Delegada presa em SP ligada ao PCC foi cabo da PM no ES

Investigação aponta que a delegada teria atuado de forma irregular em benefício de integrantes da facção criminosa. A prisão foi realizada na manhã desta sexta-feira (16)

Escrito por Redação

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Foto: Layla Lima Ayub/Instagram

*Com informações do Estadão

A delegada de Polícia Civil Layla Lima Ayub, de 36 anos, foi presa na manhã desta sexta-feira (16), em São Paulo, suspeita de manter vínculos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Antes de ingressar na Polícia Civil paulista, ela atuou como cabo da Polícia Militar do Espírito Santo entre 2014 e 2022. Conforme dados do Portal da Transparência do Poder Executivo do Espírito Santo, Layla também foi estagiária de Direito na Defensoria Pública do Estado.

Segundo reportagem do Estadão, a prisão ocorreu no âmbito da Operação Serpens, deflagrada pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com o Gaeco do Pará. A investigação apura a atuação da delegada, recém-empossada no cargo, em favor da facção criminosa, incluindo vínculos pessoais e profissionais com integrantes do PCC.

Durante a abordagem, os investigadores apreenderam dois celulares. Após a prisão, Layla entregou voluntariamente um terceiro chip telefônico. Ela será indiciada pelos crimes de exercício irregular da profissão, integração em organização criminosa, falsidade ideológica e associação para o tráfico de drogas.

De acordo com os investigadores, no momento da prisão, a delegada não negou manter ligação com a facção e admitiu que seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como “Dedel”, é integrante “batizado” do PCC.

Layla foi empossada como delegada em cerimônia realizada no Palácio dos Bandeirantes, no dia 19 de dezembro, com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, ela esteve acompanhada de “Dedel”, apontado pelo Ministério Público como uma das lideranças do PCC no Pará.

Prisão

A prisão ocorreu em uma casa alugada na zona oeste da capital paulista. Em seguida, a delegada foi conduzida à Academia da Polícia Civil, onde mantinha pertences guardados em um armário. O material será recolhido para a coleta de novas provas.

Segundo o Ministério Público, Layla mantinha vínculos pessoais e profissionais com membros da organização criminosa e teria atuado de forma irregular como advogada em audiências de custódia de presos ligados à facção, mesmo após ter assumido o cargo de delegada.

A Justiça expediu sete mandados de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de São Paulo e Marabá, no sudeste do Pará, além de dois mandados de prisão temporária. As ordens foram expedidas pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da capital e tiveram como alvos a delegada e Jardel Neto Pereira da Cruz.

As investigações indicam ainda que Layla e Jardel passaram a morar juntos em São Paulo após a posse da delegada, período em que ela frequentava o curso de formação na Academia da Polícia Civil. Há indícios de que o casal tenha adquirido uma padaria na zona leste da capital paulista pouco tempo depois da mudança, com suspeita de utilização do estabelecimento para lavagem de dinheiro do crime organizado.

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