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O Brasil no compasso do otimismo cético
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Bolsa de valores. Imagem: Freepik
Bolsa de valores – imagem ilustrativa. Foto: Freepik
O Brasil de hoje é, ao mesmo tempo, um caso de progresso real e de oportunidades desperdiçadas. Desde a redemocratização, o país acumulou avanços institucionais e econômicos importantes: o Plano Real estabilizou a moeda e domou a hiperinflação; as privatizações ampliaram a eficiência de setores estratégicos; mais recentemente, a reforma da Previdência, o novo marco do saneamento básico, a autonomia do Banco Central e a ampliação das parcerias público-privadas, especialmente em infraestrutura, fortaleceram os alicerces de uma economia mais moderna e resiliente. Esses passos geraram frutos: a inflação segue controlada, o mercado de trabalho mostra sinais de recuperação, o agronegócio segue competitivo e o ambiente de negócios amadureceu em áreas-chave. Há, sim, motivos legítimos para otimismo. Mas esse otimismo precisa vir temperado com ceticismo. Muito do que foi conquistado ocorreu apesar das escolhas políticas, não por causa delas. A instabilidade institucional, as sinalizações contraditórias sobre responsabilidade fiscal e a lentidão nas reformas estruturais continuam a impor um teto ao nosso crescimento. O país ensaia avanços, mas frequentemente tropeça por insistir em decisões de curto prazo e baixa qualidade técnica. O que o Brasil vive é uma tensão permanente entre potencial e realidade. A economia brasileira tem bases sólidas e capacidade de adaptação — mas segue presa em ciclos de euforia e frustração. Quando acerta, avança. Quando erra, retrocede — e o custo, quase sempre, recai sobre os mais vulneráveis. O olhar cético não nega os dados positivos — apenas recusa a ilusão de que estamos no caminho certo por inércia. A melhora de indicadores não é destino, é consequência. E pode ser revertida, como tantas vezes já foi, se a política não estiver à altura da economia. O futuro do Brasil dependerá menos de sorte e mais de decisões consistentes. A agenda está posta: simplificação tributária, desburocratização, investimento em produtividade e segurança jurídica. Se fizer o dever de casa, o país poderá, enfim, entregar o que sempre prometeu. O otimismo cético, nesse contexto, é o único que merece crédito: ele comemora os acertos, mas exige mais. Porque sabe que o Brasil poderia estar muito melhor — se apenas tivesse escolhido melhor.
José Carlos Buffon Junior Sócio da Robusta Capital*José Carlos Buffon Junior Sócio da Robusta Capital e otimista cético.          
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