incentivo são voltados apenas para grandes corporações ou empresas de tecnologia.
“Existe uma falsa percepção de que inovação financiada é algo restrito às grandes empresas ou às gigantes da tecnologia. Mas hoje existem linhas voltadas justamente para negócios de médio porte que querem modernizar processos, aplicar inteligência artificial, automatizar operações ou desenvolver novos produtos”, afirma.
Os números mostram a dimensão dos investimentos realizados no país. O BNDES já aprovou cerca de R$ 5,1 bilhões para projetos relacionados à inteligência artificial, enquanto a Finep soma R$ 4,25 bilhões em operações voltadas ao setor. Já a Embrapii apoiou mais de 630 projetos ligados ao desenvolvimento e aplicação da tecnologia.
Para a Bbutton Ventures, o principal desafio não está na disponibilidade de recursos, mas na capacidade das empresas de identificar oportunidades e desenvolver projetos alinhados aos critérios exigidos pelos programas de fomento.
“Não é mais sobre tendência; é sobrevivência empresarial. A corrida da IA já começou e quem não se movimentar agora vai perder competitividade nos próximos anos”, destaca o sócio Yuri Nico.
Potencial ainda pouco explorado
A consultoria atua na estruturação de projetos de inovação e afirma já ter participado de iniciativas que movimentaram mais de R$ 250 milhões em investimentos em setores como construção civil, saúde, educação, moda, indústria moveleira e varejo. Os projetos incluem automação industrial, digitalização de processos, inteligência de dados, desenvolvimento de novos produtos e modernização operacional.
No Espírito Santo, entretanto, os indicadores ainda mostram espaço para crescimento. Até o fim do ano passado, apenas cerca de 3% do crédito concedido pela Finep chegou a empresas capixabas, percentual considerado baixo diante do potencial econômico e industrial do Estado.
Inteligência artificial ganha espaço nas empresas
Além da indústria, os recursos atualmente disponíveis contemplam projetos voltados para logística, produtividade, atendimento inteligente, análise de dados, experiência do cliente e automação de processos. São áreas que já começam a incorporar soluções de inteligência artificial para aumentar eficiência e reduzir custos.
A expectativa do mercado é de que os investimentos avancem ainda mais nos próximos anos, impulsionados pela política de neoindustrialização brasileira e pela crescente demanda por produtividade. Nesse cenário, especialistas avaliam que empresas capazes de acessar os recursos disponíveis e acelerar sua transformação digital tendem a conquistar vantagem competitiva em um mercado cada vez mais orientado por tecnologia e dados.


