Deixa eu te explicar o que está acontecendo com a sua carreira.
É muito comum a gente sair de uma reunião, de uma apresentação ou até de uma conversa importante pensando em apenas um detalhe. “Acho que falei rápido demais.” ou “Esqueci de comentar um ponto importante.” ou “Podia ter respondido melhor aquela pergunta.” Enquanto isso, quem estava do outro lado fez uma coisa completamente diferente: construiu uma percepção sobre você. E talvez essa seja uma das maiores diferenças entre a forma como nos avaliamos e a forma como o mercado nos avalia.
Nós costumamos dividir nossas competências em partes, sabemos exatamente no que somos mais fortes, no que ainda estamos aprendendo, onde nos sentimos seguros e quais habilidades ainda queremos desenvolver. Mas o mercado não faz essa separação, ele junta tudo isso em uma única impressão. É por isso que, às vezes, uma apresentação confusa faz alguém questionar uma competência técnica que nunca esteve em discussão. Ou uma reunião mal conduzida diminui a percepção sobre uma liderança que, até então, parecia muito sólida.
Isso acontece porque nosso cérebro funciona criando padrões, a gente simplifica o que percebemos para conseguir tomar decisões mais rapidamente, afinal ninguém guarda dezenas de versões diferentes da mesma pessoa. Guardamos uma percepção geral e ela vai sendo construída a partir de pequenos sinais: da maneira como você organiza uma ideia, da forma como escuta, como faz perguntas, como responde quando é contrariado, como conduz uma conversa difícil, como ocupa um palco e como representa a empresa em um evento.
Cada comportamento reforça ou enfraquece a imagem que as pessoas estão formando sobre você e isso muda completamente a forma como enxergamos nossas carreiras, porque aí esse texto deixa de ser apenas uma discussão sobre desenvolver competências e passa a ser também uma discussão sobre coerência. E para isso acontecer, desenvolver consciência sobre a forma como você ocupa os espaços é imprescindível, porque cada escolha comunica alguma coisa e tudo isso vai deixando pequenos rastros. E esses rastros, com o tempo, começam a formar padrões. Os padrões viram percepções. As percepções constroem uma identidade. E essa identidade passa a influenciar as oportunidades que chegam até você, as indicações que recebe e a confiança que as pessoas depositam no seu trabalho.
Talvez por isso o autoconhecimento seja uma das competências mais importantes da vida profissional, não aquele autoconhecimento construído apenas pela forma como você se enxerga. Aquele construído pela capacidade de observar como suas atitudes estão sendo percebidas por quem convive com você. Porque existe uma diferença enorme entre intenção e percepção e você pode querer transmitir segurança e estar sendo percebido como arrogante ou pode acreditar que demonstra autonomia quando, na verdade, passa a impressão de que não sabe trabalhar em equipe. Ou ainda, pode imaginar que está sendo objetivo, enquanto as pessoas enxergam frieza. É por isso que os feedbacks não servem apenas para corrigir comportamentos, eles também servem para revelar percepções que dificilmente conseguiríamos enxergar sozinhos.
É importante entender que a sua marca pessoal não é apenas um conjunto de competências, nem uma boa estratégia de comunicação. Ela é construída pela coerência entre aquilo que você acredita, as escolhas que faz, a forma como se comporta e a percepção que essas atitudes despertam nas outras pessoas. E a boa notícia é que percepção não é destino. Ela pode ser fortalecida, ajustada e até transformada, desde que você esteja disposto a olhar para si com a mesma honestidade com que olha para a sua carreira. Porque toda ação deixa um rastro. E, no longo prazo, são esses rastros que contam a verdadeira história sobre quem você é profissionalmente.
Pílula Dourada
Sua marca pessoal não nasce daquilo que você diz sobre si. Ela nasce da coerência entre o que você faz e a percepção que as pessoas têm de você.





