Os produtores capixabas terão acesso a uma novidade pioneira no Brasil. No próximo dia 15 de maio, será lançado o primeiro viveiro de mudas certificadas de gengibre do país. O Espírito Santo é o maior produtor nacional da especiaria e agora é o primeiro Estado a registrar uma variedade cultivada do rizoma.
Mesmo produzido em vários estados da federação, como Paraná, São Paulo e, é claro, o Espírito Santo, o gengibre não possuía o Registro de Proteção de Cultivar no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Só agora que uma espécie foi devidamente registrada. A apresentação da variedade chamada “Imigrante” é uma parceria entre a Cooperativa dos Produtores de Gengibre da Região Serrana do Espírito Santo (Coopginger) e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
A professora do Campus de Alegre do Ifes Ana Paula Berilli, que junto com o professor Antônio Fernando de Souza, do Campus de Santa Teresa, coordenou esse trabalho e explicou como essa pesquisa uniu academia, cooperativismo e o produtor capixaba.
“Nós identificamos que não havia nenhum estudo, em nível de Brasil, que tivesse feito caracterização e registro de cultivar de gengibre. Embora o gengibre contribua para gerar divisas importantes para o nosso Estado, nunca havia sido feito esse estudo com os materiais genéticos cultivados pelos agricultores capixabas. Então, montamos uma equipe de pesquisa e fizemos esse trabalho chamado ‘Melhoramento Participativo’, que foi todo conduzido dentro das propriedades dos produtores, em especial do Alexandre Lenk Belz, que é o produtor parceiro e detentor desse material genético. O que o Ifes fez foi a transferência de tecnologia. Ou seja, nós fizemos todo o tipo de estudo genético, molecular, anatómico, fisiológico desses materiais em laboratório e, quando fomos buscar uma referência para comparar o nosso material genético com o que já existia no país, observamos que não tinha nenhuma cultivar de gengibre registrada no Brasil”, destacou a professora.
“A importância de uma cultivar (variedade cultivada) está no fato de você disponibilizar para o produtor um material genético conhecido. Assim, quem for plantar essa variedade de gengibre já saberá qual a capacidade produtiva daquela muda, qual altura a planta vai alcançar, como deve ser o manejo, qual a melhor época de plantio e colheita e onde ela está adaptada. É uma entrega importante que fazemos para a comunidade porque o produtor ficará sabendo exatamente o que ele está adquirindo”, completou a pesquisadora.
A presidente da Coopginger, Leonarda Plaster, acredita que a novidade vai melhorar ainda mais a qualidade e, por consequência, o valor dos rizomas produzidos na Região Serrana do Espírito Santo.
“Esse é um momento muito especial para nós. Primeiro porque foi desenvolvido por um produtor que é nosso cooperado. O Alexandre Belz está trabalhando há muitos anos para chegar nesse estágio que ele alcançou. E, em segundo lugar, graças a esse trabalho, agora todos os nossos cooperados podem ter acesso a essa cultivar que trará grandes benefícios à cadeia do gengibre. Depois de todo esse trabalho de pesquisa, agora poderemos agregar valor ao nosso gengibre”, pontuou.





