A safra do café no Espírito Santo chega a sua reta final e os produtores já estão de olho no desafio que devem enfrentar no ano que vem. Com mais de 80% da colheita concluída, a projeção de quebra se confirma e diante dos desafios de um “super” El Niño que se apresenta pela frente, 2027 se desenha como um ano ainda mais desafiador.
A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) estima para essa safra uma produção recorde que pode ultrapassar os 66,7 milhões de sacas em todo o país, um aumento de 18% em relação ao ano passado. Mas, no Espírito Santo o volume não deve acompanhar a qualidade dos nossos grãos.
“A quebra de produção é real e deve ficar acima de 20% em relação à safra 2025, superior ao que vinha sendo estimado. Por outro lado, um ponto positivo é que a qualidade do café está melhor do que a registrada no ano passado”, destacou o presidente da Cooabriel, Luiz Carlos Bastianello.
“Sobre a safra de conilon, que está chegando ao fim, é importante esclarecer que há um consenso entre os profissionais e os pesquisadores de uma quebra bem acentuada, especialmente em relação às lavouras mais velhas”, completou o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli. “Contudo o Espírito Santo teve uma renovação de lavouras com alta tecnologia. As lavouras novas que estão chegando em produção. Então a gente tem esse contraste das novas lavouras, com as lavouras velhas que terão uma quebra realmente acentuada”, ponderou Bergoli.
O secretário lembrou que os cafezais passam pela bienalidade, quando as lavouras alternam entre um ano bom e outro mais fraco na produção. “Esse ano teremos uma safra menor do que no ano passado. Esse é o nosso ano de baixa. O que se espera para 2027 é uma boa safra, então, para esse ano nós temos uma quebra normal já esperada. O que entra de novidade nisso tudo é o El Niño, que vai ocasionar secas mais intensas e temperaturas mais elevadas em relação à média daqui em diante. Os órgãos de pesquisa dos Estados Unidos afirmam que temos 67% de chance desse “super” El Niño acontecer e esse fenômeno pode se estender até fevereiro ou março. E isso poderá ocasionar problemas em sacas futuras”, destacou o secretário.
“Agora, é o momento de voltar as atenções para a próxima safra. É hora de cuidar bem da lavoura, realizando os tratos culturais com cautela e sem excessos. Precisamos fazer um trabalho bem feito para que a planta se recupere e tenha condições de produzir bons resultados no próximo ciclo produtivo”, finalizou o presidente da maior cooperativa de café conilon do país.





