O mês de maio começa com um alerta ligado no Espírito Santo: a chuva deve perder força ainda mais, enquanto o calor continua acima do normal em todas as regiões do Estado. A combinação preocupa porque aumenta o risco de estiagem, incêndios florestais e pressão sobre reservatórios e lavouras.
A previsão climática divulgada pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) aponta que maio marca a consolidação do período seco no Espírito Santo. A tendência é de redução das chuvas, aumento da amplitude térmica e predomínio de dias mais estáveis, principalmente no interior.
Mesmo com algumas frentes frias passando pelo litoral ao longo das próximas semanas, os volumes de chuva devem seguir baixos e mal distribuídos.
Norte e Noroeste entram em atenção
As regiões Norte e Noroeste aparecem entre as áreas mais vulneráveis neste começo de estiagem. Segundo o levantamento meteorológico, municípios dessas regiões já terminaram abril com forte déficit hídrico, cenário que tende a se intensificar em maio.
Água Doce do Norte, Pedro Canário, Conceição da Barra e Vila Valério estão entre os municípios que registraram os piores saldos no balanço entre chuva e perda de água para a atmosfera.
O Incaper alerta que o calor combinado com baixa umidade do ar favorece o ressecamento da vegetação e aumenta o risco de queimadas.
Calor continua mesmo com o avanço do outono
Apesar da chegada das noites mais frias, as temperaturas máximas devem continuar elevadas em maio. A previsão indica valores acima da média climatológica em todas as regiões capixabas.
Nas áreas mais baixas do Norte, Nordeste e Noroeste, as máximas podem ficar entre 27 °C e 30 °C ao longo do mês. Já nas regiões serranas, o destaque deve ser para o contraste entre tardes mais quentes e madrugadas frias.
Em cidades de maior altitude, como Domingos Martins, Santa Teresa e Venda Nova do Imigrante, o resfriamento noturno tende a ser mais intenso.
Chuvas ficam mais raras
Maio já é historicamente um mês mais seco no Espírito Santo, mas a previsão para 2026 reforça esse cenário.
Segundo os modelos climáticos usados pelo Incaper, a região Sudeste deve ter chuvas abaixo da média entre maio e julho. No Espírito Santo, os poucos episódios de precipitação devem ocorrer principalmente com a passagem de frentes frias pelo litoral.
Mesmo assim, essas chuvas tendem a ser rápidas, fracas e irregulares.
Nas regiões Norte, Nordeste e Noroeste, os acumulados médios previstos para maio variam entre 40 e 90 milímetros. No Sul e na Serrana, os volumes podem chegar a até 120 milímetros em alguns pontos.
El Niño segue no radar
O Pacífico Equatorial continua em condição de neutralidade climática, sem atuação de El Niño ou La Niña neste momento. Ainda assim, os meteorologistas acompanham a possibilidade de formação de um novo El Niño no segundo semestre.
A previsão aponta 61% de chance de transição para o fenômeno nos próximos meses.
Incêndios e uso da água preocupam
Com menos chuva e temperaturas elevadas, o Incaper recomenda atenção redobrada para o uso da água e para o risco de incêndios florestais.
A orientação é que produtores rurais reforcem o planejamento da irrigação e monitorem pragas favorecidas pelo tempo seco e quente.
Para a população, a recomendação é manter a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nas horas mais quentes do dia e acompanhar os avisos meteorológicos atualizados pelo Incaper.


