O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan após o registro de 42 casos de reações adversas consideradas mais graves em diferentes regiões do país. A decisão afeta diretamente o Espírito Santo, que recebeu mais de 26 mil doses do imunizante.
Segundo a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), do total recebido, 8.873 (dados de 08/06/26). As doses disponíveis ficarão armazenadas nas redes municipais até a Sesa receber novas orientações do MS.
Segundo o Governo Federal, a suspensão tem caráter preventivo e foi recomendada para que órgãos de saúde aprofundem a investigação dos casos registrados após a aplicação do imunizante. Entre os pacientes monitorados, três precisaram ser hospitalizados e dois morreram. No entanto, o Ministério da Saúde ressalta que ainda não há comprovação de que os eventos tenham sido causados pela vacina.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que afirmou que a medida busca garantir uma análise detalhada dos episódios relatados. “Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que Ministério da Saúde, Anvisa e Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos”, explicou.
Antes da suspensão, o Espírito Santo havia recebido a primeira remessa da Butantan-DV, vacina nacional contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Ao todo, 10.640 doses chegaram ao Estado e seriam distribuídas para as regionais de saúde e municípios da Região Metropolitana.
Leia também
Com a decisão do Ministério da Saúde, a aplicação das doses fica suspensa até a conclusão das investigações e a divulgação de novas orientações pelos órgãos responsáveis.
Até o fim de maio, mais de 500 mil doses da vacina do Butantan haviam sido aplicadas no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, 3.703 pessoas relataram sintomas semelhantes aos da dengue após a imunização, o equivalente a 0,7% do total de vacinados.
Entre esses casos, 42 apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Três pacientes desenvolveram quadros graves e precisaram de internação hospitalar.
Os casos estão sendo analisados por especialistas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Instituto Butantan e do sistema nacional de farmacovigilância.
O Ministério da Saúde esclareceu que a suspensão vale apenas para a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida não afeta a Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda, que continua sendo aplicada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a pasta, a interrupção temporária não invalida a eficácia da vacina nem retira a proteção já adquirida pelas pessoas que receberam o imunizante. O objetivo é identificar possíveis fatores de risco relacionados aos casos registrados e garantir a segurança da população.


