O El Niño volta ao radar das previsões climáticas, mas o impacto no Espírito Santo não deve ser direto. Mesmo com a possibilidade de formação do fenômeno ao longo deste ano, estudos indicam que ele não altera de forma significativa o padrão de chuvas e temperaturas no estado, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que interfere na circulação de ventos e na distribuição de umidade pelo planeta. Esse processo pode afetar diferentes regiões do Brasil, mas o comportamento no território capixaba tende a seguir outro padrão.
O que dizem as previsões
De acordo com o Incaper, o clima ainda é influenciado pela La Niña, com tendência de transição para a fase neutra nos próximos meses. A probabilidade é de 55% de predomínio dessa condição até o trimestre entre maio e julho de 2026.
A partir do trimestre entre junho e agosto de 2026, aumenta a chance de formação do El Niño, com probabilidade de 62%, podendo se estender até o final do ano.
Impacto no Espírito Santo
Mesmo com esse cenário, não há indicativos consistentes de influência direta do El Niño sobre o Espírito Santo. O Incaper aponta que, em média, o fenômeno não altera de forma relevante o regime de chuvas no estado.
Na prática, isso significa que eventuais mudanças no clima local não podem ser associadas diretamente ao El Niño.
Para o outono de 2026, a previsão do Incaper indica chuvas dentro da média histórica e temperaturas acima da média em todas as regiões. Essas condições estão ligadas à transição de estação.
Efeitos na agricultura
Sem influência direta do fenômeno, os impactos na produção agrícola capixaba estão relacionados ao comportamento típico do período. O Incaper aponta que as temperaturas mais elevadas podem aumentar a evapotranspiração e o estresse hídrico, especialmente em áreas do Norte e Noroeste.
As chuvas devem seguir dentro da média, sem indicativos de extremos generalizados. No início do período, o ambiente ainda quente e úmido pode favorecer o surgimento de pragas e doenças nas lavouras.
O que observar no campo
Com base nas orientações do Incaper, os produtores devem intensificar o monitoramento das condições do solo e das culturas e ajustar o calendário de irrigação, principalmente em áreas com déficit hídrico.
Também é recomendado manter atenção ao surgimento de pragas e doenças e planejar o manejo considerando a redução gradual das chuvas a partir de maio.


