O empresário e ex-prefeito de Cariacica Geraldo Luzia de Oliveira Júnior, o Juninho, vai passar por uma cirurgia na sexta-feira (8), em São Paulo, para retirada de um tumor benigno conhecido como schwannoma vestibular. O procedimento será realizado no Hospital Santa Catarina, com uma equipe médica ligada ao Hospital Sírio-Libanês.
A descoberta veio depois de anos convivendo com perda auditiva, excesso de cera no ouvido e crises de desequilíbrio que eram tratadas como labirintite. Juninho contou que os sintomas se intensificaram nos últimos anos, mas o diagnóstico acabou ficando em segundo plano durante o período em que acompanhava a doença e a morte da esposa, Nabila Furtado, em abril de 2025.
“Eu abandonei tudo, não quis saber de nada durante um bom tempo. Quando chegou outubro do ano passado, eu comecei a ficar surdo de novo”, relatou.
Ainda segundo o ex-prefeito, a médica que o acompanhava já investigava o caso há algum tempo. Em 2024, pediu uma ressonância do crânio para esclarecer dúvidas sobre o quadro. O exame foi feito, mas o resultado só foi discutido mais um de ano depois.
“No dia 2 de fevereiro deste ano, quando eu fui à consulta, peguei a ressonância e levei pra ela. Quando ela abriu, perguntou: ‘Cadê o laudo daqui?’. Eu falei que não sabia. Aí ela perguntou: ‘Você não viu o resultado?’. Eu disse que não. Então ela falou: ‘Você está com tumor’.”
Sintomas confundidos com labirintite
Juninho afirmou que os episódios de tontura começaram ainda em 2020, quando estava na prefeitura de Cariacica. Na época, acreditava estar lidando com crises de labirintite. “Eu levantava e parecia que estava tudo desequilibrado. A gente começou a tratar isso como labirintite, e já não era. Era um tumor que estava se manifestando e crescendo.”
O ex-prefeito de Cariacica perdeu a audição do ouvido direito e relatou que situações simples passaram a ser limitadas pela condição, já que o contato com a água agravava o desconforto e o impedia até de entrar no mar ou na piscina.
O tumor, segundo os médicos, tem características benignas e não exige, neste momento, quimioterapia ou radioterapia. Ainda assim, o procedimento envolve riscos e possíveis sequelas.
Possíveis sequelas
Durante as consultas em São Paulo, Juninho ouviu dos médicos que poderá enfrentar paralisia facial temporária, dificuldades na deglutição e alterações na voz após a cirurgia.
“Ele abriu a caixinha da surpresa e começou a falar. Disse que eu poderia ficar com paralisia facial, deficiência no músculo da deglutição, afetando a voz”, contou.
Segundo o médico responsável, os efeitos costumam ser reversíveis em até dois anos. O especialista também informou ao ex-prefeito que a equipe realiza esse tipo de cirurgia há três décadas e que o índice de sequelas permanentes é baixo.
A cirurgia deve durar cerca de quatro horas e meia. Depois do procedimento, Juninho ficará por pelo menos 15 dias em São Paulo para acompanhamento médico, incluindo período na UTI e internação hospitalar.
Diagnóstico foi mantido em segredo
Juninho decidiu não contar sobre a doença imediatamente à família. O diagnóstico chegou pouco antes do Carnaval, período em que a filha mais velha estrearia como primeira porta-bandeira da escola de samba Independente de Boa Vista.
“Eu não quis deixar ninguém nervoso, muito menos ela”, lembrou.
Na mesma época, ele fez uma viagem aos Estados Unidos com as filhas e preferiu não contar sobre o diagnóstico. Durante o passeio, evitou participar dos brinquedos por causa das crises de desequilíbrio que sentia com frequência e que, mais tarde, descobriu serem provocadas pelo tumor.
A conversa com a família aconteceu apenas em março, durante uma reunião na casa da mãe. “Eu falei pra elas que ia fazer uma cirurgia, que estava tudo sob controle, mas que era um tumor benigno.”
Rotina mantida e preparação para cirurgia
Mesmo após o diagnóstico, Juninho manteve a rotina de trabalho e intensificou a atividade física. Hoje, ele atua como CEO de um grupo responsável pela gestão de hospitais de transição em Vila Velha e em Brasília.
“Eu comecei a correr mais, perdi seis quilos, mudei hábitos alimentares. Já pensando na cirurgia e no pós-operatório.”
Ele viajará acompanhado do irmão, que pediu licença do trabalho para permanecer ao seu lado durante o tratamento.
Alerta para exames e investigação dos sintomas
Ao tornar o caso público, Juninho disse que quis evitar especulações sobre possíveis sequelas após a cirurgia, mas também chamar atenção para sintomas frequentemente ignorados.
“Às vezes a gente acha que é só cera no ouvido, só labirintite, só tontura. E de repente não é só isso.”
O ex-prefeito também fez um alerta sobre a resistência de muitos homens em procurar atendimento médico. “Principalmente os homens, que não procuram médico e vivem na automedicação. O dia que conseguir uma consulta, precisa falar tudo o que sente, porque às vezes uma coisa aparentemente simples pode fazer sentido.”


