A Justiça do Espírito Santo determinou a prisão preventiva de quatro pessoas — entre elas três guardas municipais de Vila Velha — investigadas na Operação Telic, deflagrada para combater a atuação de organização criminosa na região da Grande Terra Vermelha. A decisão atende a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Central).
No caso dos agentes públicos, as prisões temporárias foram convertidas em preventivas a pedido do MPES.
A operação teve como alvo núcleos do grupo criminoso conhecido como Primeiro Comando de Vitória (PCV), com atuação na região. Além das prisões, a Justiça também determinou a manutenção do afastamento dos guardas de suas funções, com suspensão do porte de arma, uso de distintivo e acesso a sistemas institucionais, como forma de preservar as investigações e evitar novas irregularidades.
Ao todo, seis pessoas foram denunciadas por crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, peculato, prevaricação e violação de sigilo funcional.
Desvio de drogas e informações sigilosas
De acordo com a denúncia, os três guardas municipais investigados utilizavam a estrutura do cargo para desviar drogas e valores provenientes de apreensões, beneficiando traficantes e usuários. Em troca, segundo o MPES, deixavam de realizar operações e repassavam informações sensíveis sobre ações policiais.
As investigações apontam que parte do material apreendido não era registrada oficialmente, sendo destinada à revenda no mercado ilegal ou ao consumo de outros envolvidos — prática que pode configurar, em tese, os crimes de peculato e tráfico de drogas.
Também foi identificada a existência de uma rede paralela de informantes, que recebia entorpecentes desviados como pagamento por dados estratégicos sobre o tráfico, armamentos e a rotina de grupos criminosos.
Estrutura do esquema
Ainda conforme o Ministério Público, um dos guardas exercia papel central no esquema, atuando como responsável pela logística financeira e pela distribuição do material desviado. Ele também teria acessado, de forma reiterada e sem justificativa, sistemas de segurança pública, como o Infopen, o Portal Sesp-ES e o Detrannet, repassando informações sigilosas a terceiros.
Para o MPES, essas condutas caracterizam o crime de violação de sigilo funcional em sua forma qualificada.


