Brancos e tintos mostram as virtudes da Bodega Garzón
Antonio Carlos Leite
14 de novembro de 2019
Durante muito tempo, os produtores do Uruguai pareciam exercitar, em suas vinícolas, a polarização proposta por Cecília Meireles em “Ou Isto ou Aquilo…”. “Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares!”. Talvez com receio de fazer vinhos exageradamente macios, as casas uruguaias faziam tintos extremamente potentes, na maioria das vezes produzidos apenas com a Tannat, uva francesa de excelente adaptação nos solos cisplatinos.
Mas é possível deixar de ser isso sem necessariamente tornar-se aquilo. As vinícolas uruguaias, de tempos para cá, começaram a buscar novos caminhos para seus rótulos. A Tannat ganhou mais companhia, em mesclas bem feitas. Vinhos brancos passaram a ser feitos com qualidade exemplar. E castas pouco conhecidas ganharam mais atenção. Isso tudo acompanhado da modernização das técnicas e intensa melhoria dos locais onde os tintos e brancos são produzidos, alguns elencados hoje entre os mais belos pontos de enoturismo do planeta.
Uma pequena, mas importante mostra desse atual estágio da produção foi dada em degustação promovida pela Wine Vix em Vitória. Alguns dos rótulos da Garzón comprovaram a qualidade da casa localizada bem ao sul do Uruguai, num terreno próximo ao Atlântico e tomado pelo balasto, um tipo de solo de granito, com muita drenagem e bastante permeável, levando as raízes a se aprofundar por vários metros. Essa mistura de mar e mineralidade se traduz nas notas exibidas por muitos dos rótulos, desde o Albariño Single Vineyard, um branco incomum, até o raro Alabasto, tinto top da casa.
A Garzón é consequência da união de poder e conhecimento. O poder vem do proprietário, o bilionário argentino Alejandro Bulgheroni, conhecido pela dureza nos negócios. O conhecimento veio do enólogo Alberto Antonini, celebrado por sua sensibilidade na produção de grandes vinhos. Entre a dureza absoluta e a sensibilidade total, existe o caminho da virtude, marcado pelo equilíbrio, essa qualidade quase impossível de ser encontrada quando as pessoas insistem em ser apenas isso ou somente aquilo…
Garzón Single Vineyard Albariño
Garzón Single Vineyard Albariño. Foto: Divulgação
Trata-se de um branco muito especial. Feito a partir de vinhas com baixo rendimento, ou seja, com frutas de características acentuadas. Parte do vinho (20%) passa até seis meses em barris de carvalho. O resultado é um branco mineral, complexo, incomum. Grande vinho.
R$: 199,00
Garzón Tannat Single Vineyard
Garzón Tannat Single Vineyard. Foto: Divulgação
As características da Tannat aparecem de uma forma mais elegante. Vinho estruturado, robusto, mas macio. Agradável para se tomar jovem, mas com enorme capacidade de envelhecer bem e se tornar ainda maior.
R$: 199,00
Garzón Marselan Reserva
Garzón Marselan Reserva. Foto: Divulgação
Tinto com qualidades superior ao seu preço. A Marselan, ainda pouco conhecida, é amadurecida no processo de sur lie (o mosto passa mais tempo em contato com a casca) em barricas de carvalho francês de 5 mil litros. Torna-se um vinho redondo, macio. Fácil de beber.
R$: 110,00
Garzón Estate Cabernet de Corte
Garzón Estate Cabernet de Corte. Foto: Divulgação
Mescla de Cabernet Franc (80%), Tannat (10%), Marselan (5%) e Merlot (5%). Não passa por madeira. Ou seja, encontramos na taça muitos toques de frutas silvestres, frutas vermelhas. Um tinto leve e muito gostoso. Ótimo preço.
R$: 80,00