
Roupagem de sucesso para dar credibilidade
Segundo o delegado Eduardo Passamani, titular da Decon-ES, a influenciadora usava uma estratégia de marketing baseada na ostentação para passar credibilidade como empresária de sucesso. “Ela vendia a imagem de alguém financeiramente resolvida. Nas redes, aparecia com itens de marcas caras, morando em um dos bairros mais valorizados do estado e com o filho estudando em escola de alto padrão”, explicou. Apesar da imagem, o site e as redes sociais usados no esquema escondiam indícios de irregularidades. De acordo com os investigadores, muitas das páginas ocultavam comentários negativos para manter uma boa reputação digital. O perfil da loja virtual, por exemplo, apresentava mais de 700 reclamações no site Reclame Aqui, mas mantinha nota alta — o que pode ter sido manipulado com respostas automáticas ou simulação de resoluções. Além disso, o site possuía um CNPJ registrado no Espírito Santo e, embora os responsáveis alegassem operar dos Estados Unidos, a base de operação e armazenamento estava em Vila Velha.Material apreendido e suspeita de fraude sofisticada
Durante a ação, foram apreendidos computadores, notebooks, celulares, documentos e um veículo. O material será periciado para apurar o alcance da fraude e identificar outros possíveis envolvidos. A Polícia Civil também confirmou que houve bloqueio judicial de bens e valores, permitindo que vítimas se habilitem no processo criminal para tentar reaver os prejuízos. O Procon-ES orienta que consumidores lesados procurem o órgão para registrar reclamações, o que pode ajudar na quantificação dos danos causados.Criança vivia em condições insalubres
A operação também flagrou uma situação grave de violação de direitos de uma criança. No imóvel de um dos alvos, uma criança de 11 anos foi encontrada em condições insalubres. O local estava tomado por restos de comida apodrecida, sujeira generalizada, falta de cama e presença de fezes de animais. O Conselho Tutelar foi acionado e atestou situação de maus-tratos. A influenciadora e seu irmão, que moravam com a criança, foram presos em flagrante. A criança foi entregue a um familiar após avaliação do Conselho. Segundo Passamani, os dois devem responder por maus-tratos com base na nova legislação sancionada na semana anterior à operação, que elevou a pena para esse tipo de crime para até cinco anos de prisão. As investigações continuam, e a Polícia Civil reforça que consumidores que se sentirem lesados devem procurar a delegacia ou o Procon para contribuir com o inquérito.


