Com a queda de temperatura, aumentam os atendimentos por doenças respiratórias no Espírito Santo. No outono, vírus encontram condições favoráveis para circular, e sintomas como tosse, febre e coriza passam a fazer parte da rotina de muitos pacientes.
Segundo a infectologista Polyana Gitirana, do Hospital Vitória Apart, o período é marcado pela maior incidência de infecções causadas por diferentes vírus. Ela explica que influenza, rinovírus, coronavírus, adenovírus e vírus sincicial respiratório estão entre os principais agentes e costumam provocar quadros com sinais semelhantes. “De forma geral, os sintomas são muito parecidos”, afirma.
Apesar disso, há diferenças importantes. A médica destaca que gripe, causada pelo vírus influenza, tende a apresentar sintomas mais intensos, como febre alta, prostração e tosse forte. Já o resfriado costuma ser mais leve, com coriza, espirros e desconforto menor.
A bronquite, por sua vez, envolve inflamação das vias respiratórias e pode causar tosse persistente, chiado no peito e dificuldade para respirar, exigindo atenção, principalmente em pessoas com histórico de doenças respiratórias.
Polyana ressalta que, em alguns casos, apenas exames laboratoriais permitem diferenciar com precisão o vírus responsável. “Para diferenciar com segurança, apenas com exames específicos, como o PCR”, diz.
Bronquiolite preocupa
Entre os quadros que ganham destaque nesta época está a bronquiolite, que atinge principalmente crianças pequenas e é causada, na maioria dos casos, pelo vírus sincicial respiratório.
A infectologista afirma que o padrão da doença tem mudado e passado a surgir mais cedo. “Tradicionalmente, a bronquiolite tinha pico no inverno, mas temos observado um início ainda no outono, o que exige atenção redobrada”, explica.
A coordenadora pediátrica do Hospital Vitória Apart, Patrícia Saraiva, reforça que o cuidado deve ser maior com bebês e crianças pequenas. Ela orienta que sinais como tosse intensa, chiado no peito e dificuldade para respirar devem ser avaliados rapidamente. “Em casos em que a criança apresenta dificuldade para mamar ou respirar, é necessário procurar atendimento imediato”, afirma.
Sinais de alerta e prevenção
O período também pode agravar doenças alérgicas, como rinite e asma. Segundo Polyana, o ar seco e a permanência em ambientes fechados favorecem crises, o que exige cuidados simples no dia a dia.
A médica orienta manter os ambientes ventilados, evitar umidade, higienizar as mãos com frequência e manter a vacinação em dia. O uso de máscara ao apresentar sintomas também ajuda a reduzir a transmissão.
Além disso, alguns sinais indicam a necessidade de atendimento imediato, como febre alta persistente, dificuldade para respirar, dor no peito, sonolência excessiva e vômitos intensos.
Com o aumento dos casos no outono, especialistas recomendam atenção aos sintomas e avaliação médica diante de sinais de agravamento, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.


