Agro & Coop
Quando o cooperativismo e a educação andam de mãos dadas
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Vinícius Baptista

Vinícius Baptista é jornalista, especialista em Gestão de Pessoas e Marketing Político, e apaixonado por contar histórias. Ao longo dos anos, tem rodado o Estado para mostrar como que o agro e o cooperativismo tem transformado a vida das pessoas.

Imagine uma escola onde os pais decidem tudo em assembleia. Desde o sistema pedagógico, a contratação dos professores, o valor da mensalidade e o que fazer com os recursos arrecadados. O que parece algo distante da realidade para muitas pessoas, faz parte da essência das cooperativas educacionais. No último fim de semana, uma dessas escolas tirou do papel um sonho antigo, graças a esse modelo cooperativista. A escola Cooperação, de Santa Maria de Jetibá, inaugurou um ginásio poliesportivo novinho. Um investimento de R$ 600 mil que foi planejado, levantado e investido pelos pais dos alunos que formam a cooperativa.

O projeto foi idealizado no segundo semestre de 2024, período de transição da instituição para o modelo de cooperativa de pais, afinal, antes os cooperados eram os professores. A obra durou aproximadamente um ano e quatro meses e algumas mudanças de rota foram feitas no caminho. No ano passado, o clima interferiu no andamento dos trabalhos, já que as chuvas causaram deslizamentos de terra na área inicial. O Conselho de Administração da cooperativa, em conjunto com a equipe técnica de engenharia, optou pela construção de muros de arrimo para estabilização do solo, e o projeto acabou sendo ampliado.

Estive lá em Santa Maria para conhecer a escola quando a quadra ainda estava em obra. O diretor da Cooperação, Charles Moura, me explicou que os pais escolheram até a forma de investir os recursos da construção, por meio de um Fundo Rotativo de Investimento.  Instituído em dezembro de 2024, o fundo permitiu que os próprios cooperados aportassem recursos para viabilizar a obra.

Segundo o diretor, o modelo de livre adesão assegurou a execução do projeto sem a necessidade de recorrer a empréstimos bancários com juros de mercado. “O capital investido será devolvido aos cooperados em quatro parcelas anuais, corrigidas pelo IPCA, assegurando a saúde financeira da cooperativa e reforçando o compromisso dos associados com o investimento direto no futuro educacional de seus filhos”, destacou o diretor.

O Espírito Santo possui hoje sete escolas que são cooperativas formadas por pais de alunos. Em colégios que têm o cooperativismo até no nome, os alunos aprendem desde cedo a importância da comunidade estar unida em torno de um mesmo objetivo.

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