Caparaó oferece roteiro de experiências com cafés especiais

Projeto reúne dez propriedades em quatro municípios e aposta no turismo de experiência para ampliar renda dos produtores e reter visitantes na região

Escrito por ES360

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Relíquia do Café em Divino São Lourenço. Foto: Reprodução/Instagam

O Caparaó passou a oferecer um roteiro estruturado de experiências com cafés especiais que reúne dez propriedades rurais distribuídas em quatro municípios da região, ampliando a oferta turística para além das trilhas e cachoeiras e colocando o visitante dentro das fazendas produtoras.

A iniciativa, apoiada pelo Sebrae Guaçuí, organiza um roteiro de experiências com cafés da denominação de origem Caparaó, sem a lógica tradicional de uma rota linear em quilômetros. A proposta é permitir que o turista encontre ofertas em diferentes localidades, de acordo com onde estiver hospedado ou circulando.

Segundo Leonardo Ferreira, analista técnico do Sebrae Guaçuí, o formato foi pensado para respeitar as características de cada território. “A gente criou um roteiro de experiência com cafés especiais da denominação de origem Caparaó. Ele é diferente porque abrange várias partes da região, que apesar de ser única, tem estilos bem distintos”, afirma.

Em Dores do Rio Preto, uma das participantes é a produtora Viviane Aparecida Leal Vilete, do Chalé Dois Corações e do Café Rota das Garças. Para ela, o roteiro funciona como uma vitrine integrada de tudo o que é produzido no sítio. “Essa rota ajuda muito porque dá visibilidade a tudo o que a gente faz aqui. Trabalhamos com agroindústria, horta e café, então é tudo integrado. O café acaba sendo a porta de entrada para o turista conhecer as outras atividades”, explica.

Onde estão os empreendimentos

O roteiro reúne três empreendimentos em Dores do Rio Preto, incluindo propriedades na sede do município e em Pedra Menina. Em Patrimônio da Penha, distrito que envolve áreas de Divino de São Lourenço e do Rio de Janeiro, são mais três participantes. Outros dois estão na região do Príncipe, em Iúna, e há ainda estabelecimentos em Irupi e áreas próximas.

Ao todo, são dez propriedades integradas. A escolha, segundo Ferreira, buscou garantir capilaridade e evitar a ideia de consumo repetitivo. “A pessoa não vai ficar indo de um café para outro na mesma visita. O que a gente quer é que ela tenha opções quando estiver em uma determinada localidade, explorando o que é mais forte da região”, explica.

Experiências que vão além da xícara

As experiências variam conforme cada propriedade. Há visitas à lavoura, contato com a história das famílias produtoras, cafés contemplativos e até atividades práticas, como a torra do próprio café para levar para casa.

No Chalé Dois Corações, a proposta é permitir que o visitante vivencie um pouco da rotina do sítio, conhecendo de perto como funciona a produção e o dia a dia da família. Segundo Viviane, a iniciativa reflete o interesse em compartilhar a forma como vivem e trabalham no campo, unindo hospitalidade e atividades produtivas, algo que sempre fez parte da relação deles com quem chega para conhecer o espaço.

Entre os participantes estão produtores premiados e nomes já reconhecidos no mercado de cafés especiais, como o campeão de 2024, além de torrefadores consolidados e novos empreendedores que estão iniciando no segmento. “Tem produtores muito bons, tanto pela excelência do café quanto pela forma como recebem o turista. E também gente nova entrando agora, que passa a ter a oportunidade de se desenvolver”, diz Ferreira.

O analista do Sebrae cita como exemplos o Sítio Relíquia, a Vila Januária, o Café do Príncipe, em Iúna, e o Vale Encantado, em Irupi, cada um com propostas diferentes de vivência. No Café do Príncipe, por exemplo, o visitante pode participar da experiência de torrefação. “É uma das experiências mais diferentes, você torrar o seu próprio café e levar para casa”, destaca.

Villa Januária em Dores do Rio Preto
Villa Januária em Dores do Rio Preto. Foto: Reprodução

Impacto que vai além da propriedade

Para Viviane, os efeitos do roteiro não ficam restritos a quem recebe o turista. “Isso é muito bom para a cidade toda. Vindo mais pessoas, as lojas vendem mais, o mercado vende mais. Não é só a gente, acaba levando tudo junto”, afirma.

A empreendedora conta que o café servido na propriedade também funciona como uma vitrine para outros produtores locais. Segundo ela, a proposta não se limita aos itens produzidos no próprio sítio, mas inclui produtos de parceiros da região, como queijos e biscoitos artesanais, contribuindo para dar visibilidade a outros empreendedores e fortalecer a economia local de forma coletiva.

Consultoria para transformar produção em turismo

O Sebrae atuou por meio de consultoria voltada ao desenvolvimento do turismo de experiência dentro das propriedades. A proposta não foi criar pacotes prontos, mas ajudar cada produtor a identificar o que já fazia e transformar isso em uma oferta turística organizada.

“O produtor olhou para a propriedade dele, para os recursos e para a vivência que já tinha, e criou a própria experiência. O Sebrae entrou para modelar isso junto com ele, explicando como funciona uma experiência turística, como organizar o espaço e como comunicar”, afirma Ferreira.

A seleção dos participantes contou com o apoio da Associação de Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e teve como diretriz ampliar o alcance territorial da iniciativa, incluindo empreendimentos fora dos circuitos mais conhecidos. A proposta buscou evitar a concentração em localidades já consolidadas, como Pedra Menina, e estimular produtores e prefeituras a reconhecerem o valor da cadeia do café para além das etapas de plantio e comercialização, incorporando também o turismo e a experiência como parte desse processo.

Mais tempo do turista na região

Café Dois Corações em Dores do Rio Preto
Café Dois Corações em Dores do Rio Preto. Foto: Reprodução/Instagram

A expectativa é que o roteiro ajude a reter o visitante por mais tempo no Caparaó, região distante da Grande Vitória e que muitas vezes recebe turistas em passagens rápidas. Com mais opções, o produtor amplia a renda e o visitante encontra atividades além dos atrativos naturais.

“Cada lugar propôs uma coisa diferente. Tudo gira em torno do café, mas cada um tem uma proposta própria. Ficou muito bacana”, resume Viviane.

Além da consultoria, o Sebrae entregou materiais de divulgação, como fotos profissionais, vídeos, folders impressos e versões digitais, além de ajustes em ferramentas como Google Maps. A proposta é consolidar o Caparaó como destino de turismo de experiência ligado ao café — com mais histórias, mais conexões e mais motivos para ficar.

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